Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > THE NEW YORK TIMES

Os cuidados com o anonimato de fontes

10/06/2008 na edição 489

O tema da coluna de domingo [8/6/08] do ombudsman do New York Times, Clark Hoyt, foi fontes anônimas. De acordo com uma pesquisa encomendada a alunos da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, o NYTimes apresentou progressos em seus esforços de estabelecer padrões qualificados para o uso de fontes anônimas.

Algumas das informações mais importantes já publicadas no NYTimes foram fornecidas por fontes anônimas, como a revelação dos grampos ilegais da administração de George W. Bush. No entanto, fontes que não foram identificadas também foram responsáveis por envergonhar o jornal, como as que informaram que o senador John McCain tinha um caso com uma lobista. Os leitores não apreciam o uso de fontes anônimas porque, sem conhecê-las, não podem julgar sua credibilidade.

Após o escândalo do repórter Jayson Blair envolvendo artigos com fontes anônimas que aparentemente não existiam, o jornalão optou, em 2004, por tornar mais rígidas suas normas. Bill Keller, editor-executivo, e Allan Siegal, então editor de normas, redigiram um código de conduta estipulando que fontes anônimas só deveriam ser usadas como último recurso para obter informação que seja confiável e de valor jornalístico. Segundo as regras, o repórter tem que informar a pelo menos um editor a identidade da fonte; fontes anônimas não podem ser usadas caso haja fontes que queiram se identificar para falar do mesmo assunto; e não se pode usar o anonimato para um ataque pessoal nem para comentários triviais.

Pesquisa

Um grupo de 17 estudantes sob a orientação do professor Richard C. Wald, ex-presidente da NBC News, leu todos os artigos de seis edições do diário antes das normas e seis após a criação delas. Eles descobriram que o número de artigos baseados em fontes anônimas caiu pela metade depois que a nova regra foi implementada. Por outro lado, foi pequena a queda quando se trata da descrição das fontes anônimas. Se, antes, 90% delas não eram descritas detalhadamente – com função ou área de atuação especificadas –, com as normas este índice baixou apenas 10%.

Outras descobertas: o uso de fontes anônimas para divulgar opinião, e não fatos, aumentou depois de 2004 – mesmo com a norma desencorajando isto; fontes anônimas apareceram menos em matérias de capa e o uso diminuiu em todas as seções – exceto na de Economia. O estudo será divulgado na íntegra no sítio da Columbia Journalism Review.

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