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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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FEITOS & DESFEITAS > Mesas quadradas

Os especialistas em futebol e suas incríveis previsões para a temporada

Por Roberto Schiavon em 13/12/2017 na edição 970

Foto: CarolynBeekhuis/Creative Commons

Uma vez um amigo disse que a única diferença entre os caras que ficam debatendo futebol em mesas-redondas na TV e os torcedores que discutem futebol tomando cerveja no boteco é o salário que os primeiros ganham pra fazer isso. Se tem algo que a temporada futebolística desse ano mostrou é que esse meu amigo pode ter alguma razão.

E eu gosto muito de ver esse tipo de programa. Como encaro o futebol com mais leveza do que fígado, me divirto assistindo os comentaristas dando seus palpites e depois tentando justificar o motivo de terem errado suas previsões. Mas esse ano todo mundo bateu seu recorde de previsão errada.

No começo da temporada, de acordo com os especialistas, o Corinthians estava condenado a lutar para não ser rebaixado, tanto no Paulistão quanto no Brasileirão, e foi campeão nas duas competições. Quando Renato Portaluppi assumiu o Grêmio, depois de um tempo sem treinar nenhum time, caíram de pau no cara. “Está desatualizado”, “não conhece o futebol moderno porque não estuda”, “ficou jogando futevôlei na praia e agora quer dirigir time de ponta” foram algumas das considerações sobre Renato, campeão da Copa Libertadores e finalista do Mundial Interclubes.

Em um programa do canal Fox Sports, antes da partida entre Flamengo x Paraná Clube pelas quartas-de-final da Primeira Liga, o apresentador João Guilherme pediu aos comentaristas que dessem seus palpites sobre quem iria à semifinal. Quando chegou a vez do nobre jornalista Leandro Quesada, ele não teve dúvida e mandou essa: “Precisa dizer? Precisa mesmo dizer? Tá bom, vou falar. O Flamengo, lógico”. No final das contas, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal, o Paraná ganhou nos pênaltis o direito de ir à fase seguinte do torneio.

Duvido que algum programa de esportes vá perder audiência por causa de uma análise que mais tarde se mostrou equivocada. E é bem improvável também que algum dos debatedores perca seu emprego ou mesmo seu prestígio nas mesas-redondas por causa de previsões que não se cumpriram. Afinal, o jogo se resolve dentro das quatro linhas e esse tipo de gafe mais reforça a beleza do esporte em geral, e do futebol em particular, do que desqualifica os comentaristas.

Eu mesmo, se me pagassem pra ficar falando de futebol na TV, também iria. Certamente a diversão — e também o salário — compensariam a vergonha por um ou outro palpite errado.

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Roberto Schiavon
é jornalista na cidade de Araraquara, interior de São Paulo.

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