Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Os escândalos da Receita e da Petrobras

Por Wilson Pessanha em 08/09/2009 na edição 554

Recentemente, nós, brasileiros, voltamos a ser bombardeados pelos nossos infindáveis escândalos técnico-políticos. O que me preocupa, além dos escândalos em si, é a percepção de que parte das informações necessárias ao nosso entendimento nos é de alguma forma restringida. Isto porque, embora as denúncias contra a Petrobras (mudança do regime contábil) e as feitas pela srª Lina Vieira no Congresso venham sendo tratadas pela grande mídia de forma constante, esta mesma mídia não apresenta nenhuma grande novidade além das suspeitas e negativas citadas pelos interlocutores de sempre do governo e oposição. Digo isto, pois em nenhum momento vi ou li algo como ao que assisti no programa Entre Aspas, exibido em 25/08/2009 em um canal de TV a cabo e que exibia entrevista com o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, com o presidente do Sindreceita Paulo Antenor de Oliveira e com o advogado tributarista Paulo Sigaud.

Segundo os entrevistados, a operação da Petrobras (mudança no regime de caixa para competência) que resultou na CPI da mesma era e é absolutamente legal e a atuação da srª Lina Vieira à frente da Receita Federal teria sido muito ruim, justificando-se, assim, a saída do cargo que ocupava. As afirmativas acima foram feitas por pessoas que publicamente possuem crédito e foram dadas ao vivo e de forma clara. Importante dizer que as palavras desses senhores não são por si só melhores do que a dos outros, mas foram totalmente diferentes.

Escolhas que beneficiarão o futuro

E o que me incomoda, então, se obtive uma ‘boa informação’ e tenho agora um novo ponto de observação? A resposta é que esta informação foi obtida em um programa de TV a cabo, exibido durante a semana, no horário de 23h e 30 min, transformando-a em um privilégio, o que não deveria ser. Informação, particularmente a que estabelece um contraditório aparentemente qualificado, deve ser dada a todos, e não apenas a poucos através de veículos de comunicação de baixa penetrabilidade; deve ser amplamente divulgada, papel este dos grandes veículos de comunicação.

E por que não é assim? A quem interessa o nosso ‘analfabetismo informacional’? Sim, pois conhecendo apenas parte da informação não podemos interpretá-la, tal qual o sujeito que lê e não entende. E não entendendo, não poderemos aprimorar nossas condutas, acompanhar as mudanças do mundo e avaliar efetivamente o que nos cabe e nos interessa a fim de realizarmos as escolhas que beneficiarão o nosso futuro que, acredito, deva ser construído de forma democrática. Democracia se constrói com liberdade e, para tanto, precisamos de educação, saúde, justiça ágil e clara com informação fluida e de qualidade que permeie todos os segmentos da sociedade.

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Enfermeiro, Rio de Janeiro, RJ

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