Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

FEITOS & DESFEITAS > REINO UNIDO

Pais acusam imprensa de influenciar suicídios

26/02/2008 na edição 474

A mídia britânica vem sendo acusada de encorajar uma série de suicídios de adolescentes na cidade de Bridgend e arredores, no País de Gales, noticia Lucie Godeau [AFP, 21/2/08]. Em pouco mais de um ano, 17 jovens foram encontrados mortos; 16 deles morreram enforcados, método considerado raro entre jovens, e um foi atingido por um trem. A vítima mais recente é Jenna Parry, de 16 anos, encontrada enforcada em uma árvore perto de sua casa em Cefn Cribwr, próximo a Bridgend. Na semana retrasada, dois primos foram achados mortos com diferença de horas.

Com as mortes de tantos jovens, a mídia britânica começou a especular sobre a existência de pactos suicidas feitos através da internet (todas as vítimas usavam redes sociais) e a chamar a área de ‘região suicida’. Tal afirmação foi fortemente rejeitada pela polícia, pelos familiares das vítimas, legisladores e clínicas de saúde mental, que acusaram a imprensa de sensacionalismo e de encorajar os suicídios. ‘Gostaria de deixar claro que não estamos considerando pactos de suicídio’, declarou Dave Morris, assistente-chefe da polícia da região. ‘Estamos conversando com jovens de Bridgend e eles têm nos relatado que a mídia está começando a contribuir com o modo como pensam e sentem, com a pressão pela qual passam e com o fato de Bridgend começar a ficar estigmatizada’. Sharon Pritchard, mãe de um dos jovens enforcados, acredita que a mídia tenha colocado no filho a idéia de suicídio.

Werther

Estatisticamente, o País de Gales tem o maior índice de suicídios do Reino Unido – 19,4 a cada 100 mil homens e 17,4 a cada 100 mil mulheres. Diante da série de mortes em Bridgend, a mídia citou o ‘Efeito Werther’ – fenômeno contagioso entre jovens proposto pelo sociólogo americano David Phillips.

Phillips traçou um paralelo entre o número de suicídios e a publicação do livro O sofrimento do jovem Werther, de Johann Wolfgang Von Goethe, de 1774. Na época, a publicação acentuou a incidência de suicídios na Europa, em especial entre jovens ‘românticos’. Na semana passada, o Guardian citou uma pesquisa do departamento de psiquiatria da Universidade de Oxford que afirma haver evidências de que artigos noticiosos ou histórias de ficção sobre suicídios intensificam o comportamento suicida.

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