Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > IMPRENSA BRASILEIRA, 200 ANOS

Papel revolucionário

Por Domingos de Abreu Miranda em 17/06/2008 na edição 490

Passaram quase despercebidos os 200 anos da imprensa no Brasil, comemorados em 1º de junho. Não deveria ser assim, pois os jornais representaram papel de destaque no avanço da sociedade. Com a invenção dos tipos móveis por Gutenberg, em 1454, houve uma democratização do conhecimento, com o aumento gigantesco do número de livros e o surgimento de jornais nos principais países. Nesse período do iluminismo, por causa da Inquisição, Portugal e Espanha ficaram mergulhados nas trevas. Como conseqüência, por determinação real, estava proibida a edição de qualquer livro ou jornal na colônia. Isto só viria a mudar em setembro de 1808, com a chegada da família real no Brasil, quando passou a ser impresso o periódico Gazeta do Rio de Janeiro, de caráter semi-oficial. No entanto, alguns meses antes, em 1º de junho, Hipólito da Costa começou a editar em Londres o primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense. O mensário chegava clandestinamente ao país para escapar da censura régia e contribuiu para que fossem lançadas as idéias da independência.

Ao longo destes dois séculos, surgiram homens que revolucionaram a imprensa no Brasil. Alguns deles sofreram perseguições e dificuldades econômicas por afrontar o poder dominante. Não poucos perderam a vida no exercício da profissão. Uma destas figuras que mais contribuíram para a formação da nossa nação foi Cipriano Barata, participante ativo da luta pela independência e que editou diversos jornais ao longo da vida. Mesmo encarcerado, ele produzia o seu jornal, Sentinela da Liberdade. Morreu pobre, em 1º de junho de 1838, no mesmo dia em que apareceu o nosso primeiro periódico.

Respeitabilidade adquirida

A luta contra os desmandos do poderio econômico e político geralmente era praticada por pessoas abnegadas cujo principal interesse era ver triunfar a ética. Um destes exemplos foi o joinvilense Crispim Mira, que, por denunciar falcatruas nas obras públicas no porto de Florianópolis, foi barbaramente assassinado, em 1927, dentro da sede de seu jornal Folha Nova, na capital catarinense.

Nos períodos mais recentes as dificuldades não foram menores. Durante a ditadura militar, a divulgação de idéias contrárias ao regime era atividade de alto risco. Vladimir Herzog morreu nas celas dos órgãos de repressão, em 1975. Assim como ele, outros jornalistas perderam a vida sem que tivessem a mesma repercussão. Mas, mesmo com este terror bárbaro e a censura, as idéias de liberdade eram difundidas e, após 21 anos de opressão, a democracia voltou a raiar no horizonte do Brasil.

Hoje a informação chega a quase todos os lares através dos mais diferentes meios de comunicação. Em diversas pesquisas feitas, a imprensa continua sendo uma das entidades com maior credibilidade na sociedade. Esta respeitabilidade foi adquirida graças à coragem e competência de jornalistas que correram todo tipo de risco para levar informação e novos ideais ao povo. Após dois séculos desta luta, podemos dizer, com orgulho, que valeu a pena o sacrifício.

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Jornalista, Joinville, SC

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