Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > CASO SIROTSKY

Para esclarecer a confusão

Por Paulo Santa´Ana em 08/07/2010 na edição 597

Sobre o episódio de violência sexual ocorrido no dia 14 de maio em Florianópolis, é necessário fazer algumas colocações para esclarecer uma confusão a que está sendo submetida por alguns setores a opinião pública aqui no nosso Estado.


A mãe de uma menina de 13 anos fez denúncia à polícia de que sua filha foi violentada sexualmente por dois garotos de 14 anos em uma orgia de adolescentes. Respeite-se a dor da família da menina, que indiscutivelmente é afinal compartilhada pelas famílias dos demais adolescentes lamentavelmente envolvidos no caso.


Um dos menores acusados é da terceira geração da família Sirotsky, proprietária da RBS, como foi reconhecido publicamente em nota assinada por Jayme Sirotsky, presidente emérito, e Nelson Sirotsky, presidente do Grupo.


Tão pronto foi veiculado o episódio pela internet, por meio de um blogueiro de Florianópolis, molestando o sigilo prudencial da Justiça, que mantinha o caso em reserva imposta pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, a direção da RBS, em atitude louvável, colocou todos os setores jornalísticos da empresa à vontade para cobrir o episódio e manifestar-se editorialmente sobre o mesmo.


Outros comunicadores da RBS em Santa Catarina já se manifestaram sobre o caso. É por isso que estou abordando o assunto voluntariamente, com a transparência que se aconselha, cônscio da repercussão que tem esta coluna.


Desrespeitar o ECA?


Nos últimos dias, no entanto, observa-se em um setor da mídia uma carga de crítica insistente contra a família Sirotsky, a RBS e seus profissionais, tentando transformá-los em réus da violência sexual contra a menor, sob a alegação de que a nossa empresa não noticia o episódio de Florianópolis para autoproteger-se.


Mas como? O primeiro veículo da mídia tradicional a noticiar o fato foi o Diário Catarinense em 30 de junho. E o Diário Catarinense é da RBS.


Depois disso, diversos jornais da RBS, Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, A Notícia, de Joinville, Zero Hora e mais outras vezes o próprio Diário Catarinense, além da RBS TV em Santa Catarina, referiram-se ao fato, sempre com o cuidado imposto pela lei, que diz no artigo 143, parágrafo único, do Estatuto da Criança:




‘Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome’.


O que é que queriam então da RBS, mais do que noticiar o fato? Queriam que os jornais da RBS saíssem expondo vítima e infratores, desrespeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente?


É demais.


Cautelas devidas


A confusão é só uma: algum setor está querendo transformar um fato eminentemente policial ou criminal em luta por interesses empresariais, ligados à concorrência de empresas jornalísticas.


A denúncia oferecida pela mãe da menina violentada está em curso na Justiça, que deliberará sobre o fato e sua autoria. No entanto, a própria Justiça se permite a natural e impositiva reserva que o caso exige quando os envolvidos nele são menores. Ainda ontem, o delegado de Florianópolis deu a informação de que o caso está tramitando dentro dos prazos normais.


A RBS, por seus jornais, assim como outros jornais de outras empresas, noticiou o episódio, como sempre o faz, dentro das cautelas naturais ao mandamento inibitório do Estatuto da Criança e do Adolescente, que não permite sequer a identificação dos acusados, inclusive, como está escrito na norma, o seu parentesco.


O público escolhe


É inegável que um adolescente da terceira geração da família Sirotsky se envolveu neste triste episódio.


Mas é terminantemente inaceitável que se queira colocar a RBS, seus dirigentes e profissionais como réus do episódio, confundindo-se concorrência entre empresas jornalísticas com um caso criminal entre adolescentes.


Resta ao público a escolha do tipo de jornalismo que prefere, o do sensacionalismo motivado pela concorrência ou o da responsabilidade legal e editorial.


***


Comunicado da família Sirotsky # Diário Catarinense, 2/7/2010


À Comunidade Catarinense


A família Sirotsky, sócia majoritária do Grupo RBS, diante de notícias recentemente veiculadas a respeito do envolvimento de um de seus integrantes em ocorrência policial em Florianópolis, esclarece que:


• Dispensa total solidariedade às famílias dos adolescentes envolvidos no lamentável episódio.


• Está acompanhando responsavelmente o adolescente, membro da terceira geração da família, com a atenção, a seriedade e os cuidados adequados à situação.


• Lamenta a forma irresponsável, maldosa e fantasiosa pela qual o episódio vem sendo propagado, principalmente por alguns sites e blogs na internet.


• Confia integralmente nas autoridades policiais e judiciais de Santa Catarina no sentido de que o caso seja esclarecido e encaminhado de forma adequada.


• O Grupo RBS continuará cumprindo sua missão de informar com responsabilidade, ética e transparência, como vem fazendo há 53 anos no Sul do Brasil.

Todos os comentários

  1. Comentou em 12/07/2010 José Eugênio das Neves

    Marcelo, entendo sua indignação e concordo plenamente com ela. Quero explicar apenas que estou tentando ver o caso por outro ângulo, o da imprensa. Enviei um artigo sobre isso para ser publicado aqui, leia e compreenderá o que eu quis dizer. Aliás, salvo raras exceções, quase toda a imprensa é corrupta e vendida, assim quando leio uma notícia me indigno com ela, mas sempre penso no interesse que está por detrás desse destaque. Acho que isso é legal.

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