Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº943

FEITOS & DESFEITAS > CENSURA NA CHINA

Partido Comunista quer TV como porta-voz

01/03/2007 na edição 422

O Departamento de Propaganda do Partido Comunista da China anunciou, em um encontro em janeiro, novas normas de censura para o setor de telecomunicações do país, informa Edward Cody [Washington Post, 27/2/07]. Segundo a transcrição do encontro, que atualmente circula por Pequim, a TV chinesa deverá promover lealdade ao Partido e atenuar as tensões, na medida em que o país entra em um ‘período político sensível’.


As regras refletem um desejo da administração do presidente Hu Jintao de ver divulgado na mídia, com a aproximação do 17º Congresso Nacional do Partido Comunista, um cenário de harmonia.


Influência na cobertura


O Departamento de Propaganda emite ordens regularmente a executivos de rádio, televisão e jornais na China, listando temas a ser evitados ou tratados com extrema cautela. No entanto, as novas normas parecem fazer parte de um esforço concentrado para manipular a cobertura da imprensa nos principais eventos políticos que ocorrerão na China este ano. ‘Em países estrangeiros, as emissoras de TV são de propriedade privada e você pode colocar no ar o que quiser. Mas, na China, a TV é porta-voz do Partido e do povo. Esta é a sua missão principal; o entretenimento é secundário’, justificou Wang Weiping, da Administração Estatal de Rádio, Filme e TV da China.


O congresso, que ocorre a cada cinco anos, é especialmente importante para que Jintao, chefe do Partido desde 2002, consolide sua liderança e coloque seus aliados em posições-chave, principalmente no novo Comitê Permanente do Politburo chinês – grupo dos homens que efetivamente exercem o poder na China e ditam o rumo de abertura da nação. ‘Para criar uma atmosfera própria para o 17º Congresso do Partido, devemos reforçar os principais temas da nossa nação’, disse Li Dongshen, subchefe do Departamento de Propaganda.


Sobrou para o porco


Dongshen ainda lembrou que, recentemente, foram proibidos no país oito livros acusados de violar os limites do que é publicável. Para ele, o setor de telecomunicações sofre problemas semelhantes e é necessário que se assuma um controle para promover a riqueza cultural e abordar temas sensíveis, como corrupção, de maneira positiva. No Ano do Porco, ele ainda alertou que as emissoras devem levar em conta que existem 35 milhões de muçulmanos na China, que consideram o animal sujo e ofensivo. ‘Devemos falar o mínimo possível sobre o personagem do porco’, aconselhou.

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