Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 6/1

Pela primeira vez, NYT publica anúncio na capa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 06/01/2009 na edição 519

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 6 de janeiro de 2009


 


NOVOS TEMPOS
Andrea Murta


‘New York Times’ publica anúncio na capa pela 1ª vez


‘O ‘New York Times’ publicou ontem pela primeira vez em sua história um anúncio gráfico na primeira página, em um dos sinais mais evidentes dos efeitos da crise econômica na imprensa dos EUA. A faixa de anúncio, da rede CBS, foi posicionada no pé da página. O preço não foi revelado.


A novidade chega pouco após a revelação de que os lucros do grupo de mídia do ‘Times’ caíram quase 22% em novembro em comparação com mesmo período de 2007. No terceiro trimestre, os dividendos de acionistas foram cortados em 74%. No mês passado, a empresa disse que negociava com credores pagamentos de dívidas para os próximos dois anos, enquanto o jornal continua a lutar contra a queda contínua em vendas e propaganda.


A empresa foi recentemente forçada a tomar US$ 225 milhões emprestados, oferecendo o prédio da sede em Manhattan como garantia, para cumprir compromissos que se encerram em maio. Também está avaliando bens para possível venda em tentativa de elevar a liquidez. ‘Não há dúvidas de que 2009 estará entre os anos mais desafiadores que enfrentaremos, e novos passos serão necessários [para evitar a falência]’, disse Janet Robinson, executiva-chefe do ‘Times’.


Esses passos, porém, podem não ser suficientes. Analistas do site 24/7 Wall Street, de notícias financeiras, incluíram a empresa que edita o ‘Times’ em lista de dez que provavelmente não vão durar até o final de 2009 -ao menos não no formato atual. ‘O ‘Times’ precisa pagar US$ 400 milhões no primeiro semestre e não tem dinheiro’, diz o site. Também fazem parte da lista a montadora Chrysler, a megasseguradora AIG e as financeiras do setor imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac -todas recentemente receptoras de bilhões de dólares em ajuda federal.


O ‘Times’ vende desde 2006 anúncios gráficos na capa de seções internas e também já ofereceu no passado raros e minúsculos classificados de texto na primeira página. A porta–voz do jornal disse que, para um anúncio gráfico como o de ontem, é cobrada uma taxa extra sobre o preço de propagandas em seções internas e que os anunciantes precisam comprar espaço em múltiplos dias para garantir o privilégio.


Na indústria da mídia, a crise não é exclusiva dos jornais: revistas conceituadas tiveram queda acentuada em propaganda em janeiro, com edições significativamente menores do que as do mesmo mês de 2008.


A ‘Allure’, em janeiro de 2008, teve quase 70 páginas de anúncios; neste mês, 41. A ‘Vogue’ americana teve resultado parecido, com queda de 44% nas páginas comerciais em comparação a um ano atrás. A ‘Wired’ sofreu perda de 47%. No geral, segundo pesquisa da ‘Media Industry Newsletter’, as revistas perderam 17% das páginas de anúncio neste mês ante janeiro de 2008.’


 


 


GAZA
Claudia Antunes


Veto de Israel à mídia ricocheteia


‘Israel lançou uma blitz publicitária antes de iniciar o ataque a Gaza, enquadrando suas ações na ‘guerra ao terror’ mais ampla, mas a boa vontade com o país, na mídia ocidental, começa a diminuir. O detonador dessa virada é a contínua proibição do ingresso de jornalistas estrangeiros em Gaza, que se prolonga há dois meses -período que coincide com o abalo da trégua acertada em junho com o Hamas.


Há seis dias, ao julgar pedido da Associação de Imprensa Estrangeira, a Suprema Corte israelense determinou que a proibição fosse suspensa. O governo disse que permitiria o ingresso de oito jornalistas, mas voltou atrás, citando riscos de segurança. Como o Egito, interessado no enfraquecimento do Hamas, também mantém sua fronteira com Gaza bloqueada, a impaciência cresce.


No último fim de semana, o tom da CNN internacional mudou. Uma cobertura no início muito inclinada à posição israelense pôs no ar protestos dos enviados especiais que em Israel observam Gaza de longe, sobre um fundo de imagens do sofrimento de civis palestinos feitas por canais de TV árabes.


Ao contrário dos principais meios de comunicação ocidentais, dos quais só o ‘New York Times’ e o ‘Independent’ britânico têm correspondentes fixos em Gaza, ambos palestinos, a mídia árabe mantém jornalistas no território. As agências de notícias americanas e europeias também contam com colaboradores ali, transformados em correspondentes seniores com o veto israelense.


O resultado é que a tentativa de censura tem efeito contrário. E, embora as orgulhosas democracias do Ocidente não deem muita atenção às ruas árabes, pode ficar mais difícil para Israel contar com a anuência não só do mundo como da maioria dos vizinhos, que aprovaram a ofensiva, temerosos da influência do Hamas sobre os próprios radicais.


O drible ao controle da informação também aprofunda o fosso em relação à opinião pública israelense. Por certo, Israel tem uma imprensa bem mais livre do que a das ditaduras árabes, embora haja censura militar (por exemplo, sobre o programa nuclear e na guerra que se desenrola). Mas a tendência em situações como a atual é a de que a maior parte da mídia se alie ao governo.


O veterano repórter israelense Meron Rapoport, do jornal de esquerda ‘Haaretz’, observa que ‘os palestinos nos conhecem muito melhor do que nós a eles’. Ele aponta que há mais árabes de Gaza e da Cisjordânia que falam hebraico, por necessidade de trabalhar em Israel, do que israelenses que falam árabe. ‘O público israelense não tem o quadro completo -há partes faltando’, diz.


O ingresso da imprensa de Israel em Gaza é proibido, por alegadas razões de segurança, há um ano e meio, desde que o Hamas tomou o poder ali.


Schlomi Eldar, especialista em assuntos árabes do Canal 10 de Tel Aviv, cobre Gaza desde 1991, mas não pode ir mais ao território. Antes da atual guerra, quando a região estava sob bloqueio econômico, o público israelense não se interessava em saber o que ocorria lá, diz ele: ‘Os israelenses não querem ver o outro lado’.


O ‘Haaretz’ é um dos jornais mais pluralistas de Israel. Tem influência nos meios diplomáticos e políticos, mas sua versão em hebraico não vende mais de 70 mil exemplares. O jornal mais vendido (600 mil exemplares) é o ‘Yedioth Aronoth’, que tem posição pró-guerra.’


 


 


Painel do Leitor


‘‘Ontem, nos jornais, fotos de meninos nos escombros, mulheres de véu com crianças, crianças feridas… E os terroristas? Onde estão? Atrás das mulheres e crianças?’


HELGA SZMUK (Florianópolis, SC)


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‘O editorial ‘A invasão de Gaza’ (5/1) só pode estar de brincadeira. Como um jornal do porte da Folha se permite desenvolver argumentos para defender os ‘tadinhos’ dos militantes do Hamas e condenar veementemente o Estado de Israel por tentar se defender do terrorismo internacional? Eu não esperaria que esse jornal aplaudisse as operações de Israel. A Folha deve, por princípio, lamentar todas as guerras. O que me surpreende é a parcialidade com que o assunto é tratado, desde fotos até as reportagens em si, passando inclusive por seus títulos. De duas, uma: ou o jornal não quer reconhecer o óbvio (que o Hamas está cometendo três crimes de guerra -disparando contra civis israelenses, usando civis como escudos e buscando a destruição de um país membro da ONU- e, assim, Israel age em legítima defesa e por necessidade militar) ou é financiado pelos palestinos.’


HELENA KESSEL (Curitiba, PR)


Nota da Redação – A Folha reconhece o direito de Israel de se defender dos ataques do Hamas, embora condene o uso desproporcional da força na atual ofensiva.’


 


 


ACORDO ORTOGRÁFICO
Luisa Alcantara e Silva e Márcio Pinho


Sites oferecem corretor com nova ortografia


‘Internautas que buscam na rede corretores ortográficos com as novas regras da ortografia devem ficar atentos. Os sites que já oferecem o serviço também foram prejudicados com a falta de definição em relação a algumas palavras, cuja grafia não é esclarecida pelo Acordo. Em alguns casos, mesmo nos de regras já definidas, a correção é feita de maneira errada.


O software livre BrOffice, um dos maiores concorrentes do Microsoft Word, tem, desde julho, um corretor com download gratuito. Mas já foram feitas duas atualizações, pois ainda há dúvidas em torno da nova grafia -como no caso do prefixo ‘re’ e em palavras como ‘subumano’ ou ‘sub-humano’.


As respostas só virão com a publicação do novo Volp (‘Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa’), que deve ocorrer no final de fevereiro ou no início de março.


‘Estamos seguindo muito de perto as novas regras, mas o governo deveria ter feito um texto sem deixar dúvidas’, afirma Olivier Hallot, diretor financeiro da BrOffice. De acordo com ele, desde outubro, quando foi feita a última atualização do programa, 1 milhão de pessoas no Brasil fizeram o download.


A Porto Editora, uma das maiores de Portugal, também criou um conversor. O acesso é gratuito, mas, em um teste rápido feito pela reportagem, de três palavras em uma frase que deveriam ser convertidas, apenas duas foram trocadas.


A editora diz estar tranquila. ‘A utilização integrada das novas tecnologias, combinada ao conhecimento que temos sobre a matéria, permite-nos estar bem preparados’, afirmou o responsável, Vasco Teixeira.


O empresário Edney Souza resolveu criar um conversor e colocá-lo em seu site. Entretanto, a página virtual apresenta problemas em relação ao uso do hífen, de acordo com Souza. ‘Como o vocabulário oficial ainda não saiu, não tenho como programar o conversor.’


O Word, popular editor de textos, poderá ter seu corretor de português atualizado só a partir do segundo semestre.


Essa é a expectativa da Microsoft Brasil para os programas do Office 2007, que incluem, além do Word, Excel e PowerPoint e outros. A empresa também espera pela publicação do novo Volp e a atualização se dará para corretor gramatical, ortográfico, dicionário de sinônimos e hifenizador.


‘A expectativa é permitir aos usuários uma atualização gratuita [baixada] pela internet no segundo semestre’, afirmou ontem Eduardo Campos, gerente de produtividade e colaboração da Microsoft Brasil.


A Microsoft afirma que cumprirá o prazo de adaptação dado pelo governo -até 2012. O mesmo diz o Google, que tem entre seus programas o editor de textos Google Docs.


Para quem precisar de uma resposta oficial sobre alguma dúvida de grafia, a Academia Brasileira de Letras oferece o ABL Responde, em que especialistas esclarecem dúvidas enviadas pelo site, mas não dão prazo para a resposta.’


 


 


Pasquale Cipro Neto


Os acentos diferenciais de ‘pelo’, ‘polo’ e ‘pera’ já vão tarde!


‘O Acordo passou o facão nos acentos diferenciais. Mantiveram-se só os de ‘pôde’ e ‘pôr’.


O diferencial de ‘pôde’ é de timbre (fechado, no caso) e distingue ‘ele pôde’ de ‘ele pode’.


O circunflexo da forma verbal ‘pôr’ a distingue da preposição homógrafa (átona) ‘por’.


Os demais acentos diferenciais foram sumariamente eliminados pelo Acordo. Deixaram de existir as seguintes grafias: ‘pára’ (do verbo ‘parar’), ‘pêlo/s’ (substantivos), ‘pélo’, ‘pélas’ e ‘péla’ (do verbo ‘pelar’), ‘pólo/s’, ‘pôlo/s’ e ‘pêra’ (substantivos). Esses acentos se justificavam pelos correspondentes homógrafos átonos: ‘para’ (preposição), ‘pelo’ (combinação de preposição e artigo), ‘polo’ (combinação arcaica de preposição e artigo) e ‘pera’ (preposição arcaica).


Com exceção do acento na forma verbal ‘para’, os demais já vão tarde. O de ‘para’ fará falta em alguns casos. Um título como ‘Trânsito pesado para Recife’ será ambíguo, portanto não deverá ser publicado.


Por fim, uma novidade: é opcional o acento em ‘forma’ (sinônimo de ‘molde’). É isso.’


 


 


HQ
Pedro Cirne


Esboços de Tintim


‘No próximo sábado, um dos mais importantes personagens dos quadrinhos europeus fará aniversário: são 80 anos desde que Tintim, já com seu indefectível topete e seu cão Milu, estreou no jornal belga ‘Le Vingtième Siècle’.


Desde então, foram 24 aventuras bem-humoradas, que envolvem mistérios, tiranos e até fenômenos inexplicáveis em lugares que vão do Congo ao Tibete, passando pela Lua.


E, pela primeira vez, duas importantes obras do personagem são publicadas no Brasil: ‘As Aventuras de Tintim Repórter do ‘Petit Vingtième’ no País dos Sovietes’ (sua estreia) e ‘Tintim e a Alfa-Arte’, sua última -e incompleta- história.


As duas edições, somadas aos lançamentos de ‘Tintim e os Pícaros’ (ambientada na América do Sul) e ‘Vôo 714 para Sydney’ (no sudeste asiático), encerram a coleção da Companhia das Letras que trouxe ao país, pela primeira vez, a série completa do belga Hergé.


Para Thyago Nogueira, editor dessa coleção, uma das principais qualidades da série é a contextualização das histórias. ‘A pesquisa, que era uma preocupação forte do Hergé, de levar o Tintim a países diferentes, é uma característica que se manteve e foi se aperfeiçoando’, diz Nogueira.


Enquanto ‘Tintim e os Pícaros’ e ‘Vôo 714 para Sydney’ trazem histórias que se encaixam nessa descrição, as outras duas são curiosas exceções à trajetória do personagem.


‘Não são histórias como todas as outras’, diz Nogueira. ‘O ‘País dos Sovietes’ é um desenho um pouco menos acabado do que ele fez depois. E ‘Alfa-Arte’ é uma história inacabada… São os bastidores de uma história do Hergé.’


Embrião da série


‘País dos Sovietes’ começou a ser publicada quando Hergé tinha apenas 21 anos (veja o quadro à esquerda). O álbum é um embrião do que viria a ser a série. Tintim ainda atua acompanhado apenas pelo cachorro Milu -seu ótimo e divertido rol de coadjuvantes (o capitão Haddock, o professor Girassol, a cantora Bianca Castafiore, os policiais Dupond e Dupont, o vilão Rastapopoulos) ainda não havia sido criado.


O roteiro de ‘País dos Sovietes’ também é diferente. Primeiro, por ser inocente. Eram outros tempos (final dos anos 20), mas é curioso ver o personagem assustar alguns inimigos apenas vestindo um lençol com furos para os olhos e se fazendo passar por um fantasma.


Além disso, Tintim, que viria a ser um exemplo de bom moço, toma atitudes que mais tarde seriam impensáveis, como agredir um policial ou roubar um barco ou um carro.


O roteiro dessa primeira história é um panfleto anticomunista -o ‘Vingtième Siècle’ era editado por um admirador de Mussolini. Na trama, o repórter Tintim viaja à União Soviética para ver o que ‘de fato’ acontece por lá. O que ele ‘descobre’ são fábricas de fachada, com as quais ‘os sovietes tapeiam os coitados que ainda acreditam no ‘paraíso vermelho’, no dizer do próprio personagem. O país que Tintim encontra é violento, corrupto e tira trigo da população pobre e faminta para fazer propaganda da nação soviética no exterior.


A última aventura


Hergé morreu em 1983, antes de concluir ‘Tintim e a Alfa-Arte’, que seria a 24ª aventura do repórter. Esta edição que chega ao Brasil apresenta o texto em prosa, ao lado dos rascunhos para cada página que já havia sido roteirizada.


Assim, a leitura não flui tão bem como se já estivesse finalizada. Perde-se a graça de algumas gags visuais de Hergé. Por outro lado, é uma aula de como fazer histórias em quadrinhos: é possível ver como o quadrinista pensava, com traços bem simples, como resolveria a diagramação de seu enredo dentro de cada página.


Além disso, há no final da edição esboços e anotações que poderiam ter sido usadas até o final da história -por exemplo, a identidade real do vilão (a história aborda um caso de falsificação de obras de arte). É curioso, pois estão registradas até as dúvidas do próprio Hergé: ‘Tintim (…) só será salvo graças a… Milu? Haddock? Ao professor? A…?’.


O leitor fica sem saber, mas não importa. ‘Tintim e a Alfa-Arte’ é uma espécie de making of de uma história em quadrinhos sofisticada, cuja criatividade de seu artista faz dela, ainda hoje, um dos maiores marcos das HQs da Europa.’


 


 


INTERNET
Irineu Franco Perpetuo


Sinfonia de blogs


‘Depois do YouTube, das rádios via web e das redes de compartilhamento peer-to-peer, agora a blogosfera também está sendo usada como meio de difusão gratuita de música erudita. Blogueiros de todo o planeta estão compartilhando suas coleções de discos, colocando-as para download.


Não é preciso ser um expert para conseguir baixar os CDs -basta clicar no link para download, que remete a um servidor no qual os discos estão armazenados. A única dificuldade é que eles normalmente chegam em formato .rar, compactado. Para descompactá-los, é só baixar o 7-zip, um programa gratuito, desenvolvido como software livre, mas que roda em Windows, e que pode ser obtido em www.7-zip.org.


Um dos mais ambiciosos blogs nesta área se chama, sugestivamente, Libros Libres Música Libre (libroslibresmusicalibre.blogspot.com).


Gerenciado por um coletivo que reverencia a memória do educador mexicano Rubén Vizcaíno Valencia, o blog disponibiliza para download gratuito as obras completas de Bach e Beethoven, integrais sinfônicas de Mahler, Bruckner, Tchaikovski e Nielsen, a música de câmara de Brahms e todo o legado fonográfico da soprano Maria Callas, entre outras preciosidades.


Há blogs que se centram em áreas de interesse temático. O italiano Brainle de Champaigne (passacaille.blogspot.com), por exemplo, traz vasto acervo de música medieval, renascentista e barroca, enquanto o argentino Il Canto Sospeso (ilcantosospeso.blogspot.com) está centrado na música dos séculos 20 e 21.


No Brasil, vale especial menção PQP Bach (pqpbach.opensadorselvagem.org), um blog bem-humorado, com diversos colaboradores, textos sobre compositores e intérpretes e oferta bastante diversificada; e o Brazilian Concert Music (musicabrconcerto.blogspot.com), exclusivamente focado na música erudita de autores nacionais, levando ao ar muitos discos que não foram lançados comercialmente e até itens que jamais mereceram edição em CD.


‘Caráter cultural’


Todos esses blogs dizem não promover a pirataria, pois não cobram pelo acesso aos discos. Com algumas variações, suas páginas de entrada costumam dizer mais ou menos a mesma coisa: que o caráter dos blogs é meramente cultural e de divulgação; e que, tendo gostado do que baixaram, os internautas devem sempre comprar os CDs originais, cuja qualidade de áudio é superior à dos downloads.


Blogs como PQP Bach e Music Is the Key (orchestralworks.blogspot.com) colocam, ao lado da opção para download gratuito, um link para a compra do CD na loja virtual Amazon (www.amazon.com). E a página de entrada do Brazilian Concert Music pede a quem se sentir ofendido ou prejudicado com o conteúdo de alguma postagem que avise por e-mail os administradores do blog, que se comprometem a tirá-la do ar.


Não é impossível que na origem de tal precaução esteja o destino do Sombarato, blog especializado em música popular brasileira, com um acervo superior a 2.000 títulos, que teve mais de milhões de acessos em um ano e meio, antes de ser tirado do ar, em setembro do ano passado, pelo Google, devido a ação judicial da gravadora Biscoito Fino.


A base jurídica para tirar o blog do ar foi o Digital Millennium Copyright Act (DMCA), aprovado em 1998, nos Estados Unidos. Entre outras medidas, o DMCA permite que detentores de direitos autorais solicitem aos provedores de serviços on-line que bloqueiem o acesso ou retirem de seus sistemas conteúdos que violem direitos autorais.’


 


 


TELEVISÃO
Fernanda Ezabella


Canal exibe vidas de Schindler e Hitler


‘Dois personagens centrais da Segunda Guerra Mundial são protagonistas de programas da série ‘Vidas Que Mudaram o Mundo’, do canal The Biography Channel, amanhã: Oskar Schindler e Adolf Hitler.


O primeiro, que teve sua história contada no cinema por Steven Spielberg, em ‘A Lista de Schindler’ (1993), chegou a realizar trabalhos de espionagem para os nazistas, mas acabou redimido por seu trabalho humanitário. Ele conseguiu salvar mais de mil pessoas, na maioria judeus, que foram levados à Tchecoslováquia, e não para Auschwitz.


Schindler é descrito como um homem de pouca sorte no jogo e nos negócios, além de ter sido infiel e beberrão. Mas, usando uma fábrica de produtos esmaltados como fachada, mentiu e subornou por uma boa causa.


Já o programa sobre Hitler, feito com base em pesquisa realizada em países como Áustria, Canadá, Alemanha, Itália e Polônia, apresenta a trajetória de um dos homens mais odiados de todos os tempos.


Estão lá os acontecimentos da época que levaram ao surgimento do führer, como o final humilhante da Primeira Guerra Mundial para a Alemanha, o clima de miséria e de inflação alta no país.


VIDAS QUE MUDARAM O MUNDO – OSKAR SCHINDLER E ADOLF HITLER


Quando: amanhã, às 20h e 21h


Onde: The Biography Channel


Classificação: não informada’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 6 de janeiro de 2009


 


NOVOS TEMPOS
O Estado de S. Paulo


‘NYT’ passa a exibir anúncio na primeira página


‘O jornal The New York Times, que vem enfrentando uma queda na receita publicitária, como outros jornais americanos, quebrou uma longa tradição e passou ontem a exibir publicidade em sua primeira página. ‘Essa colocação de alto impacto representa uma nova e animadora oportunidade para nossos anunciantes’, disse Denise Warren, diretora de publicidade do The New York Times Media Group.


Essa é mais uma das tentativas do grupo de melhorar seu caixa, após um período de resultados ruins. Só em novembro, a receita do New York Times Media Group caiu 21,2%. A empresa já havia anunciado outras medidas nesse sentido, como hipotecar sua sede, em Nova York, dando-a em garantia de um empréstimo, e colocar à venda a participação no time de beisebol Boston Red Sox.


Apesar de os anúncios em primeira página serem impensáveis há alguns anos, hoje eles não causam muito espanto. ‘Não vejo por que a primeira página de um jornal seria sagrada’, disse Sree Sreenivasan, professor de jornalismo na Universidade de Colúmbia. ‘Não creio que neste particular ambiente econômico, as empresas devam se aferrar a algo pelo bem da chamada tradição.’


O USA Today foi um dos primeiros jornais modernos a exibir publicidade em primeira página, a partir de 1999. Anúncios desse gênero são exibidos regularmente no Wall Street Journal e no International Herald Tribune – que também pertence à The New York Times Co. O Washington Post está entre os que ainda resistem à ideia. AP’


 


 


TELEVISÃO
Luiz Carlos Merten


A hora dos nacionais na TV Globo


‘Inédito na TV aberta, Se Eu Fosse Você, de Daniel Filho, produção da Total Entertainment, deveria integrar a programação do Festival Nacional de 2009, que começa hoje na Globo, mas ficou para abril, quando a emissora dá a grande virada e inicia o ano para valer. A sequência está arrebentando nos cinemas – dados da distribuidora Fox e da empresa produtora anunciam que Se Eu Fosse Você 2 fez cerca de 570 mil espectadores em três dias. Somando-se este número ao público pagante das pré-estreias, o filme de Daniel Filho com Tony Ramos e Glória Pires já está batendo nos 800 mil espectadores, devendo ultrapassar o milhão ainda na primeira semana.


É nesse quadro de otimismo que a Globo inicia o Festival Nacional, que vai exibir quatro filmes, de hoje até sexta-feira. Três dos escolhidos – A Grande Família, de Maurício Farias, que inicia hoje a seleção, mais O Coronel e o Lobisomem, também de Maurício Farias, e Ó Paí Ó, de Monique Gardenberg – são produções da Globo Filmes, e o terceiro, inclusive, deu origem a uma série já exibida pela emissora, com êxito de público e crítica. Esses três filmes fizeram nos cinemas entre 500 mil espectadores (Ó Paí) e 2 milhões (A Grande Família). O que teve menor público pagante foi o quarto título a ser exibido, Bendito Fruto, de Sérgio Goldenberg , que não tem vinculação com a Globo, mas possui um perfil que se encaixa no chamado ?target?. O Festival Nacional quer dialogar com o público oferecendo produtos de qualidade técnica e artística.


Segundo a avaliação do diretor da Globo Filmes, Carlos Eduardo Rodrigues, a empresa que acaba de completar uma década de atividades – em 25 de dezembro – está diretamente ligada ao diferencial de mercado no País. Nove das dez maiores bilheterias do cinema brasileiro da retomada que começou com Carlota Joaquina, de Carla Camurati, em 1995, tem a chancela da Globo. Com a previsível inclusão de Se Eu Fosse Você 2 na relação das dez maiores bilheterias – considerando-se o estouro do primeiro fim de semana -, a Globo Filmes poderá chegar a ocupar todos os espaços de público no cinema. Cadu, como é conhecido, antecipa-se às críticas. ‘Xuxa e os Duendes é um dos dez e Xuxa já era uma marca consagrada muito antes de a Globo Filmes existir.’ Segundo ele, apenas Os Normais – O Filme nasceu como um projeto da Globo Filmes. Em todos os demais casos, a parceria veio depois e os projetos surgiram de produtoras independentes e/ou parceiras das majors (as empresas de Hollywood).


Dez sobre dez indica uma ocupação integral de espaços e pode até ser visto como uma dominação perigosa do mercado. Cadu faz outro tipo de análise. ‘O mercado de filme estrangeiro no Brasil tem se mantido estável em torno de 78/79 milhões de espectadores. O que tem feito a diferença é o cinema brasileiro. Quando filmes brasileiros vão bem, o mercado ultrapassa a expectativa e, como eu já disse, são produções de independentes, que ajudamos a alavancar. Temos até um sistema mais recente, que é o apoio. A gente não se envolve em nada na produção’ O caso de Se Eu Fosse Você (1 e 2) é exemplar. O primeiro filme foi um projeto da Total, que conseguiu envolver o produtor e diretor Daniel Filho (e sua empresa Lereby). O segundo surgiu de uma proposta da própria empresa (co)produtora e distribuidora Fox. ‘Estamos muito animados porque a resposta do público está superando nossa expectativa mais otimista’, avalia a produtora Walkiria Barbosa, que segue a dança dos números via Fox e Filme B, a principal aferidora de mercado de cinema do Brasil.


‘Temos pesquisas que asseguram que o público está considerando o segundo filme melhor do que o primeiro’, ela diz. ‘Só isso já seria animador, mas Se Eu Fosse Você 2 ainda está fazendo o que se chama de cross-over. O filme é um sucesso com o público classe A e com o C e D.’ Do seu escritório, no Rio, ela conta que, em São Paulo, shoppings tão diferenciados quanto o Iguatemi e o Aricanduva tem lotado todas as sessões. ‘No Rio, uma sala em Bangu literalmente ressuscitou, registrando números na sexta-feira e no sábado como não ocorria há anos.’ É nesse quadro que o Festival Nacional pede passagem. Para a produtora Walkiria, falando pela Total, Se Eu Fosse Você (o um) já estaria estreando na Globo em fevereiro, para realimentar a frequência do 2 nos cinemas, daqui a um mês. A Grande Família, você conhece. Ó Paí Ó, também – embora, neste caso, muita gente que viu a série somente agora fará a descoberta do filme de Monique Gardenberg com Wagner Moura, Lázaro Ramos, Dira Paes e uma coadjuvante espetacular, Luciana Souza, que faz a crente, Dona Joana. Sua corrida desesperada atrás dos filhos – dos seus meninos – é um momento de arrepiar. O Coronel o Lobisomem vai atrair o público com seus efeitos e a trama adaptada do romance de José Cândido de Carvalho. Bendito Fruto será uma descoberta rara. O filme fala de tolerância racial e sexual e traz Zezeh Barbosa (melhor atriz) e Lúcia Alves (melhor coadjuvante) em atuações vencedoras no Festival de Brasília. ‘O público adora cinema brasileiro. Você vai ver o sucesso desse festival na Globo’, comemora, antecipadamente, Walkiria Barbosa.’


 


 


Gustavo Miller


Flora vira superstar


‘Se na novela Flora (Patrícia Pillar) não conseguiu com que os convidados-contratados para o seu casamento aplaudissem sua performance ao interpretar o clássico sertanejo Beijinho Doce, na internet ela é tratada como verdadeira diva.


A canção já ganhou quatro remixes feitos por internautas. Dois deles usam como samples as músicas Gimme More, de Britney Spears, e In My Arms (Kylie Minogue). Já a faixa Beijinho Doce (Magan MoreMoreMore Mix), usa como base para as batidas o som do disparo do revólver da cena em que ela matou o Dr. Salvatore (Walmor Chagas).


Os fãs da personagem também criaram capas de CDs e DVDs da ‘nova cantora’. A primeira é uma colagem com o disco Hard Candy, de Madonna. O DVD ganhou o nome de Live in Rancho. Alguns, mais empolgados, já elaboram futuros singles para Flora. A faixa Velha Safada é um dueto dela com Dona Irene (Glória Menezes).


Todas essas brincadeiras podem ser encontradas no YouTube (pesquise por ‘Beijinho Doce remix’) ou na comunidade do Orkut Flora – Beijinho Doce SUCESSO! (http://tinyurl.com/beijodoce), que até ontem tinha mais de 750 membros.’


 


 


 


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