Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

FEITOS & DESFEITAS > CASO CESARE BATTISTI

Pela qualificação do debate

Por Ubiratan Pires Ramos em 26/01/2010 na edição 574

Diante do deselegante e, acima de tudo, antiético comentário do senhor Celso Lungaretti com respeito ao texto de nossa autoria sobre o caso Cesare Battisti, intitulado ‘Nossa mídia é covarde, conivente ou despreparada?‘, neste Observatório da Imprensa, esperamos que nos seja concedido direito de resposta para rebatermos o quanto nos deixou decepcionados e indignados, deixando claro que não queremos estabelecer – mesmo porque esse espaço não comporta – ‘bate-boca’ com o referido comentarista e que nosso descontentamento se restringirá tão somente ao que aqui exporemos.

Presunção

Errônea foi a presunção do comentarista de que o autor pleiteou junto ao OI a publicação do ‘tijolaço’ como direito de resposta. Não houve qualquer provocação para que o autor vindicasse tal direito. Simplesmente, usou de faculdade a si concedida pelo periódico (ver objetivos do OI). Agora, sim, faz uso desse direito.

Antiético

O Observatório da Imprensa, como não poderia deixar de ser, tem na sua retaguarda, no resguardo de seu real objetivo, que é o aperfeiçoamento, o desenvolvimento, do jornalismo, um corpo de competentes profissionais da área, que, sem sombra de dúvidas, não permitiria a publicação de um texto impertinente e, muito menos, ininteligível. O autor do comentário, jornalista, conhecedor das responsabilidades assumidas pelo fórum, sobrepõe-se aos colegas encarregados da supervisão dos textos enviados ao OI e desclassifica o texto por nós enviado, entendo-o incompreensível à vista de inteligências superiores, como a sua, quanto mais se exposto à análise de pessoas de inteligência mediana.

Auto-afirmação

Deixa-nos transparecer que o comentário do senhor Celso Lungaretti não passa de uma descomedida, necessidade de auto-afirmação. Diz haver incorreções – de informação e de interpretação – no texto. Contudo, deixa de apontá-las. As informações contidas no texto foram amplamente veiculadas pela imprensa nacional. Portanto, não conseguimos vislumbrar os equívocos por nós cometidos quanto às informações. A interpretação de fatos é de natureza subjetiva. O comentarista diz que incorremos em erro de interpretação. Mas disse que não se daria ao trabalho de dar sua interpretação ao quanto achou por nós interpretado erroneamente. Assim fazendo, os leitores ficaram impossibilitados de, confrontando nossos posicionamentos, perceber a quem assistia razão, o que contraria o escopo do OI, que é expor os fatos de forma clara aos destinatários.

O comentarista também nos alfineta dizendo que usamos ‘retórica’ – o que vale dizer ‘abobrinhas’ – pomposa e excessiva. Se nos delongamos foi porque achamos que necessidade havia, pois o assunto em tela não foi de solução unânime no STF. Por isso necessário achamos envidarmos esforços para esmiuçarmos ao máximo o tema, e em, o mais possível, linguagem coloquial, já que a maioria dos destinatários da mensagem, com certeza, não tem formação jurídica. Se jurisconsultos ficaram em dúvida imaginem o leigo. As interpretações que fizemos foram com respeito a textos legais, o que nos deixa com a quase certeza de que não seriam contestadas, já que o comentarista achou o texto ininteligível A vaidade do comentarista o impediu de perceber que sua postura crítica foi ofensiva aos colegas de profissão que integram o corpo do OI.

Objetivo do texto desclassificado

Queremos dizer ao senhor Celso Lungaretti que pouco nos importa a sorte que vier a ter o senhor Cesare Battisti. Importa-nos, sim, o destino do Brasil. Denota-se, hoje, uma fragilização de nossas instituições democráticas, minadas ao longo dos mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ponto de hoje termos um Poder Legislativo a serviço do Executivo. O nosso artigo é, simplesmente, um alerta para um irreparável desgaste que pode vir a sofrer o nosso Poder Judiciário (por, se consumado o indesejável, ter se mostrado incompetente, por ter induzido o Chefe da Nação a erro) – com um inevitável fortalecimento da figura do Presidente República perante a opinião pública, tornando-o visto como capaz de ‘sozinho’ tomar as decisões mais importantes de interesse da Nação – se ficar sem meios para chamá-lo à responsabilidade no caso de uma eventual desobediência à decisão do Supremo Tribunal Federal, não fazendo a entrega do senhor Cesare Battisti à Itália e, ao mesmo tempo, um veemente apelo a quem, ainda – enquanto este país não se transforme numa ditadura, nos moldes de uma Cuba, de uma Coréia do Norte ou mesmo de uma Venezuela que se nos apresenta no presente, como outrora pretendeu o senhor Celso Lungaretti –, o povo brasileiro tem como porta-voz, ou seja, a mídia descompromissada, a mídia destemida.

Por fim, resta-nos lamentar e externar este sentimento por não termos conseguido deixar nossa principal e verdadeira intenção ao alcance da privilegiada inteligência do comentarista ora em foco.

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Advogado, Salvador, BA

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