Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Pequim 2008: olho no lance!

Por Fernando Schweitzer em 19/08/2008 na edição 499

China, uma nas palavras mais faladas na mídia por esses dias. O maior país, a maior população e talvez a menos entendida e mais discriminada da próxima geração. O Jornal da Globo, em manchete totalmente tendenciosa, afirmou: ‘A China não usou de tecnologia apenas para maquiar a cerimônia de abertura das Olimpíadas, mas também para aumentar o número de recordes nas piscinas em Pequim.’

Na verdade, a emissora nunca perdeu uma oportunidade de jogar uma pedra em seus rivais ideológicos, seja Cuba, Venezuela ou China. Ora veja, pense que você apenas viu o primeiro bloco do Jornal e dormiu pensando que a China, por algum motivo, e sabe-se lá de que maneira, está manipulando os resultados das provas do cubo d’água, nome da piscina olímpica de Pequim. Ou não?

A cobertura dos jogos de Pequim tem sido razoável, na média, mas muito apática, principalmente por parte da Rede Globo. Creio que por ter perdido os direitos de exibição dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, 2010, os Panamericanos de Guadalajara, em 2011, e os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. A idéia da emissora carioca e, diga-se de passagem, muito anti-ética, é de fazer uma cobertura fria do evento para esvaziar o interesse pelos próximos jogos, que não serão mais da toda-poderosa. Em contrato que abrange todas as mídias, incluindo TV e internet.

A mais completa cobertura

A Record tem dito aos quatro ventos que não dividirá as transmissões para a TV aberta. Aí vem a pergunta que não quer calar: e a Record vai deixar suas atrações, novelas, programas e afins fora do ar? Respondo, não esqueçam que a Record News está em todas as capitais do país em TV aberta. A emissora já estreou com uma rede de 101 emissoras abertas afiliadas e vem ampliando suas afiladas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, chegou a roubar emissoras que antes transmitiam o SBT.

A Globo, hoje, só transmite as provas e modalidades quando o Brasil está na disputa, ou de madrugada, o que não ocupa sequer 20% da programação e deixando a Bandeirantes, com a qual dividiu as transmissões após acordo financeiro, com a liberdade de transmissão conjunta ou não de todos os eventos, desde que com prioridade para a Globo.

Poderemos ter, então, pela Record e Record News, a mais completa cobertura de Jogos Olímpicos em TV aberta da história do país. Creio que com a ampliação até 2010 da Record News para uma maior parte do país, se os bispos forem ousados.

Fogo amigo

Hoje, a Record News em números absolutos é uma pequena rede. Isso se reflete em índices baixos, perante as cinco maiores redes do país no ranking nacional de emissoras. Mas, mesmo assim, em determinadas e específicas ocasiões, chega a vencer Band e Rede TV! Existem casos, como no estado de SC, onde ela está em 3° lugar com médias em torno de 5 pontos na média mês, por estar em 100% do território desde quando a Record, através da RIC, virou cabeça de rede no canal 4, substituindo a parceira anterior, SBT. Assim, a Record News assumiu o canal 6 UHF no estado, que antes transmitia a programação da Rede Record.

Neste domingo (10/08), as Olimpíadas de Pequim renderam à Globo muito. Enquanto transmitiu o jogo da seleção brasileira masculina de futebol, que jogou contra a Venezuela, deu 13 pontos de média e 63% de share no horário das 06h às 07h51. Na faixa, a Globo costuma registrar 5 pontos. A Globo vive um dilema enorme. Por dividir com a Band as transmissões, não pode deixar de transmitir vários eventos dos jogos, mas usa simultaneamente de reportagens para atacar a China e também desmistificar o glamour dos Jogos Olímpicos. É o famoso fogo amigo, que mesmo sendo amigo é fogo, e pode ainda chamuscar muito a poderosa.

Os ‘empolgantes’ jogos da seleção

E a Band faz muito bem o seu papel nesta olimpíada. Quem perdeu o jogo Itália x Camarões, narrado por Sílvio Luís? É nessas horas que amo ter insônia. Graças a isso, tive o prazer de ver uma das melhores transmissões de futebol dos últimos tempos da TV mundial. A irreverência de Silvio Luis e os perfeitos comentários de Osmar de Oliveira fizeram a diferença em um jogo em que apático seria um elogio. Infelizmente não pude ouvir seu bordão clássico: ‘Pelo amor dos meus filhinhos! O que é que eu vou dizer lá em casa!?’

Mas descontração não faltou. Ajudado pelo nome do zagueiro italiano Bochetti e uma presença de espírito inigualável, pudemos ver uma nova pérola das narrativas futebolísticas: ‘E esse Bochetti não é mole não, minha senhora!’ Ou algo semelhante. Ainda ‘Biro-Biro’, em alusão ao jogador camaronês de cabelos descoloridos ao tom do cabelo de nosso astro Biro-Biro.

Antônio Silvio Luiz de Souza Mendonça de Menezes e Miranda, conhecido simplesmente por Silvio Luiz, o filho da famosa locutora Elizabeth Darcy. Longe do cansativo e batido Galvão Bueno, ou do clone Cléber Machado, que a Record tenta contratar, é gente que faz a diferença até mesmo num 0 à 0 anti-ético-esportivo como fora a apresentação destas seleções em Pequim. A Band deveria colocá-lo para narrar eventos nos jogos de maior importância, pois mesmo sendo profissional, e ainda único com seu sarcasmo e irreverência, não merece ser posto de escanteio. Pois como não dizer que ele dá amplidão ao que está obtuso em nosso pensamento. Precisamos ser tão sinceros como Silvio em sua frase: ‘Eu não preciso mandar a fita pro Dunga não né?’, ou ‘Olha a cara do Joseph Blatter’ – presidente da Fifa que assistia, entediado, ao jogo. Será que ele será escalado para narrar algum dos ‘empolgantes’ jogos da atual seleção brasileira?

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Ator, diretor teatral, cantor, escritor e jornalista, Florianópolis, SC

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