Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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ENTRE ASPAS >

Perguntas que não querem calar

Por Howard Kurtz em 10/02/2011 na edição 628

A surpreendente compra do site de notícias The Huffington Post pela AOL é, fora de dúvida, um triunfo de Arianna Huffington, da mídia online, do novo e brilhante sobre o velho e indigesto e, talvez, da AOL, uma antiga potência que hoje é uma miscelânea de sites populares e outros nem tanto.


Mas o negócio também suscita uma enorme quantidade de perguntas inevitáveis sobre o que ocorre quando um empreendedor constrói algo de sucesso e depois o vende a uma grande corporação.


Conseguirá o produto ágil, irreverente e por vezes picante conservar seu DNA depois de transplantado para uma cultura corporativa muito diferente? Será que a própria Huffington, uma socialite e apresentadora de televisão de primeira linha, além de provocadora, se conformará em ser empregada de alguém?


Poderá o bombástico negócio produzir um choque de sinergia para ambos os lados, ou ele trará ecos da compra do Bebo pela AOL por US$ 850 milhões há três anos – e venda do site de relacionamento social no ano passado por meros US$ 10 milhões? Uma coisa é certa: o negócio de US$ 315 milhões balançou o mundo da web desde que foi anunciado, na segunda-feira (7/2).


Valor da paixão


Huffington me disse que seu relacionamento com o presidente executivo da AOL, Tim Armstrong, dissipou quaisquer temores que ela pudesse ter. ‘A minha visão e a dele estão muito afinadas’, disse ela. ‘Ele é muito apaixonado por jornalismo de qualidade e reconhece a necessidade de uma voz clara.’ Como a nova diretora editorial da AOL, Huffington disse que seu objetivo será ‘assegurar a junção de todas as seções diferentes que não tiverem uma clara identidade de marca – enquanto manteremos todas as seções que a têm – de maneira a produzir um jornalismo melhor, de maior impacto e empreendedor’.


Alguns veteranos da internet estão aplaudindo. ‘É realmente uma iniciativa ousada’, afirmou Jim Brady, que chefiou noticiário e esportes para a AOL de 1999 a 2003 e comandou o site do Washington Post por meia dúzia de anos após isso. ‘A AOL certamente precisa imaginar o que ela quer ser. Eu vejo toda essa gente no Twitter dizendo que porcaria mais porcaria dá porcaria. E fico rindo porque isso está vindo de pessoas trabalhando para empresas pelas quais ninguém ofereceria US$ 2 milhões.’ Até agora, disse Brady, a imagem da AOL era ‘rançosa’.


‘As pessoas sentiam que eram notícia velha’, afirmou ele. ‘Isso foi uma enorme injeção na veia.’ Jeff Jarvis, um ex-editor que dirige o programa de jornalismo interativo da City University de Nova York, disse que Huffington será um ativo valioso para seu novo empregador.


‘O que Arianna traz é humanidade’, apontou Jarvis. ‘Ela tem gente que conta. Ela compreende o valor da paixão. Ela compreende o valor da cura.’ Quanto ao modelo de negócio de seu site de quase seis anos, Jarvis, que escreveu para The Huffington Post e fez postagens cruzadas de seu blog Buzz Machine, disse: ‘Há este argumento: ‘Todo o mundo escreve para ela de graça’. Há uma razão para isso. Ela reúne pessoas num lugar, e eu acho isso valioso. Foi brilhante.’


Acervo pesado


Perguntas semelhantes sobre identidade afloraram quando a AOL comprou o blog cheio de atitude TechCrunch, em setembro. Um dos colunistas do site, Paul Carr, escreveu no domingo que ‘ninguém aqui foi mais cético que eu sobre a estratégia de conteúdo da AOL’, e que ele subiu num palco com Armstrong ‘e descreveu nossos superiores como ‘o lugar onde as empresas iniciantes morrem’. E, no entanto, ao menos uma vez eu me vi aplaudindo Armstrong – e a AOL como um todo – por conseguir um feito duplo: uma brilhante aquisição estratégica por um preço lógico’.


Carr acrescentou que ‘por enquanto, a AOL cumpriu a promessa de não interferir em nosso editorial, e não há razão para supor que isso mudará com Huffington’.


A AOL precisou de quase uma década para se divorciar da Time Warner após a desastrosa fusão de 2000, que prejudicou ambas as companhias. Steve Case, cofundador da AOL e foi responsável por esse negócio, expressou no Twitter sua reação ao comentário de Armstrong de que ‘1 mais 1 dá 11’: ‘Mesmo? Não foi essa a minha experiência.’


Mark Potts, um jornalista que virou consultor de internet, disse que não ‘ficou muito impressionado’ com o negócio. ‘Arianna será uma grande pensadora editorial? Isso foi uma jogada desesperada da AOL. Afora o aspecto badalativo da coisa, não estou seguro de que ajudará a AOL. Não sei bem o que ela faz. Ela parece ir em festas e aparecer na TV. Acho que ela é a face.’


Mas Huffington será mais que a face de uma empresa que, um dia, disse aos Estados Unidos ‘você tem email’ e depois foi ofuscada por sites e blogs de conteúdo mais original e provocativo. Ela supervisionará uma coleção pesada de sites e subdivisões que incluem Fanhouse, Engadget, MapQuest, PopEater, Politics Daily e uma teia de sites de notícias comunitárias chamada Patch.

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Do The Daily Beast

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