Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > O POVO

Plínio Bortolotti

07/08/2007 na edição 445

‘Na coluna da semana passada critiquei o fato de o caderno Vida & Arte ter divulgado o fim do livro e o destino dos principais personagens de Harry Potter e as Relíquias da Morte, sem nenhum aviso aos leitores que não quisessem saber, pelo jornal, como terminava a série. No texto, publiquei as explicações da editora-assistente do Núcleo de Comportamento e Cultura, Regina Ribeiro, sobre os critérios que haviam orientado tal tipo de edição. Inicialmente, dois leitores haviam reclamado do procedimento, depois da coluna, outros entraram em contato com o ombudsman para manifestar contrariedade por ter-se revelado os principais segredos da obra.

Esta semana, a editora-assistente me envia e-mail dizendo que as suas palavras haviam sido retiradas do contexto e não traduziam o que ela havia respondido ao ombudsman. Pedi que escrevesse a resposta do modo que julgasse melhor, que eu a publicaria na integra. O texto que Regina Ribeiro enviou é o que segue, começando pelo título ‘A era Potter’. A partir do entretítulo ‘Do ombudsman’ o texto volta a ser de minha responsabilidade.

A Era Potter

‘No último domingo, o ombudsman Plínio Bortolotti analisou, nesta coluna, a publicação de um texto no caderno Vida &Arte, edição do dia 26 de julho, sobre o fim da saga do personagem Harry Potter, publicado no livro que encerra a série. Uma leitora encaminhou ao ombudsman um e-mail em que considerava desrespeitosa, com os fãs de Potter, a informação publicada. Plínio enviou a mensagem e um comentário seu concordando com a leitora para a análise interna diária que ele faz da edição do jornal. [O ombudsman] solicitou, em seguida, uma resposta minha sobre o assunto. Enviei para ele as ‘razões jornalísticas’ que pautaram a decisão de publicar o texto da agência Folhapress.

Na última coluna pública, considerei, no entanto, que o ombudsman não havia sido correto quando, na construção do seu texto, retirou termos da minha resposta e expôs, de forma que não deixava claro o meu posicionamento sobre o caso. Em respeito à leitora envolvida no episódio, aos leitores que lêem esta coluna e a mim mesma, como profissional, solicitei ao Plínio espaço para publicar as razões do porquê eu considero legítima a publicação do texto sobre o fim da saga do bruxo inglês. A seguir, a resposta enviada ao ombudsman, dia 25 de julho, sobre o e-mail da leitora:

Plínio, a decisão de publicar a matéria, para mim, foi jornalisticamente correta pelos motivos que vou lhe dizer:

1) Tem leitura. Mesmo as pessoas que não são fãs nem se descabelam pela saga de Potter têm interesse porque têm alguém por perto: filho, sobrinho, neto, vizinho etc., que vão falar ou estão falando sobre o tema. O jornalismo trabalha com informação que desperte o interesse do leitor.

2) A internet está cheia de especulações sobre o assunto. Isso rendeu até matéria de agência que nós publicamos. O tema mais comentado até agora era se Potter ia ou não morrer no último livro. O jornalismo acompanha fatos que despertam o interesse dos leitores.

3) Pra mim, a jornalista da Folhapress fez a coisa certa, sim. Jornalisticamente correta. Porque o livro Harry Potter é um fenômeno literário específico. Movimenta milhões de crianças, jovens e adultos. Não acho desrespeito dizer o fim de um livro como o de Harry Potter, se tem milhares de pessoas querendo saber justamente se o personagem fica vivo ou morre. Além do mais, não custa lembrar que estamos em plena era de informações globais. Tempo e espaço, com certeza, não é problema para ninguém. E deixar de publicar a informação do fim do livro do Potter, para não chatear os fãs mais aguerridos, chega a ser risível. O livro já estava em pré-venda pelos sites. Gente que nem espera a chegada da obra no Brasil. Acho emblemático um jornalista – e um jornal – guardar um segredo tão público e comentado desses.

4) Respeito profundamente a opinião dos leitores. Fazemos jornalismo para as pessoas lerem. Sei que esse diálogo, às vezes, é tenso. Não acho que sei de tudo, nem que consigo dar conta do tudo o que os leitores querem. Construímos isso juntos, diariamente. Esse é um caso em que considero que a opinião da leitora precisa ser analisada.’

Do ombudsman

1) Um reparo. Como anotei na coluna anterior, o outro jornal que publicou a resenha da Folhapress foi o Agora São Paulo. Neste periódico, havia um ‘olho’ (texto em destaque) que avisava: ‘Se não quer saber o que ocorre no último Harry Potter não leia’. Quem me enviou a reprodução foi a própria jornalista Daniela Ortega, autora da resenha, que observou: ‘No olho que vocês escreveram, já entregam que [diz o que acontece com Harry Potter]. Isso, então, já foi uma decisão da edição de vocês, bem diferente da nossa’. Portanto, Regina Ribeiro se equivoca ao tentar justificar o comportamento de sua editoria ao modo como o Agora São Paulo (do mesmo grupo da Folhapress) editou a resenha.

2) Tenho convicção de que reproduzi corretamente as palavras da editora-assistente na coluna da semana passada, sem distorções. Inclusive, achei que a resposta de Regina Ribeiro havia sido redigida em tom desprimoroso, por isso, perguntei-lhe, via e-mail, se poderia publicá-la. Ela respondeu: ‘Confirmando. Estou ciente de que você vai pôr as respostas na coluna pública’.

De qualquer modo, o julgamento é dos leitores. A coluna anterior do ombudsman, com o título ‘Desmancha-prazer’ pode ser vista em (http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/ombudsman/716178.html). Também ponho à disposição a resposta inicial de Regina Ribeiro (http://www.opovo.com.br/opovo/ombudsman/717809.html).’

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