Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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Por que as turmas da Mônica, Luluzinha e Bolinha cresceram?

Por Teresa Leonel em 09/06/2009 na edição 541

Primeiro, foi Mônica e sua Turma; agora é Luluzinha e Bolinha. Todos cresceram. Ficaram adolescentes. Realmente, a realidade bate à porta e nos faz pensar, refletir, despertar para a era da tecnologia, internet, blogs, orkut, MSN, Twitter e tantas outras coisas que a sociedade midiática nos obriga a engolir.

A abordagem narrativa mudou e as historinhas também. Os desafios corriqueiros do cotidiano, o cuidado com as árvores, comer muita melancia, a rejeição do banho, dormir cedo, jogar no campinho, briguinhas sem sentido… foram trocados por textos insinuantes, sensuais, com intenções diversas, o conhecer das armadilhas da vida e o fazer adulto de uma forma tão rápida.

Isso porque os teens, os jovens, não namoram, ‘pegam’, ‘ficam’. Sentimento? Parece não fazer parte do vocabulário dessa geração ‘estilosa’, que está muita mais preocupada com o modelo do celular que chegou ao mercado do que com as pessoas, muito menos na família.

Mônica agora tem curvas, perdeu alguns quilos para entrar no tipo magricela e sensual e fazer parte do gueto. Num grupo, à la geração Malhação, muito antes do pensar em ser pessoa o sexo já entrou de mente a dentro e transformou o corpo e uma vida que ainda estão por vir.

Quando a Turma da Mônica e o grupo de Luluzinha e Bolinha cresceram (de gibi infantil para linguagem teen), foram com eles a beleza da inocência nas narrativas e a ausência da maldade.

‘Exemplos’ não foram seguidos

Crescer faz parte da vida. Não há dúvidas. No entanto, para uma prática de vida tão real apresentada todos os dias nos telejornais, nas novelas, nos seriados e enlatados americanos, por que temos que reproduzir a mesma coisa em gibis que estão nas bancas para nos alegrar?

Por que temos que reforçar o discurso da competição, excelência, magreza, beleza, superioridade – que já está sendo ingerido diariamente no nosso cotidiano?

Desabafo à parte, a reflexão está muito mais calçada na possibilidade de novas maneiras de expor esse tal real que vivemos. Onde deixamos de exercitar o lúdico, os sonhos, as cores primárias, a ficção, os erros e falhas do aprender a crescer e colocamos tudo isso de forma engessada na prateleira do mercado midiático como um produto à venda em prestação ou à vista.

Os ‘erros’ do Cebolinha ao trocar o ‘r’ pelo ‘l’ nunca antes foram absorvidos por nenhuma criança por se identificar com essa imagem. A forma ‘dominadora’ de Mônica em querer administrar a situação não interferiu no crescimento de muitas meninas depois das leituras. A sujeira do Cascão não foi exemplo seguido até então por ninguém a ponto de comprometer a saúde das crianças. O ‘comer, comer’ de Magali não deixou garotas obesas por acharem tudo normal.

Jovens que pensam que são adultos

Nenhuma mulher virou feminista porque entendeu que Luluzinha era super-poderosa sozinha e não precisava dos meninos. E os garotos não rejeitaram as meninas porque Bolinha tinha um clube só de ‘homens’.

Se nada disso aconteceu, o que tem a ver a evolução tecnológica com o discurso inocente dos gibis da Turma da Mônica, Luluzinha e Bolinha?

Parece que adulto não gosta mesmo de falar para criança. Gosta de escrever para jovens que já pensam que são adultos.

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Socióloga e jornalista, especialista no Ensino da Comunicação Social, professora do curso de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB Campus III – Juazeiro), nas disciplinas Jornalismo Online, Temas Especiais, Administração de Empresa Jornalística e TCC e professora do curso Com. Social Hab. Publicidade e Propaganda da Faculdade São Francisco de Juazeiro nas disciplinas Comunicação Institucional, Sociologia, TCC e Mídia

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