Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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FEITOS & DESFEITAS >

Por que não te calas, Sócrates?

Por Paulo Bento Bandarra em 14/04/2009 na edição 533

O doutor Pedro Eduardo Portilho de Nader possui graduação em História pela
Universidade Estadual de Campinas (1987), mestrado em Filosofia pela
Universidade de São Paulo (1995) e doutorado em Filosofia pela Universidade de
São Paulo (2000). Tem experiência na área de História. Atuando principalmente
nos seguintes temas: História, Annales, História positivista. É sempre bom
exercer a visão crítica filosófica e histórica, só não faz sentido que se
suspenda frente a alegações sobrenaturais.


Reclama o nobre doutor deste modesto pensador da sua condenável visão
‘científica’ do mundo. E aconselha-me a ler o filósofo Karl Popper para saber o
que é ciência. Já pensou, se não fosse Popper até hoje pensaríamos que a terra é
chata. Sintomático que não tenha aconselhado a ler para saber o que é religião,
visto que o mesmo critica a mim com sua pena torta de antipositivista, como o
cachimbo que entorta a boca do fumante, por esta visão. Seria mais aconselhável
que o fizesse neste aspecto. Mostrando que possui uma formação filosófica melhor
e tivesse achado as provas finais da existência de Deus ou deuses que o filósofo
Sócrates já não encontrara. Sócrates que sabia que nada conhecia, a não ser que
aqueles deuses da cidade não existiam e eram usados para iludir as pessoas. Mas
se negou a tergiversar e negar a verdade em troca da vida.


Tantum religio potuit suadere malorum (Lucrécio, Da Natureza,
Livro I, 102) Tão grandes males a religião persuadiu o homem a cometer.
Tantum eruditi sunt liberi (Epictetus): Só os educados são livres.


Parece, alega o Dr. Nader, que eu quero ser o Cristopher Hitchens brasileiro.
Confesso que desconhecia este jornalista. Obrigado pela indicação. Mas que
pobreza de conhecimento histórico do ceticismo filosófico, apontar um
jornalista, caro doutor. Poderia lembrar o próprio Sócrates, Voltaire, Ludwig
Andreas Feuerbach, Guerra Junqueira, Arthur Schopenhauer, José Saramago. Nenhum
cientista ou positivista. Nenhum inimigo da sabedoria. Ou o médico Hipócrates,
Sextus Empiricus, Sigmund Freud, Drauzio Vearela… Marx mesmo não teorizou
sobre o seu ateísmo.


Verdades e histórias inventadas


Pouco importa ao doutor filósofo esta questão filosófica de suma importância,
da falta de provas filosóficas da existência de deuses. Afinal, engana-se o
nosso oponente, esta não é uma questão científica, mas uma demonstração da
filosofia muito anterior à mesma. Assim, não faz o menor sentido racional alegar
a existência de exceções de religiões diminutas que não sejam (ainda)
intolerantes. Continua não existindo Deuses cujo objetivo se deva praticar tais
atos de devoção irracional por sortilégios e ladainhas fazendo pedidos sem
retorno. Não é uma questão de ciência. É de crença mesmo! De inimigo da
sabedoria. Não foi por isto quer Cristo teria vindo? A verdade? Quando entrou
chutando as bancas no Templo de Jerusalém não pensava em positivismo. Não
pensava em ciência.


‘Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo que é verdadeiro, nobre, puro,
amável, honroso, virtuoso, ou que de qualquer modo mereça louvor’ (Paulo de
Tarso, Epístola aos Filipenses, cap. 4, versículo 8). Não é isto que nos
pede Paulo há dois mil anos? Com que direito pede agora o doutor em ‘filosofia’
que suspendamos a razão?


Foi por volta de 327 depois de Cristo que o imperador romano Constantino, a
partir do Concílio de Nicéia, copilou as principais tendências religiosas,
fazendo nascer o cristianismo e determinando os textos que comporiam a Bíblia.
Ficaram de fora, pelo menos, 60 evangelhos cristãos. Quanto aos evangelhos
apócrifos, ocorreu uma verdadeira caça às bruxas. Muitos foram queimados, por
ordem do Papa Gelásio, destruídos por se oporem às bases do cristianismo
colocado na Bíblia.


A decisão de Constantino foi mais política que religiosa, pois ele sabia que
compilando as principais vertentes da época, acabaria por unir o império romano
que estava dividido, o que punha em risco o seu poder imperial. Não é difícil
reconhecer que da corrente que tinha Mitra como deus pagão saiu à idéia da morte
em sacrifício e da ressurreição ao terceiro dia (tal como era contada a história
da Mitra). Da vertente religiosa que tinha Isis como deusa o Concílio de Nicéia
serviu-se da idéia da Virgem Maria e da Família Sagrada, sem levar em conta que
José tinha filhos de seu primeiro casamento e acabou tendo outros filhos com
Maria, além de Jesus… Não é disto que estamos falando? Verdades e histórias
inventadas?


Pobreza de filosofia


Como no texto em que analiso a ordem de não raciocinarmos, pois ofende os
religiosos, o nosso historiador anitipositivista defende igualmente que se faça
o mesmo. Suspendamos a razão para que coisas irracionais, exceções, sabe-se lá
onde estejam escondidas esta minoria, possa não ser a preponderante. Mas, que
mesmo assim, continua ser irracional acreditar no que não exista, apenas pela
nossa capacidade de ignorarmos as nossas faculdades mentais. (Parece que para
ele existe esta função apenas para uso restrito na ciência, fora dela o
irracional é defensável, é tolerável, é admissível). Lembra-me outro inimigo do
positivismo, que vivem citando Popper, os homeopatas. Também alegam uma devoção
ao paciente acima dos médicos medíocres, tratados pejorativamente de alopatas
(que colocam mais um sofrimento em cima do sofrimento), ao alegarem que não
pedem exames, que seus ‘medicamentos’ são mais ‘baratos’ e que seus preparados
não fazem mal a ninguém. Claro, não fazem diagnósticos médicos, cobram caro por
gotas de água pura e seus preparados não produzem danos. E muito menos bem, além
do placebo! São incapazes de fazer mal a uma simples bactéria! Qual a vantagem
de medicamentos ‘doces’ e religiões que não levam ao prometido? Ah, dirão,
homeopatas e religiosos são muito caridosos, acreditam muito em Deuses, em
espíritos e ‘energias’ curativas.


Sobressalta-me que professores e doutores em história das nossas
Universidades defendam que elas sejam pautadas pelo irracional e que dê as
costas ao conhecimento científico e filosófico para criar belas páginas épicas
falsas e belas mentiras piedosas. Se entendi errado, é o que o mesmo me pede que
faça, suspendendo a razão para analisar os fatos, as causas, as conseqüências.
Por que deveria deixar o raciocínio de lado, a história ignorada, a filosofia
suspensa, o conhecimento científico ausente?


Assim como é um absurdo cogitarmos em sacrifícios humanos para agradarmos e
negociarmos acertos com deuses ou Deus, para obtermos o nascimento do dia
seguinte, para ganharmos ‘terras prometidas’, para merecermos melhores colheitas
ou a coragem do inimigo comendo o seu coração, não faz de igual maneira o uso de
animais para holocaustos. Não porque ‘judia’ do animal, mas porque é inútil
imolar em altar carneiros, cachorros, recém nascidos ou virgens para obtermos
alguma vantagem na vida, proteção individual ou comunitária por este método
tolo. Mesmo que sejam apenas galos pretos ou garrafas de cachaça dadas para
espíritos em encruzilhadas. Há quem o defenda, não eu. Isto que é primitivo e
que diferencia a experiência científica usando animais, comparada pelo nosso
filósofo como iguais, e não percebida a incompatibilidade de resultados da
primeira. A idéia que o mesmo passa, de forma irracional, é que se usam animais
na ciência para, sacrificando-os, revelem sobrenaturalmente informações. Idéia
pueril de quem não faz a mínima idéia do que seja uma pesquisa científica, (nem
mesmo lendo Karl Popper, que se não tivesse existido, não teríamos pousado um
robô em Marte), para obtermos resultados médicos para salvar vidas de
todos de verdade, independente de ter a mesma crença. Aquela verdade que
o Dr. Pedro Eduardo Portilho de Nader nega existir ou possível de ser alcançada.
Pesquisas no desenvolvimento e obtenções de respostas, entendimento de
mecanismos das doenças, pesquisa de fármacos e seus modos de ação e não
prolongarmos milênios de ilusão religiosa irracional por este ato sanguinário
inútil. Cristo, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Que pobreza de
filosofia.


Fundamentalismo bíblico


Coube a Santo Tomás de Aquino, o príncipe da escolástica, retomar o
pensamento original de Aristóteles eliminado pelo cristianismo primitivo e
redescoberto preservado com os mouros. Não eu ou a ciência moderna, caro
doutor.


A religião não é a única fonte de intolerância e nem de desonestidade, é
certo. É a mais absurda delas todas apenas. O mais tolo e imperdoável motivo
para matar alguém, para queimar divergentes, descrentes, incrédulos, cientistas,
livros e bibliotecas. Para produzir guerras e inquisições. Para pedir que se
cale. E eles fizeram. Pode-se entender que Péricles desenvolvesse uma frota
naval para se defender dos espartanos, mas não faz o mínimo sentido queimar
pessoas na fogueira para acreditarem em um absurdo Deus que envia seu alegado
filho (Ele mesmo?), como um carneiro para ser sacrificado, para salvar dos
pecados do mundo. Não existe verdade ou racionalidade numa alegação absurda
destas. Nada tem a ver com a ciência, com o positivismo, pois ela é absurda
muito antes da ciência. Tão dantescamente absurda que iniciou com a matança já
no primeiro século! Moisés matou os adoradores do Bezerro de Ouro, Paulo de
Tarso saiu a matar cristãos, Maomé a impor a fé pela espada. Duraram dois
milênios, e persiste até hoje a matar, queimar livros, explodir bombas,
excomungar e a vociferar contra a razão como aqui faz o Dr. Pedro Eduardo
Portilho de Nader. Outros, defendido pelo doutor, insistem em sacrificar animais
em encruzilhadas pelo seu direito de ser irracional. Mas o direito não modifica
a essência dos atos inúteis. O dinheiro pago ao charlatão não garante o efeito
curativo.


Alertar sobre isto é intolerância, alega o nobre leitor de Karl Popper,
aquele messias que antes dele não se sabia se tuberculose era tuberculose. Dizer
que garrafas de água em cima de relógios de luz não funcionam, que comer manga
com leite não mata e nem que vacinar os filhos protege das doenças é desrespeito
e mostrar um cientificismo intolerante frente à ignorância necessária e salutar
que a sociedade precisa cultivar para se manter bem. Popper defenderia isto, diz
o Dr. Pedro Eduardo. Que a filosofia defende precisamente a manutenção da
ignorância em detrimento do conhecimento onde a ciência pode clarear e, que a
análise da mesma, deve se dar na vida privada e não ser divulgada no meio que
precise se iluminar, para não ofender. Aquilo que condenaram Sócrates de
desacreditar os deuses da cidade. Pelo abandono da razão, pela suspensão da
análise filosófica, os nossos deuses atuais pedem ser admitidos como verdadeiros
agora. Citar Popper para quem desconhece até o que está no dicionário e na
Wikipédia? Para quem vem ao OI, como os jornalistas Michelson Borges,
Moises Viana, o doutorando em História da Ciência, PUC-SP Enésio E. de Almeida
Filho (coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente), defender o
fundamentalismo bíblico na sociedade e na ciência?


Proibições irracionais injustificáveis


Não me convence o meu nobre crítico de que uma religião que não realize as
suas funções que promete tenha alguma utilidade prática ou teórica. Que deva
ficar sem análise e crítica. Produzir o que pode ser produzido sem ela não me
parece uma vantagem racional e que demonstre o mínimo de inteligência. Por mais
bonito que sejam as histórias de cavaleiros andantes e as princesas salvas dos
dragões, não passam de sublimações literárias sem sentido real e prático. Assim
como cultuar livros mitológicos, crenças absurdas, rituais irracionais,
preconceitos arraigados, tabus alimentares milenares e pensamento mágico não
dignificam a nossa mente. Independente se a pessoas seja cientista ou não, agir
de modo irracional é burrice mesmo. Não tem outro qualificativo insistir em se
negar a pensar, em evitar usar a razão, em combater a sabedoria e não procurar
ter uma vida conseqüente colocando as fichas em coisas que possam vir a ser
obtidas de fato um dia. Ainda mais quando estas coisas custam dinheiro,
prejudicam a saúde, colocam a vida em risco, iludem a razão, levam a
intolerância. E a história mostra o absurdo que as pessoas, nos últimos cinco
mil anos, cometeram em nome destas idéias. E que estas idéias sempre falharam em
dar a proteção prometida, a prosperidade garantida e a alegada tolerância hoje
pela enésima vez reafirmada.


Vir proibir pesquisas, divórcio, emancipação da mulher, homossexualidade,
determinar o que se deve comer ou não, quando, como e onde fazer sexo, para
agradar a deuses é admissível. O intolerável é denunciar a falsidade. Que
pobreza de filosofia, doutor.


Realmente o crime e a pedofilia não são privativos de religiosos ou do
catolicismo. Grande coisa, minimiza o nosso doutor em filosofia. São apenas
alguns milhares e já foram indenizados. Apenas que estes vendem esta ilusão
justamente como solução preventiva para isto. Que a religião impede o mal, que
nossas crianças estão protegidas entre religiosos, conhecendo os mistérios
‘gozosos’, que sejam iludidas no catecismo porque estão melhores lá do que na
escola laica e que os mesmos são seres humanos acima do comum dos outros, que
amam mais o próximo, que possuem melhor saúde, não são adúlteros ou senadores
corruptos etc… Milhões em doações e dízimos para livrar a cara de pedófilos
sustentados pela igreja. Grande coisa? Nós defendemos que a educação seja a
antídoto para estes males, e não a devoção sobrenatural para valores absurdos
que não se mostram verdadeiros. Servidão, humilhação, escravidão,
obscurantismos, censura, excomunhões, fatwas, imposição de
sharias, condenações, expulsões, proibições irracionais injustificáveis
mantidas por milênios e milênios. Ou seja, a religião, como a homeopatia, é
excelente para tratar o que não é preciso. E não funcionam naquilo que e quando
precisam.


Unidade genética entre povos semitas


Alegar que o holocausto se deveu a ciência é inacreditável, pois teríamos que
esquecer todos os séculos de cristianismo e catolicismo ‘moderado’ imposto na
Alemanha. Hitler era um religioso moderado, crente na sua missão divina. Tinha
tanta fé que atribuía a Ele ter escapado de tantos atentados bem planejados. No
entanto o nosso historiador deseja imputar a uma teoria científica de que
judeus, cujas vidas muitos se dedicaram à ciência, foram eliminados junto com
ciganos e homossexuais por alguma tese científica de superioridade. Como
historiador poderia nos mostrar onde esta tese foi defendida, publicada e em que
academia se encontra. Que documentos existem do III Reich (o III Sacro Império
Romano-Germânico) que prova que esta foi à causa? Joseph Arthur de Gobineau, o
conde, não era alemão, mas escritor e ‘filósofo’ francês. Escreve Essai sur
l´inégalité des races humaines
(1853-1855). O livro A Origem das
Espécies
aparece apenas em 1859.


A 13ª Divisão de Montanha da Waffen SS Handschar (1ª croata) foi uma das
trinta e oito divisões de exercito parte das Waffen-SS durante a Segunda Guerra
Mundial. Foi a maior das divisões SS, com 21 065 homens no seu corpo, composto
quase inteiramente de muçulmanos e católicos não-germânicos recrutados na
Bósnia. O regimento muçulmano SS de autodefesa na região de Rashka (Sandzak) da
Sérvia, a Legião Árabe (Arabisches Freiheitskorps), a Brigada Árabe e o
Ostmusselmanische SS-Regiment. Todos formados por povos semitas, não judaicos.
Muito ajudou para isto a amizade de Joachim von Ribbentrop e de Hitler, com o
semita Mohammad Amin al-Husayni.


Do ponto de vista étnico, os povos que falam árabe são descendentes de uma
mesma pequena população que habitou a Península Arábica há milhares de anos. São
os chamados povos semitas, dos quais descende também boa parte dos judeus. Uma
pesquisa comparativa de DNA feita pelo americano Luigi Luca Cavalli-Sforza, da
Universidade Stanford, determinou que a unidade genética entre os povos semitas,
judeus e árabes, é marcante, confirmando a tese de que eles têm antepassados
comuns. Por isto que Maomé adota a mitologia bíblica com a origem dos povos
árabes.


Não me comparo a Sócrates


Mas sem dúvidas toda a ‘proteção’ sobrenatural alegada do cristianismo, toda
a tolerância que a religião promove (alegada pelo autor) e do povo escolhido por
Ele, ruiu na primeira hora. (É certo que judeus nos deram inúmeros cientistas
que tiveram que fugir da Alemanha, muitos Prêmios Nobel.) Isto não ocorreu entre
os pagãos, entre os ateus, entre os silvícolas, entre os Hindus politeístas. Mas
dentro da nação que, pela dedicação secular a fé, nos deu o atual Papa, que
cultivou séculos de educação e missas cristãs. Que dignificava os seus generais
com a Cruz de Ferro. Pessoas criadas no catecismo desde a tenra idade! Quem da
cúpula nazista era ateu? Havia, na chefia do partido dos trabalhadores alemães,
oriundos da academia? Quais, destes líderes, não foram criados aprendendo o
catecismo? Por onde fugiram da responsabilidade os criminosos nazistas?
Ocultados pelas teias das academias ou pelos caminhos reclusos dos conventos
católicos entre os ‘moderados’?


O semita presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e o bispo britânico Richard
Williamson negam o holocausto. O Papa Alemão afirma que sim.


Qual o limite que devemos usar a razão e qual devemos nos abster de pensar?
Para converter de casa em casa, arrecadar para construções de templos, comprando
rádios, jornais, televisões, ensinarem falsidades para crianças, combater a
ciência, proibir o uso de anticoncepcionais e preservativos, sustentar casas de
caridade para convencer do poder sobrenatural é livre. Não existe intolerância
nestes atos. Ela só aparece quando se pede que se use o raciocínio, que se
busque a verdade, que se tente deixar o medo irracional de lado e procurar se
aproximar dela sem medo?


A diferença entre Josef Mengele, mencionado pelo doutor em filosofia, e a
religião, como fonte do mal, é que passado o Médico monstro, a ciência continua
a evoluir, a curar, a descobrir e, passado Tomás de Torquemada (1420 – 1498), a
mentira continua intacta, inútil para o que alega ter sido criada para prevenir,
a intolerância. O que seriam ‘as boas práticas religiosas?’ Parece que o nosso
autor esqueceu também os nazistas, neonazistas, fascistas, neofascistas,
ditadores moderados, ditabrandas, assim como os positivistas de mesmo grau.


‘Numa era em que os desenvolvimentos científicos atraem e seduzem com as
possibilidades que oferecem, é mais importante que nunca educar as consciências
de nossos contemporâneos para que a ciência não se torne critério para o bem’,
Papa Bento 16, 28 de janeiro de 2008, que ocupou o cargo de Torquemada na
Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, como cardeal Joseph Ratzinger, repete o
mesmo discurso daquele seu predecessor. ‘O Papa é a Besta’: para os adventistas,
como doutora adventista Ellen Gould White, o Papa é inquestionavelmente o
anticristo.


Gostei muito deste texto, doutor, principalmente pela falta de argumentos e
de coerência. Meleto, também Ânito e Licon, já usaram esta argumentação na
história.


P.S: Caro leitor, não se iluda com o título. Não me comparo a Sócrates. Na
sua situação eu aceitaria continuar a viver fugindo. Faria como milhões de
pessoas na história, que conhecendo a verdade, se calaram em troca da
preservação da vida. Passados dois milênios e um doutor de Filosofia vem ao
OI defender os deuses das cidades em detrimento da filosofia e da ciência
é de uma pobreza atroz. Ele morreu inutilmente pela sua criação, a filosofia,
sem conseguir elevar o nível de nossos Doutores desta sua criação. Que adianta
ler Popper se não aprendeu nem o Sócrates da Wikipédia? Que atraso
decepcionante.

******

Médico, Porto Alegre, RS

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