Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Primeira Página

22/07/2008 na edição 495

MÍDIA & RELIGIÃO
Deonísio da Silva

A tragédia de Albertina Berkenbrock, 20/07

‘Nos próximos anos o Brasil terá a primeira santa genuinamente brasileira, a catarinense Albertina Berkenbrock. O decreto que a considerou mártir foi assinado pelo papa Bento XVI, em 16 de dezembro de 2006. E no dia 20 de outubro de 2007, na diocese de Tubarão (SC), ela foi proclamada oficialmente bem-aventurada e mártir. Esses atos são a ante-sala da última etapa no longo caminho para canonização. Mas o povo tem outros critérios e outros ritmos, e Albertina é santa há quase um século! Já há registros de várias graças alcançadas.

Seu nome completo é Albertina Boeing Berkenbrock. Nasceu na localidade de São Luís, pequena vila entre montes e vales catarinenses, no dia 11 de abril de 1919. Foi assassinada no dia 15 de junho de 1931, em mata nas proximidades da casa onde morava com os pais e vários irmãos, pois, como toda família de imigrantes alemães, também a sua era numerosa.

Albertina morreu degolada por Maneco Palhoça, apelido de Indalício Cipriano Martins, também conhecido como Manuel Martins da Silva, que tentou estuprá-la quando a viu sozinha na mata. A menina resistiu e ele a matou.

Ela estava na mata porque, a mando dos pais, procurava por um boi que se extraviara. Como os relatos foram feitos em alemão, esse boi recebe o nome, ora de Pintado, ora de Barroso. A arma do crime foi um canivete.

Maneco Palhoça foi condenado a trinta anos de prisão, dezoito dos quais cumpridos na cadeia de Laguna e na penitenciária de Florianópolis, onde confessou várias vezes a outros presidiários, em detalhes, os crimes cometidos. Ele já tinha dois outros no prontuário quando assassinou a adolescente.

Vendolino Berkenbrock tinha quinze anos quando a irmã foi assassinada. Por ser o irmão mais velho, foi o primeiro da família a chegar ao local do crime. Ele contou à filha, Norma, que a mãe, Josefina, mandou que Albertina não procurasse sozinha o boi, que fosse com o irmão, Emílio, mas este estava demorando muito na procura de um bodoque, e a menina não o esperou.

Norma Berkembrock Schotten, seu nome completo, escreveu um livrinho intitulado ‘Albertina Berkembrock, a menina que disse não’, mas a primeira biografia da jovem saiu ainda em 1933 e foi escrita pelo padre Sebastião Rademaker. Poucas matérias podem ser encontradas na mídia nacional e uma das mais completas pode ser examinada na revista ‘O Cruzeiro’, edição de 19 de julho de 1952, página 74 e seguintes.

Como é usual em casos semelhantes, várias meninas catarinenses receberam o nome da vítima. Nos registros de batismo de três paróquias da região, foram encontrados cerca de quatrocentas meninas com o mesmo nome.

Albertina era uma menina muito bonita. Poucas modelos do Brasil meridional, notável celeiro de beldades de fama internacional, entre as quais a top model do momento, a gaúcha Gisele Bündchen, terão o fulgor da jovem camponesa cuja vida foi barbaramente interrompida no esplendor dos doze anos!

Como fiz com a santa espanhola, protagonista de meu romance ‘Teresa D’Àvila’, já reeditado várias vezes e adaptado para o teatro, quando visitei os lugares em que ela viveu na Europa, estive nos locais em que viveu e morreu Albertina.

Em São Luiz, terra natal de Albertina, a atendente que me vendeu as relíquias, livros, folhetos, imagens etc me disse que o papa Bento XVI vetou a reprodução de um dos desenhos em que o rosto de Albertina mais parece o de uma sensual top model e não o de uma santa. A figura proibida pode ser vista na capa do livro do paulista de Bebedouro (SP), Aury Azélio Brunetti, ‘Castidade Heróica’ (São Paulo, Editora Ave-Maria, 2002).

Não vai demorar e a especulação imobiliária, as vendas e todos os fenômenos que costumam cercar esses eventos vão se manifestar. Na região, já nasceu um pequeno comércio de relíquias, ainda incipiente, mas que crescerá com força nos próximos anos, pois a canonização da menina pode ocorrer a qualquer momento.

Estes são os ônus profanos das coisas sagradas, mas cumpre discernir a verdade, a transcendência desses eventos.

Pretendo voltar outras vezes aos lugares onde se deu a tragédia e a outros onde se deram importantes desdobramentos para pesquisar mais.

Albertina Berkenbrock é, ao lado de Anita Garibaldi, uma das grandes personagens femininas de Santa Catarina e do Brasil.’

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