Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO

Proposta de debate pela TV pública

Por César Fonseca em 12/02/2008 na edição 472

Uma boa hora está chegando para testar a eficácia da TV pública. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), propôs na quinta-feira (7/2) – sem nenhuma repercussão na grande mídia – ao presidente do Senado, Garibaldi Alves, que realize, no plenário da Casa, no dia 14, às 9 horas, sessão pública para debater a transposição das águas do rio São Francisco. Transcenderia. Em vez de nas comissões, no plenário, para dar grandiosidade ao tema. Grande lance do senador paulista, fazendo marketing para TV pública.

Trata-se de assunto ainda nebuloso e que desperta pouco interesse na sociedade porque a mídia ainda não foi fundo para esclarecer as verdadeiras razões da proposta, sua viabilidade, seus prós e contras, as forças convergentes e divergentes e, sobretudo, como deve ser a postura social sobre a questão da água, cuja atenção desperta toda a humanidade, quando a Amazônia está sendo devastada.

Estarão presentes os mais importantes especialistas sobre o assunto, para discuti-lo, defendê-lo e criticá-lo, os 81 senadores da oposição e da situação, já que estarão interessados em colocar seus pontos de vistas perante o público diante de assunto transcendental.

Debates de interesse social

Seria até conveniente que houvesse um pool de TVs públicas para levar o assunto ao ar – TVs Senado, TV Brasil, TV Câmara e as TVs educativas em geral –, de modo a priorizar o debate nacional ao vivo, com abertura para a participação popular, principalmente dos estados nordestinos, os que estão diretamente envolvidos na problemática.

A iniciativa de Suplicy mereceu aplauso do senador Paulo Paim (PT-RS) e do senador Heráclito Fortes (DEM-PI). E o convite do senador paulista para que Garibaldi presida o debate, conferindo-lhe status superior, foi aceito pelo presidente do Senado, sob condição de sua agenda permitir. Mas, se seu taco espirrar nessa oportunidade, perderá ponto no sentido de levar o Senado a um dos seus grandes momentos históricos.

Ou seja, será um dia de gala para a TV pública. Tomara que a TV privada entre na dança também e dê show de cobertura, da mesma forma dando pontapé na discussão dos problemas nacionais que rolam no Congresso, com grande estilo, como merece.

Lamentavelmente, a mídia não deu uma linha da apreciação dos senadores, em plenário, da oportuna proposta do parlamentar petista. Se a moda pega, as funções do Senado, abrindo-se aos grandes debates televisivos em plenário sobre temas específicos, de grande interesse social, ganharão sentido mais amplo e as atividades congressistas teriam seu conceito amplamente elevado – para apagar as más impressões que a baixa política predominante deixam no sentimento popular.

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Jornalista, Brasília, DF

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