Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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FEITOS & DESFEITAS >

Pseudo-candidatos e propaganda eleitoral

Por Wemerson Augusto em 09/09/2008 na edição 502

O horário eleitoral no rádio e na TV, que é dito ser gratuito, irrita alguns eleitores e inebria os candidatos. Personagens hilários, despreparados e encomendados acusam e desapontam a torto e a direito diversas gestões municipais. Essas presepadas infelizmente persistem em aparecer a cada novo pleito eleitoral pelo Brasil afora.

No YouTube é possível assistir a algumas destas afrontas à democracia e ao cidadão. Com domínio e ciência dos efeitos da imagem, os pseudo-candidatos mesclam em suas gravações trilhas sonoras espetaculares com crianças, idosos e trabalhadores. Todos de mãos dadas, conforme a solicitação da coligação beneficiada.

O conceito da força da imagem na memória das pessoas é o compartilhado por Almeida (1994, p. 9): ‘…Qualquer coisa ou pessoa que apareça, está sendo vista e não lida ou escutada. Existe porque está sendo vista. Essa proximidade real das imagens tem uma configuração muito próxima da oralidade, o que explica, em parte, o fato de que as imagens são, às vezes, mais fortes do que um texto’.

‘Boca na prefa’

E a quantia de textos e imagens neste caldo engrossa ou afina, de acordo com a temperatura das pesquisas internas e externas que revelam a preferência das pessoas em relação aos serviços públicos e às demais candidaturas. Os resultados por sua vez, indicarão a direção em que estes candidatos marionetes devem cutucar.

‘Um, dois, três, gravando’. É preciso aproveitar o tempo. Já que o espaço dos candidatos-laranja geralmente é curto. Porém, suficiente para cumprir com o objetivo. Isto é, fazer gravações simples, rápidas e diretas, com denúncias, especulações e fatos.

Mesmo com desconhecimento do texto, os pseudo-candidatos lêem com entusiasmo e dramaticidade as propostas sorrateiras a mando de agremiações políticas. Tudo isso arquitetado e planejado, num jogo de algozes, vítimas e heróis.

Sonhos, lutas e vontade do povo são atropelados em troca de uma ‘boca na prefa’ em 2009. Despreocupados em relação aos reais interesses da comunidade, os diretores e protagonistas desta história ainda encontram tempo para peregrinar durante as noites por igrejas, batizados e templos das cidades.

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Jornalista, especialista em Linguagem, Cultura e Ensino, Foz do Iguaçu, PR

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