Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > HQ

Quadrinhos e identidade cultural

Por Wemerson Augusto em 12/02/2008 na edição 472

Enquanto os estudantes brasileiros aguardam a chegada dos quadrinhos incluídos na lista do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), novos enredos e interesses sacodem o mundo da manifestação artística. Na Alemanha, uma idéia semelhante à implantada pelo programa brasileiro – criado em 1997, que incentiva a leitura e o acesso à cultura por meio da aquisição de obras – buscará lançar novas interpretações quadrinizadas sobre o holocausto.

A experiência será testada inicialmente em 15 escolas de ensino médio da cidade de Berlim e do estado da Renânia do Norte. De acordo Centro Anne Frank, responsável pela ação, a idéia também poderá ser migrada para dois outros países, Polônia e Hungria.

Na Alemanha ainda não há uma precisão do investimento com o desenvolvimento dessa ação cultural. No Brasil, o custo do projeto que abrange 127,5 mil escolas é de aproximadamente em 26 milhões de reais. Ao todo são 16 milhões de estudantes com idade de 6 a 14 anos contemplados com acesso a oito obras em quadrinhos neste ano.

Equivalente a intenção a alemã foram às escolhas das histórias em quadrinhos aos jovens leitores brasileiros. No geral, as narrativas valorizam a história ou possibilitam interpretações do contexto sociocultural brasileiro.

Mensagens e influências

As histórias selecionadas são Turma do Xaxado (volume 2), Os Lusíadas em Quadrinhos, 25 Anos do Menino Maluquinho, Pequeno Vampiro vai à Escola, Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, Mitos Gregos: o vôo de Ícaro e outras lendas, Hans Staden – Um Aventureiro no Novo Mundo e Courtney Crumrin & As Criaturas da Noite.

Esta maneira não-convencional e desburocratizada de ver o mundo aos poucos está marcando pontos e conquistando espaço nos mais distintos setores da sociedade. No entanto, às vezes a burocracia e o conservadorismo educacional e cultural impedem a formação de novos leitores e cidadãos críticos.

Numa época em que é quase impossível desvincular imagem e texto, alguns didáticos ainda acreditam que saudoso quadro negro e as aulas da cadernetinha – atividades prontas de anos anteriores – vão prender ou motivar a atenção desta nova geração, exposta a milhares de mensagens e influências instantaneamente.

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Jornalista, pós-graduando em Linguagem, Cultura e Ensino pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR

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