Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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FEITOS & DESFEITAS > HQ

Quadrinhos, discurso e fé

Por Wemerson Augusto em 18/03/2008 na edição 477

Publicações quadrinizadas e digitalizadas buscam a todo custo fisgar e atrair jovens para o mundo da fé. Circulam na internet e mídias especializadas dois novos experimentos que têm a missão de levar ao público o discurso religioso sob duas diferentes linguagens. Um é a linguagem digitalizada da Bíblia sagrada para ser lida e ouvida através dos celulares. A outra opção são textos bíblicos em formato de mangás – quadrinhos japoneses.

Compreender como estas configurações de múltiplas linguagens estabelecem a relação de mercadoria e ‘negócio competitivo de recrutar leitores, telespectadores e ouvintes em um contexto de mercado’ (Fairclough, 2001, p.143) é uma das tarefas do estudo da linguagem e seus fenômenos sociais.

A Igreja Católica no Brasil, representada pela Arquidiocese de São Paulo, por meio do padre Juarez Pedro de Castro, em recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, alegou que a arte é ‘uma maneira criativa de apresentar a palavra de Deus, principalmente quando o meio usado é bem-aceito entre os jovens’.

Sentidos e identidades

Na mesma reportagem, outro sacerdote, este inglês, ressalta que a obra ‘vai transmitir a emoção da Bíblia de maneira única’. Certamente a visão religiosa pelos dois religiosos está de certa forma pautada, em ‘uma tendência mais ampla para os produtores comercializarem suas mercadorias em formas que maximizem sua adaptação aos estilos de vida e as aspirações de estilos de vida dos consumidores (embora eu acrescente que eles estão buscando construir as pessoas como consumidores e os estilos de vida a que elas aspiram) [Fairclough, 2001, p.143].

Conforme o autor, (2001) ‘é muito apropriado estender a noção de discurso a outras formas simbólicas, tais como imagens visuais e textos que são combinações de palavras e imagens’. Diante disso, o discurso religioso pode refletir e representar a entidade, bem como as relações sociais da instituição com a sociedade.

O comportamento da entidade perante o procedimento apresentado pode revelar suas concepções e posicionamentos com os jovens. Entre as possibilidades que saltam aos olhos são construções de sentidos e identidades que estão interligadas ‘produção, a reprodução ou a transformação das relações de dominação’ (Fairclough, 2001, p.117).

Referências bibliográficas

FAIRCLOUGH, Norman. Discurso e mudança social. Brasília: UnB, 20010

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Jornalista, especialista em Linguagem, Cultura e Ensino; Foz do Iguaçu, PR

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/03/2008 Lucio Alves

    No último texto não comentei, mas acompanhei a repercussão do artigo de perto. Não conheço o funcionário público Filipe Fonseca muito menos o autor do artigo. Acredito que às vezes as observações levantadas por este assíduo comentador provocam discussões. Porem têm-se percebido nas últimas participações de Filipe Fonseca uma natureza negativa e petulante de seus comentários, que tenta desconstruir os argumentos de diferentes autores. Filipe publique neste espaço seus artigos. “Ensina a gente”.

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