Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > REVISTAS HQ

Quadrinhos gratuitos pela internet anunciam recessão

Por Wemerson Augusto em 27/11/2007 na edição 461

Na ultima semana, a poderosa editora de quadrinhos Marvel disponibilizou gratuitamente para seus fãs mais de 200 títulos de quadrinhos de seus principais protagonistas, como Capitão América e Homem Aranha, entre outros ícones do universo fantástico dos comics.

Apesar de estarem disponíveis apenas alguns episódios, o fato é um tanto intrigante. O que será que está acontecendo com as grandes produtoras de HQ? Estão perdendo leitores? As temáticas estão fracas para seus consumidores? A qualidade está aquém?

As respostas a estes questionamentos são as mesmas apontadas por distintos estudos sobre o futuro das mídias impressas (revistas, jornais, boletins etc.). O antigo público-alvo aos poucos é minado pela vastidão da internet.

Esta mídia oferece o mesmo conteúdo em versão online. Seja de notícias, capítulos de HQ ou reportagens do dia, entre outros assuntos. Tudo isso, em um formato digitalizado.

Nesta linguagem digital, o interlocutor da mensagem pode armazenar os assuntos de seu interesse em seu computador, CD, ou ainda nos mais recentes dispositivos de armazenamento de dados, como MP4, MP3 e pendrive.

Consulta simples e rápida

A forma, o aconchego da leitura e o prazer de apalpar as folhas podem ser um dos aspectos que a internet jamais irá conseguir dar a seu internauta. Porém, a ‘gratuidade’, somada à facilidade e agilidade para usufruir dos conteúdos são inegáveis com a internet.

É neste sentido que se vislumbra a irreversibilidade do processo de interação do público com os novos mecanismos tecnológicos. Aparatos que possibilitam o contato com diversos produtos midiáticos, quando anteriormente era necessário ultrapassar mais obstáculos para apreciá-los.

Por exemplo, para consultar um episódio do Capitão América da época da II guerra mundial, era necessário valer da solidariedade de amigos que possuíam a revista; idas e vindas a sebos e livrarias.

Raramente conseguíamos o que desejávamos. Atualmente, dependendo do conteúdo, o acesso às informações é mais dinâmico.

Antiguidades, no caso dos clássicos dos quadrinhos, com suas páginas amareladas, podem ser consultadas na rede mundial de computadores, de forma simples e rápida.

Crise é internacional

Enquanto isso, o seu João da banca, o velho amigo, aquele que descolava as especialidades dos quadrinhos com afinco e destreza, ao mesmo tempo em que anotava todos os pedidos e sorria a cada aparição de seus fanáticos clientes, agora cochila ao lado de jornais sensacionalistas, relembrando dos tempos que os adolescentes reuniam-se em sua banca para discutir os próximos episódios dos seriados em quadrinhos.

E para tristeza de João e de milhares de trabalhadores envolvidos no comércio de revistas em bancas, a estagnação comercial é internacional, como apresenta o presidente da Marvel, Dan Buckley: ‘Não há mais o estande de quadrinhos na mercearia da esquina. O nosso produto não vai mais ao encontro dos espaços onde a garotada vive.’

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Jornalista, pós-graduando em Linguagem, Cultura e Ensino pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu, PR

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/04/2008 Rodrigo Sales

    Ainda bem que as editoras não mandam mais. Temos a internet pra nos servir. Viva a net. Infelizmente, as editoras ainda cobram muito caro pelas edições. Eu mesmo acho um absurdo.

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