Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Quando a omissão vira munição para os críticos

05/05/2009 na edição 536

Uma coluna sobre a entrevista coletiva do presidente americano, Barack Obama, sobre os 100 primeiros dias de governo provocou comentários de diversos leitores, informa o ombudsman do Washington Post, Andrew Alexander, em seu artigo de domingo [3/5/09]. Segundo o jornalista Tom Shales, o presidente respondeu às questões de maneira ‘encantadora, determinada, irresistível’. Ele descreveu Obama como um ‘presidente verdadeiramente surpreendente. E de modo positivo – não como seus antecessores’. Para aqueles que acusam Obama de querer expandir o tamanho do governo, Shales alegou que ‘muitos são apenas as vozes estridentes previsíveis do tipo de pedantismo parditário que Obama diz abominar’.

Algumas destas ‘vozes estridentes previsíveis’ entraram em contato com o ombudsman para expressar sua raiva e acusar o Post de servir de plataforma para Obama. O veterano Shales, que hoje não é exclusivo do Post, já ganhou o prêmio Pulitzer por crítica. Mas o artigo em questão não o identificou como crítico, analista ou colunista – embora, na versão online, ele tenha sido descrito como colunista. Para alguns leitores, pareceu que se tratava de um repórter escrevendo uma matéria sobre a coletiva. A reação serviu como um lembrete de que a maior parte dos leitores do diário vê o Post como tendencioso a favor de Obama. A cada mês, Alexander recebe centenas de e-mails e telefonemas acusando o jornal de parcialidade em relação ao presidente.

Cobertura positiva

Para completar o cenário, críticos tiveram um prato cheio na semana passada, quando um estudo do Project for Excellence in Journalismconcluiuque Obama ‘ganhou uma cobertura positiva, mais que Bill Clinton ou George W. Bush, durante seus primeiros meses na Casa Branca’. A pesquisa foi baseada em matérias de emissoras de TV e jornais, incluindo o Post,e revelou que 42% das matérias foram positivas, 20% foram negativas e 38%, neutras.

A pedido do ombudsman, o diretor do Project for Excellence in Journalism, Tom Rosenstiel, revelou os dados relativos ao diário. ‘A cobertura do Post, embora tenha sido, em sua maioria, positiva, foi um pouco mais negativa que a mídia de maneira geral’, informou ele. A maioria dos repórteres e editores se vê como imparcial, mas muitos leitores contrários a Obama acreditam que eles são influenciados pela ideologia anti-Republicana e anticonservadora.

Cada vez mais, os leitores reclamam do que não está no Post. Eles lêem algo em outro veículo de mídia – em geral, sítios ou jornais que têm a mesma ideologia que eles – e citam como exemplo do que foi censurado pelo diário. Até agora, entre os leitores que cancelaram a assinatura do jornal, apenas 1% alegou que o fez por conta de cobertura tendenciosa. Mas muitos ainda vêem o jornal como parcial. Por isso, o ombudsman acredita que a crítica de Shales deveria ter sido identificada como crítica ou opinião, para evitar as acusações de parcialidade.

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