Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
Menu

FEITOS & DESFEITAS >

Quando o jornal vira torcedor

Por Rafael Guelta em 21/07/2009 na edição 547

Chamo a atenção para o que considero um assunto muito sério que merece grande
reflexão dos jornalistas brasileiros. Manchete de O Estado de Minas na
edição de quarta-feira [15/7]: ‘Por que o Cruzeiro deve ser tri’. A chamada para
a finalíssima da Libertadores – jogo do Cruzeiro de Minas contra o argentino
Estudiantes de La Plata – ocupa nada mais nada menos do que dois terços da
primeira página. Letras brancas e amarelas com fundo azul. O caderno de Esportes
é praticamente todo ocupado por textos, reportagens e análises sobre o jogo.


Edição de O Estado de Minas no dia seguinte, 16/7. Na primeira página,
nem uma linha ou imagem sobre o jogo final da Libertadores, no qual o Cruzeiro
foi derrotado. No caderno de Esportes, nem uma linha, igualmente. Nada de nada
sobre o jogo. Cruzeiro e Estudiantes jogaram? A impressão é de que não jogaram –
e, assim, milhares de torcedores não foram ao Mineirão e nem o Dunga passou por
lá. Jornal tem de ter ou assumir paixão de torcedor? Sou paulista. Vamos
imaginar que eu estivesse no Aeroporto de Cumbica, na manhã de 16/7, aguardando
um embarque para a Argentina, e resolvesse levar a cobertura do jogo para amigos
brasileiros que vivem naquele país. Eu certamente procuraria pela edição de O
Estado de Minas
, acreditando que o jornal local, o grande jornal de Minas,
traria a melhor cobertura.


***


Acho que este Observatório não está analisando de forma adequada os
últimos lances relativos à cobertura dos problemas gerados pela Gripe Suína
(como grande parte da imprensa ainda nomeia). Não houve nenhuma análise crítica
das ações recomendadas pelo incompetente ministro da Saúde, senão vejamos: os
doentes que apresentem o quadro da gripe não devem recorrer aos hospitais para
não sobrecarregá-los com casos que poderiam ser dos tipos comuns da gripe ou
outras doenças. A ação recomendada é que procuremos os postos de saúde ou os
médicos de convênios ou particulares. É exatamente aí que o ministro demonstra
total desconhecimento do que é o atendimento na rede pública ou conveniada de
saúde. Primeiro porque para consultar um médico nos postos de saúde é necessário
a marcação de consulta que pode demorar alguns dias – que seriam preciosos para
a eficiência de tratamento dos casos positivos da gripe. O mesmo pode-se dizer
dos atendimentos de planos de saúde. Você precisa marcar uma consulta, o que
pode demorar muitos dias, e aí entramos no mesmo caso dos Postos de Saúde da
rede pública. Incompetência do ministro e Ministério da Saúde e da imprensa que
não consegue estabelecer visão crítica sobre o assunto. (Ibsen Marques,
técnico em eletrônica, Caçapava, SP)


***


Perguntas que não querem calar: Nossa televisão pública está cheia de
empregados da Globo. Eles são concursados? E por que, durante alguns programas,
como o Roda Viva, há exibição de propaganda do Bradesco? O Roda Viva
é sucursal da CBN? (Luiz Alberto Luz, engenheiro, Rio de Janeiro, RJ)

******

Jornalista, Santo André, SP

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem