Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & ELEIÇÕES

Quanto vale seu voto?

Por Rodolpho Raphael de Oliveira Santos em 05/10/2010 na edição 610

Apesar de a cada dois anos termos eleições no país, boa parte da população acredita no poder do voto. Acha que se votar não fará a mínima diferença como também não irá proporcionar qualquer modificação no contexto político.

É através do voto que temos o importante direito de por no poder quem realmente poderá fazer melhorias para com a nação. É com ele que o cidadão manifesta sua vontade ou opinião, salienta sua raiva, seus dissabores ou suas desilusões. Ou até mesmo pode, no futuro, alcançar alegria e objetivos que melhorem nosso país e nosso estado. Trata-se de uma verdadeira arma que deve ser utilizada pelo cidadão não apenas para cumprir um dever cívico, mas, sobretudo brandar toda sua indignação com a situação das coisas.

Contudo, muitos dos eleitores vendem seu voto. Desde os primeiros anos da República, o voto de cabresto era um dos principais mecanismos de controle político no Brasil. Nas últimas décadas, desde que as eleições diretas foram reinstituídas, em 1989, a prática da compra de votos tornou-se um problema constante em períodos eleitorais. Promessas de cargos, botijões de gás, cesta básica, remédios, sacos de cimento, dinheiro vivo, tudo vale como objetivo de troca dos políticos para conseguir votações mais expressivas.

Infelizmente, o maior problema do Brasil, pode-se dizer que não é o político, e sim, o eleitor. É um problema cultural já que, desde o início da história brasileira, a corrupção acontece deliberadamente e de lá pra cá se modificou, mas nunca deixou de ser praticada. Como bem sabemos, a legislação eleitoral é rígida. No entanto, não adianta ela ser consistente se nenhuma das outras duas pontas – eleitor e político – colaboram.

Ambiente de liberdade

Em um terceiro âmbito, vemos a imprensa, que vem se destacando por dois fatores que podem ser associados: a parcialidade no jornalismo, devido a muitos jornalistas se corromperem pelos poderes oligárquicos do século 21 e tendo como principal efeito o segundo fator: a falta de preservação de uma das grandes conquistas da tenra democracia brasileira – refiro-me ao exercício da liberdade de expressão por um jornalismo responsável.

A Constituição de 1988 não apenas institucionalizou a sua concepção, mas ousou até mesmo incluir um artigo inspirado pela primeira emenda da carta constitucional norte-americana que veda aos agentes do poder público criar leis designadas a restringir o direito dos cidadãos a informar e ser informados, bem como expressar suas opiniões.

Foi graças ao ambiente de liberdade desfrutado no período pós-autocrático que o Brasil pode fortalecer as instituições democráticas. E a mídia tem tido um papel decisivo nesse processo, investigando as mazelas da sociedade e denunciando publicamente ou, infelizmente, omitindo-o.

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Estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba

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