Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Quem decide o que é o fato é a lógica da notícia

Por Rodolpho Raphael de Oliveira Santos em 03/08/2010 na edição 601

Com a consolidação da mídia no início deste século, vivemos o auge da comunicação social no país, com o boom dos blogs e portais na internet. Grandes profissionais (ou até anônimos) se utilizam da grande rede mundial de computadores para disseminar notícias, opiniões e, por que não, aplicar juízo de valor a determinados contextos de interesse público.

Segundo o jornalista e publicitário Celso Japiassu, ‘propaganda e jornalismo são irmãos siameses que nasceram nas praças da cidade antiga. No ambiente populoso da ágora, do mercado, das praças onde a cidade se reunia para comprar, vender e saber das últimas’.

Desde o início da história da imprensa, o caráter comercial está aglomerado como premissa para sua existência. O jornalismo é um produto desde seu surgimento. Hoje a publicidade dita até o formato das matérias e o jornalismo cor-de-rosa – assim intitulado pelo professor doutor em Comunicação Leandro Marshall em seu livro e que é aquele jornalismo que é leve, divertido e predomina no cenário da informação.

O jornalismo não vive sem a publicidade, assim como o leitor/espectador não aceita uma publicação jornalística sem anúncios. E dessa situação a publicidade se aproveita para tomar cada vez mais espaço.

Ano passado o STF decidiu que para exercer a profissão de jornalista não era necessário o uso do diploma. A defesa da ideia de liberdade de expressão para acabar com o diploma parece ter cativado os corações. Mas não nos enganemos. Ela é de fato só uma ideia se temos no país uma única agremiação de mídia dominando bem mais da metade de toda a verba publicitária nacional em TV aberta e a cabo, no rádio, no jornal, na internet e agora também no celular, com isso os jornalistas serão mais conscientes de seu papel, as linhas editoriais dos jornais serão mais responsáveis e até o leitor (que também é jornalista) passará, a saber, o que é bom e o que é mau, consumindo informação de uma forma mais responsável.

Quem decide o que é o fato é a lógica da notícia, do jornal, da imprensa e do jornalismo da sociedade do espetáculo, e não mais o jornalista. Em outras palavras: não é mais o jornalista quem escreve a notícia, é a notícia que escreve o jornalista. É a notícia e sua lógica interna sobre a realidade que determina o que deve ser representado para a sociedade.

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Graduando em Jornalismo, UEPB, Esperança, PB

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