Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
Menu

FEITOS & DESFEITAS >

Quem determina a programação?

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 23/02/2009 na edição 526

A participação do ouvinte nos aspectos da programação do rádio está cada vez mais dificultada pela força do capital e pelos interesses motivados pela ambição, pelo lucro fácil e por uma visão unicamente monetária que se têm instalado no rádio cearense e, acreditamos, em todo o país. Vivemos um momento em que o usuário não é tratado como consumidor nem respeitado como ser que tem opinião, que conhece a comunicação e sabe o que é melhor para si. As programações de rádio não têm participação de ouvintes que são geralmente surpreendidos por mudanças de horários e supressão de programas que perdem tempo e espaço no rádio.

A conquista dos Direitos do Consumidor foi um passo importante para a concretização de um processo democrático, pois o Código de Defesa do Consumidor tem gerado espaços para todos os indivíduos no sentido de questionar produtos, exigir informações sobre as mercadorias e ser ressarcido de qualquer prejuízo decorrente de um serviço mal prestado. Por que será que no rádio e nas comunicações em geral não é assim? Mesmo que existam Códigos de ética, legislação sobre comunicação e dispositivos constitucionais que regulam o processo comunicativo, os usuários do rádio não têm oportunidade nenhuma de dizer o rádio que querem nem emitir crítica sobre as mudanças relativas a este meio de comunicação.

Brigada de luta

O rádio vem sendo sofrendo muitas transformações e elas infelizmente não têm sido boas para os consumidores da comunicação radiofônica. O processo de ocupação de horários por grupos religiosos é um atentado à cidadania e à pluralidade religiosa de nosso povo. Por outro lado, o arrendamento não dá qualidade aos programas nem disciplina o processo comunicativo, pois quem arrenda programas diz o que quer e faz o programa de qualquer jeito, sem produção, sem conteúdo e sem nenhum tipo de preparação por parte de supostos radialistas formados em cursos de caráter duvidoso e desprovidos de formação profissional ética e pautada na competência e no respeito ao ouvinte.

Temos vários problemas no rádio e parece que muitos profissionais do meio não têm conseguido resolver nem se interessam por um processo de organização da classe, preferindo exclusivamente culpar o sindicato da categoria que, embora tendo sua parcela de culpa, não é o único que precisa refletir sobre suas ações no processo de melhoria do meio rádio. O mundo radiofônico precisa de união e somente com a participação de ouvintes conscientes e críticos, de radialistas engajados e comprometidos com a profissão é que os problemas serão coerentemente resolvidos e mudados.

É grande a necessidade de uma frente de luta pelo rádio que envolva todos os que estejam direta ou indiretamente envolvidos no processo para realizar um diagnóstico dos problemas e buscar as soluções adequadas e urgentes. É necessário que se faça uma brigada de luta pelo rádio-cidadão na certeza de um processo comunicativo democrático, crítico e consciente. O rádio precisa que as pessoas que buscam uma sociedade melhor se coloquem numa nova forma de ver o mundo e de construir tal sociedade.

Princípios éticos e cidadãos

É preciso que os ouvintes de rádio se organizem, devemos incentivar a formação de clubes, associações ou fóruns de ouvintes para discutir as programações, exigir mudanças, desenvolver novas práticas, conhecer outras experiências e buscar efetivamente uma ação comunicativa que dê a todos processos de cidadania e busca de processos de mudança, cidadania e participação.

Os que se dizem proprietários de rádio não entenderam que nossa sociedade mudou e que somente com participação este meio terá chances de sobreviver, crescer e se desenvolver segundo os preceitos de uma cidadania participativa e na busca por um mundo melhor e mais justo. O rádio tem que mudar, as programações e os programas carecem de investimentos, tanto técnicos como democráticos, para ajudar este meio a crescer, formar e oportunizar uma sociedade que seja pautada na construção da cidadania ativa, participativa e crítica para que todos sejam elementos ativos na formação de um mundo justo e igual para todos.

Se as pessoas se unissem em prol do rádio e exercessem a verdadeira essência da cidadania, buscando a participação no processo das emissões de programas, questionando os problemas surgidos e exigindo programação de qualidade, certamente a crise deste meio de comunicação seria resolvida e teríamos um rádio democrático, fiel a princípios éticos e cidadãos e forte na concretização da comunicação que engrandece e melhora a vida do povo em geral.

******

Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem