Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Quem não Lattes…

Por Gabriel Perissé em 14/07/2009 na edição 546

Preencher comme il faut o currículo na Plataforma Lattes/CNPq (e mantê-lo atualizado) não é tarefa simples. Mesmo (ou sobretudo) para os ‘Ph.Deuses’, como se diz maldosamente dentro e fora da academia. É um trabalho manual, burocrático, cheio de detalhes a observar.

E sempre surgem dúvidas que, embora pequenas, consomem tempo mental que deveríamos dedicar à pesquisa. Onde inserir a informação de que fui paraninfo ou professor homenageado em determinada faculdade? Não existe seção específica; então, muitos recorrem à que se destina aos ‘Prêmios e títulos’, uma imprecisão. Ou de que modo classificar minha participação como revisor externo de conferência? Na seção ‘Produção técnica’, certo, mas na subseção ‘Trabalhos técnicos’ ou, mais modestamente, em ‘Demais trabalhos’?

A polêmica em torno das informações do currículo Lattes da ministra Dilma Rousseff (já comentada por Deonísio da Silva em artigo neste OI) despertou a atenção do grande público para uma questão em princípio restrita ao interesse daqueles que lá incluíram seus dados (cerca de 1 milhão de pessoas).

Em nota oficial, a Casa Civil esclarece que Dilma ‘jamais incluiu ou autorizou a inclusão de seu currículo na plataforma Lattes’. Ora, isso significa que, possuindo-se um número de CPF, é fácil gerar (e forjar) à revelia da pessoa um currículo que servirá de base para a consulta da comunidade científica, de possíveis empregadores, dos desafetos, ou da mídia. Portanto, você também pode ter feito um doutorado sem saber!

Presteza e detalhamento

Na Folha de S.Paulo (11/7), Rogerio Meneghini e Roberto Romano expuseram suas opiniões na seção ‘Tendência/Debates’ a respeito da necessidade ou não de maior controle oficial sobre os currículos da Plataforma Lattes, que está completando 10 anos de existência.

O professor Meneghini defende que o controle seja realizado pelos próprios usuários do Lattes. Se eu afirmo que orientei determinado mestrando, ou publiquei por determinada editora, ou participei de determinado evento, tais informações serão apuradas por quem o desejar, inclusive pela revista piauí, consultando o Lattes do meu mestrando, o catálogo da editora, o site do evento.

Já o professor Roberto Romano sugere que sejam punidos severamente os que quiserem ilustrar os seus currículos com títulos e feitos imaginários. Mas há nisso um outro perigo. Rigor por rigor, aqueles que não atualizam o Lattes com a devida presteza e detalhamento não estarão pecando por omissão? E, neste caso, quem poderá salvar-se?

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

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