Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Recordar é viver

Por Fernando Schweitzer em 24/06/2008 na edição 491

Recordar é viver. Creio que esse seja o mote hoje de Senor Abravanel, proprietário do canal 4 de São Paulo. Da absurda reciclagem do programa Silvio Santos, àquele do ‘Quem quer dinheiro’, que até fez crescer por duas semanas o cálido ibope do SBT nesta fase atual.

Mas, para ‘variar’, o patrão, como era comumente chamado por seus jurados do Show de Calouros, vide década de 1980 à 90, com suas ‘campanhas publicitárias revolucionárias, trouxe-nos mais uma piada de seu arsenal. Depois de ‘A concorrência vai tremer’ – só se for de rir – temos a ‘Arma Secreta’.

O que seria essa tal arma secreta? Seria algo como o Show do Milhão, que tinha como merchandising ‘Os 28 dias estão chegando’. E ninguém tinha a menor noção de que vinte oito dias Seu Sílvio estava falando. O ícone mor da TV brasileira, creio estar um tanto quanto gagá. Naquela ocasião, a média-dia do SBT era de 12 pontos; hoje é de 5. Em suma, menos credibilidade e menos pessoas que poderiam repercutir tais campanhas de divulgação alternativa. Sendo que se fala de tudo nela, menos do programa a ser lançado.

Polêmicas e ações

Quem não leu nenhum dos milhares de blogs sobre TV, nem colunas especializadas como a ‘Zapping’ ou ‘Outro Canal’, deve ter ficado em choque ou no mínimo teve uma grande surpresa. Sem anúncio prévio da mesma, o SBT começa a reexibir a novela Pantanal, grande clássico da TV Manchete, reprisada duas vezes pela a emissora. Lembrando que a TV Manchete fechou as portas exibindo a trama de Benedito Ruy Barbosa. Barbosa que, na época, era da poderosa, mas só escrevia para o horário das 6, e teve na ousada Manchete a oportunidade de estréia no horário nobre.

A lendária Pantanal, que batia a Rede Globo com assustadores 40 pontos, contra 20 da Vênus platinada, foi o maior susto até hoje que sofreu a emissora dos Marinho.

Em um momento de crise é difícil se ousar, mas também não é preciso apelar. A falta de um mínimo de audácia, que antes sobrara ao Complexo Anhangüera, hoje lhe falta. Mas a surpresa foi que, mesmo desacreditado, o velho patrão acertou, em termos. A média no horário saltou de 3 para 7 pontos na estréia da arma secreta, no segundo dia passou a 10 com picos de 12. A Record, que festejava seus 20 pontos no horário nobre contra a sua arqui-rival, arregalou os olhos.

Fora por hora só um alarme falso, a semana de estréia, seria re-re-re-re-estréia de Pantanal fechou em 8 pontos. Em meio a polêmicas devidas a ações movidas por atores hoje globais novamente e que, à época na geladeira, viram na Manchete a chance de reerguerem as carreiras do ostracismo, para que não seja exibida Pantanal.

Viva a falta de criatividade

A Globo hoje amarga a sua pior média em uma trama das 8 da história, cercada por dois fantasmas no mesmo horário, um do passada e outro do presente. Cercada pela extremamente criticada pela mídia, principalmente veículos ligados às organizações Globo, Os Mutantes. Que virou tema até do blog de Zeca Camargo: ‘Vi na internet notícias `alarmantes´ de que A favorita havia estreado com uma das piores médias de audiência para aquele horário. Para mim, fã incondicional de novelas – e particularmente fã do trabalho de João Emanuel –, essa informação só tinha atiçado minha curiosidade. O que estava acontecendo? O que estava `roubando´ essa audiência potencial da nova novela? Por que o público estava se comportando dessa maneira? Será que a trama de A favorita não estava sedutora o suficiente? Na sexta-feira, então, durante um intervalo de A favorita, eu zapeei para `Os mutantes´…’ – questiona em seu blog. E por outro de Pantanal, a mesma que ao revelar Cristiana Oliveira, hoje no Projac, fez a concorrência global tremer.

Reprises, definitivamente, hoje são um filão de mercado, meio à crise velada da economia brasileira, que sobe juros e cresce 2 a 3% ano, enquanto a Argentina e Venezuela crescem quase 10%. Até aí, tudo bem. A TV a cabo vive de 70% de sua ‘caríssima e requintada programação’ com reprises. Algumas reprises da Globo no Vale a Pena Dormir de Novo, mais assistidas que a eterna Malhação e mesmo que sua primeira faixa de novelas. Globo News e Record News, eu recomendo que sejam assistidas de três em três dias, para que você não decore o que será dito nas reportagens.

Mas se a maior audiência da linha de shows da ainda líder é a recauchutagem de A Grande Família e Os Normais, voltará logo a grade pra salvar as sextas-feiras que vexaminosamente têm perdido para o Câmera Reprise Record há meses. Por que Silvio Santos não poderia reprisar Pantanal? Creio que ao menos deve fazer mais tempo que passou Pantanal pelo última vez que Cabocla, o retorno, também de Benedito.

Recordar é viver, e viva a falta de criatividade na TV.

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Ator, diretor teatral, cantor, escritor e jornalista, Florianópolis, SC

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