Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

FEITOS & DESFEITAS > JILL CARROLL

Repórter diz que foi obrigada a gravar vídeos

03/04/2006 na edição 375

Após 82 dias de cativeiro no Iraque, a jornalista americana Jill Carroll foi recebida por sua família nos EUA, no domingo (2/4). ‘Eu finalmente me sinto viva de novo. Poder sair de casa quando quiser, sentir o sol diretamente no rosto, ver o céu. São pequenos prazeres que não estimamos todo dia’, afirma.

A jornalista de 28 anos foi libertada na quinta-feira (30/3), após ficar quase três meses confinada em um quarto pequeno, acústico e com janelas opacas. Ela foi seqüestrada em janeiro deste ano por homens armados que mataram o tradutor iraquiano que a acompanhava. No sábado, Jill foi levada até uma base militar americana na Alemanha, onde realizou exames médicos. No vôo de volta para Boston, no domingo (2/4), ela se emocionou ao encontrar uma rosa vermelha em sua bandeja de jantar.

Após a libertação, Jill pediu um tempo para se recuperar e encontrar a família. Ela chegou a Boston sem o lenço muçulmano que usou durante diversos vídeos gravados enquanto estava seqüestrada. Os repórteres não puderam vê-la no aeroporto. Ela foi levada imediatamente para o escritório do Christian Science Monitor – jornal para onde trabalha como freelancer –, onde divulgou uma declaração afirmando não estar pronta para entrevistas. ‘Quando Jill estiver pronta, o Monitor vai começar a contar sua história e também faremos uma coletiva de imprensa’, afirmou em declaração o editor Richard Bergenheim. ‘Esperamos que a privacidade de Jill seja respeitada’.

Jornalista desmente declarações

Jill negou todas as declarações feitas durante o tempo em que ficou presa e logo após ter sido solta, alegando que tinha sido ameaçada a dar tais depoimentos, que na verdade não correspondem a seu ponto de vista. Em um vídeo gravado antes de sua libertação, divulgado pelos seqüestradores em um sítio islâmico, Jill aparece discursando contra a presença militar no Iraque.

No sábado (1/4), ela afirmou que foi forçada a gravar o vídeo. ‘Durante o meu último dia de cativeiro, os seqüestradores me forçaram a participar de um vídeo. Eles me falaram que eu seria solta se cooperasse. Eu era ameaçada constantemente e queria chegar em casa viva. Então, concordei’, contou Jill em declaração. Na gravação, a repórter teria afirmado estar claro que ‘os jihadistas venceriam no final’. ‘As pessoas que me seqüestraram e mataram [o tradutor] Allan Enwiyeeh são, no mínimo, criminosos. Eu não vou criar polêmicas, mas vou deixar algo claro: eu abomino aqueles que seqüestram e matam civis, e meus seqüestradores são claramente culpados pelos dois crimes’, afirmou a jornalista, sem opinar sobre a guerra no Iraque.

Durante o período em que trabalhou no país, Jill conquistou a simpatia de diversos grupos no Oriente Médio; o islâmico Hamas, o movimento político fundamentalista Irmandade Muçulmana, e o maior grupo político árabe sunita do país, o Partido Islâmico Iraquiano, pediram por sua libertação. Seus seqüestradores, o grupo Brigadas da Vingança, requisitaram a soltura de prisioneiras iraquianas até o dia 26/2, caso contrário matariam Jill. Na época, cinco prisioneiras foram soltas, mas os EUA afirmaram que o fato não tinha relação com a ordem do grupo.

Na declaração, a jornalista também negou informações de uma entrevista dada na sede do Partido Islâmico Iraquiano em Bagdá, onde foi deixada após a libertação. Ela afirmou que o partido havia prometido que a entrevista não iria ao ar, mas que eles haviam ‘quebrado a promessa’. ‘Eu não estava falando livremente e disse que não havia sido ameaçada pelos seqüestradores. Mas fui ameaçada muitas vezes’, relatou.

Não se sabe por que a jornalista foi solta. Bergenheim e autoridades iraquianas e americanas negam que tenham feito negociações para sua libertação, que ocorreu uma semana após o resgate de três ativistas cristãos ocidentais por forças especiais americanas. A declaração de Jill está disponível na íntegra no sítio do Christian Science Monitor. Informações da Reuters [2/4/06], da AFP [2/4/06] e da Associated Press [3/4/06].

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