Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

FEITOS & DESFEITAS > PEQUIM 2008

Restrições do governo frustram emissoras de TV

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 10/06/2008 na edição 489

Redes de TV que irão transmitir os Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto, entraram em desacordo com o comitê de organização local por causa da segurança excessiva planejada para o evento. As emissoras reclamam de uma série de problemas, entre eles as limitações para se reportar ao vivo da Praça da Paz Celestial e informações de que contêineres com equipamentos televisivos estão sendo retidos nos portos chineses. As discordâncias levaram a uma reunião no fim de maio entre executivos de emissoras, organizadores de Pequim e membros do Comitê Olímpico Internacional. No encontro, foi pedido para que as emissoras coloquem no papel suas reivindicações – o que gerou mais críticas pelo aumento da burocracia.

De fato, com a proximidade da abertura dos Jogos, em 8/8, as emissoras vêem sua preparação para a cobertura atrasar por conta do autoritarismo do governo. O encontro do mês passado teve a presença de representantes de nove redes de TV que pagaram pelos direitos de transmitir o evento. Até canais que não detêm os direitos de transmissão e, portanto, não participaram da reunião com os organizadores, têm expressado preocupação com a burocracia e as restrições de segurança. ‘Estamos a duas semanas de enviar nosso equipamento e ainda não temos permissão para operar ou entrar no país’, diz Sandy MacIntyre, diretora de notícias da APTN, braço televisivo da Associated Press.

Promessas feitas pelo Partido Comunista no ano passado para garantir a liberdade de imprensa durante as Olimpíadas não estão sendo cumpridas. Os protestos no Tibete, em março, parecem ter irritado o governo e aumentado a preocupação dos líderes em assegurar que o evento ocorra sem problemas. Por conta disso, o controle de visto para o país está mais rígido, principalmente quando se trata de estudantes – o governo teme que muitos se juntem a ativistas caso haja protestos. Quando foi escolhida para sediar as Olimpíadas, em 2001, a China prometeu ‘liberdade total’ de cobertura da imprensa. Há pouco mais de um ano, o governo avisou que permitiria ‘acesso livre’ aos repórteres – antes, jornalistas precisavam de permissão para viajar por dentro do país. Algumas regiões – como o Tibete – continuam fora de alcance, entretanto.

Paranóia

‘Os chineses estão muito preocupados com a possibilidade de algo dar errado’, resume John Barton, diretor de esportes do Asia-Pacific Broadcasting Union, que representa emissoras em 57 países e esteve presente no encontro. ‘Este é um momento importante para a história do esporte. [As autoridades] estão sufocando a cobertura televisiva em sua busca maluca pela segurança. Elas não podem garantir a segurança do evento. Nada pode ser totalmente seguro, e mesmo assim elas estão tentando fazer isso’.

O governo recrutou mais de 500 mil pessoas para garantir a segurança dos Jogos – número equivalente ao de visitantes esperados para o evento. Teme-se, além de protestos do público, manifestações de atletas contrários às políticas chinesas no Tibete. Ao contrário de permissão anterior, a Praça da Paz Celestial, palco de emblemática manifestação popular em 1989, deve ficar de fora da cobertura – o que significa que repórteres não poderão transmitir ao vivo de lá. O mesmo deve acontecer com a Cidade Proibida, antigo palácio imperial no centro de Pequim. O objetivo é, mais uma vez, evitar que protestos sejam mostrados para o resto do mundo. Informações de Stephen Wade [AP, 8/6/08].

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