Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > CRIME ORGANIZADO

Retaliação aos fatos

Por Francisco José da Silva Junior em 27/01/2009 na edição 522

Ações de represália contra profissionais da imprensa têm sido a opção adotada pelas organizações criminosas. É provável que os bandidos creditem e acreditem que a divulgação de seus atos seja mais danosa do que as próprias investigações policiais – aquela, por mobilizar a sociedade, pode, realmente, levá-los a cadeia.

A violência realizada chegou a extremos como no caso trágico de Tim Lopes, em 2002, que pagou com a própria vida no complexo do Alemão, Rio de Janeiro – assassinado com requintes de crueldade por traficantes. O jornalista havia elaborado reportagem sobre venda de drogas a adolescentes nos bailes da comunidade e, com isso, acendeu a virulência dos criminosos sobre si.

Em 2006, Guilherme Portanova foi seqüestrado por integrantes de uma facção paulista que pretendia ter seus planos divulgados nacionalmente pela Rede Globo – onde ele trabalha. O repórter e o auxiliar técnico Alexandre Calado estavam à porta de uma padaria perto da emissora em São Paulo.

Ano passado, jornalistas de O Dia sofreram torturas por mais de sete horas na favela carioca do Batan. Os profissionais estavam infiltrados por lá durante duas semanas com intenção de apresentar a maneira como vivem as pessoas naquela comunidade. Acabaram por ver a pior faceta do local – a ausência do Estado de Direito.

Hostilidade e terror

Na quarta-feira (21/1), a Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), localizada em Campinas (Grande São Paulo), tornou-se alvo de um atentado – uma granada foi lançada contra suas dependências. O explosivo foi achado e removido sem provocar dano.

Segundo a polícia civil, o ataque é resposta à divulgação do perfil de um suposto envolvido com uma facção criminosa paulista. A reportagem foi feita por um dos jornais impressos da RAC.

O crime organizado, portanto, resolveu encarar a imprensa com a hostilidade e o terror que promove sobre os moradores de regiões acossadas pelo clima de insegurança e violência. Esse movimento é preocupante para a difusão da informação e deve ser impedido quanto antes. A polícia precisa demonstrar que existe para servir e proteger os cidadãos, tanto as pessoas que moram nesses lugares quanto os profissionais da imprensa.

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Estudante de Jornalismo, São Paulo, SP

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