Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

ENTRE ASPAS > SENHORA DO DESTINO

Ricardo Izar

15/03/2005 na edição 320

‘Homem com homem. Mulher com mulher. Menina negra e favelada seduzida por homens brancos -um deles menino, filho do prefeito-, gerando filhos em série. Um desfile ininterrupto, em qualquer capítulo, de casais na cama, não interessa a espécie de casal: um homem com duas mulheres; uma mulher com dois homens, uma mulher com outra mulher… Tudo sempre na cama, os dorsos nus, cenas picantes -por muito pouco não há nus frontais e sexo explícito. Nas residências familiares sempre há um quarto onde a garota recebe (na cama, claro), para passar a noite, com o beneplácito da mãe, o rapaz que às vezes acabou de conhecer na rua.

Mas vai acabar. Hoje finalmente se encerra a exibição da novela ‘Senhora do Destino’, levada ao ar por quase nove meses, todos os dias, exceto aos domingos, num horário nobre, quando nossos filhos e netos estão atentos a tudo.

Os políticos são todos corruptos e malévolos, não há de esperar deles nenhuma fímbria de decência. Uma união estável de homossexuais -lésbicas, no caso- adota um bebê (negro, é claro; o racismo é subliminar, não vá o ‘casal’ querer adotar um bebê loirinho…). Violência, tiros, assassinatos, preconceito racial, traição, maldades, mentiras.

Mas tudo isso são apenas detalhes. Essa realidade virtual decididamente não é o nosso Brasil. Ela surgiu da vasta e devassa imaginação do noveleiro Aguinaldo Silva e chegou a atingir a audiência de 80% -um sucesso! Isso significa que algo como 45 milhões de brasileiros de todas as idades estiveram ou estão sintonizados no folhetim.

Ah, a questão da formação de nossos jovens, da apologia do racismo, da concupiscência, da promiscuidade, da devassidão; a criação de falsos estereótipos, a questão moral e o respeito à verdadeira índole da imensa maioria do nosso povo -tudo isso, bem, é uma questão menor.

Ah, a natureza humana… As paixões humanas, inclusive o amor, o sexo, a ambição, o poder, isso tudo vem sendo psicanalisado desde que o homem se tornou capaz de refletir e a linguagem foi inventada. Hoje, com a integração do conhecimento, nas suas diferentes vertentes, é praticamente impossível afirmar qualquer coisa quanto ao homem: o que é certo ou errado, natural ou antinatural, bom ou mau. Mas um mínimo de convicções e de hábitos culturais, produto de milênios de civilização, deve -ou deveria- remanescer cristalizado na sociedade, emoldurando o que chamamos de moralidade.

Na dramaturgia e na literatura, tais paixões foram exploradas com talento e grandeza insuperáveis por Shakespeare, ainda no século 16. Mas, desde a Antigüidade, a natureza humana tem sido honrada e enlevada pela pena de homens como Homero, Dante, Dostoiévski, Victor Hugo e mesmo Machado de Assis e Guimarães Rosa, aqui no Brasil. Já Aguinaldo Silva, o noveleiro, não demonstra esse compromisso com a grandeza e a potencialidade do espírito humano. A sua ‘arte’ é exercida com uma caneta na mão e os olhos grudados no ‘audienciômetro’, conforme ele próprio confessa: audiência baixa, apimenta-se ainda mais o folhetim.

Civilização significa organização do controle social dos instintos naturais do homem. Sem a civilização não existe o respeito ao direito de propriedade, à mulher do vizinho, à vida do próximo. Toma-se o que se deseja tomar. Mata-se o rival, estupra-se a fêmea, subtrai-se sumariamente de alguém qualquer objeto do desejo. É a barbárie; o homem em seu estado primitivo. Mas já transpusemos esse estado ancestral e, por isso mesmo, uma certa inércia é inerente às diferentes civilizações. Do contrário, estaríamos induzindo rupturas sociais indesejáveis, abruptas e violentas, como a história não se cansa de nos ensinar.

Quando o noveleiro Aguinaldo Silva difunde como normais e corriqueiros padrões chulos de comportamento humano que absolutamente não representam, em sua estonteante maioria, a cultura do nosso povo, está incutindo subliminarmente em dezenas de milhões de espíritos entorpecidos e não preparados para a crítica valores que catalisam a ruptura de nossa sociedade. A serviço de quem um noveleiro pode agir assim?

O senhor Aguinaldo Silva não tem filhos, netos, pais, irmãos, família, sobrinhos, amigos? Que descompromisso é esse? Por que enxovalhar a sociedade brasileira, nivelando por baixo a nossa índole, e por que propagandear explicitamente uma apologia de valores questionáveis, que ainda estão por ser definidos em nossa cultura? Essa fantasia inelutavelmente influenciará milhões de crianças, adolescentes e jovens ainda imaturos e carentes de senso crítico.

Será que o noveleiro faz isso por dinheiro? Mas isso é muito pouco! Por que a emissora que veicula a novela ‘Senhora do Destino’ permite essa ameaça à moralidade do nosso povo?

Há algo de profundamente errado na televisão brasileira.

Ricardo Izar, 68, bacharel em direito, é deputado federal pelo PTB-SP e vice-líder do partido na Câmara. Foi secretário municipal das Administrações Regionais de São Paulo (gestão Maluf).’



Esther Hamburger

‘Personagens ‘incorretos’ dão audiência a novela’, copyright Folha de S. Paulo, 9/03/05

‘O sucesso de mais uma produção ‘Riolywoodiana’ não deixa dúvidas. Quarenta anos depois da inauguração da Rede Globo -a emissora que em 1970 levou a novela ao primeiro lugar em audiência-, o gênero permanece no topo da lista dos programas mais assistidos. Ao longo dessas quatro décadas, as convenções dramatúrgicas das novelas foram se alargando. O que no início eram referências a eventos da conjuntura -como a Copa de 70 em ‘Irmãos Coragem’- se tornou intervenção social.

A novela virou uma espécie de docudrama. Abriu espaço para a divulgação de campanhas de ação afirmativa, contra preconceitos em geral. Personagens se posicionam pela tolerância racial, de classe, de gênero. Advertem sobre os perigos e conseqüências da gravidez adolescente. Fazem propaganda do sexo seguro.

Já a denúncia da ineficiência corrupta dos políticos, que um dia foi novidade, hoje se tornou carne de vaca.

Em meio à crescente segmentação do mercado, a novela milagrosamente sobrevive. Insiste em buscar a unanimidade, mesmo que seja preciso criar roteiros nada realistas.

Guilhermina, a herdeira criada nos melhores colégios da Suíça, se delicia com uma coxinha de frango na Baixada: ‘Finalmente uma festa brasileira’.

O caldo politicamente correto faz contraponto à libido desenfreada dos personagens. A sexualidade à flor da pele desde os tempos da chanchada garante bons índices no país do Carnaval.

Nesse universo onde tudo é permitido, destacam-se justamente as personagens que fogem à regra. As personagens queridas são as incorretas. Giovanni, o ex-bicheiro manso, avesso à norma culta, protetor a seu modo.

Nazaré, egoísta, tarada, desmiolada, de mau gosto, não aceita o figurino dominante do altruísmo. Leva ao extremo a tensão entre o desejo e a impossibilidade da família. E garante a audiência.’



Alcino Leite Neto

‘Novela deve seu sucesso à perversa personagem Nazaré’, copyright Folha de S. Paulo, 10/03/05

‘O sucesso de ‘Senhora do Destino’ é o sucesso da personagem Nazaré. Tirem a maldita de cena e sobrará pouca coisa -uma penca de dramas chatíssimos.

Nazaré é a fonte principal do suspense, do terror, do nojo e da fascinação. Ela é o melhor da novela porque é a parte do inconsciente em ‘Senhora do Destino’.

O que é esta novela, o que são todas as novelas da TV Globo? No início, elas exibem de relance os amplos horizontes da história e da sociedade -em ‘Senhora do Destino’ foram os anos da ditadura militar; em ‘América’ será a imigração ilegal nos EUA.

Depois, elas vão se fechando dentro das casas dos personagens e se enovelando em pequenas intrigas sentimentais e financeiras.

Por fim, revelam seu objetivo apolítico: novelas são sempre a apologia da família, dos laços familiares, da procriação familiar como destino. Por isso, ‘Senhora do Destino’, como todas as novelas, termina com uma penca de casamentos, grávidas e bebês.

E o que é Nazaré? É aquela que dissocia prazer e reprodução, que contrapõe maternidade e sociedade. Ela deseja a prole sem querer o cônjuge e a vida doméstica. Em vez do lar e da sublimação, ela vai rodar a bolsinha na avenida.

Uma personagem assim, que age movida pela força incontrolável do desejo e desafia a ordem da família, só poderia ser um distúrbio, para não ofender o público. Nazaré será, portanto, um misto de puta, de criminosa e de louca.

Tudo isso, além de ser a perversa por excelência, a obsessiva das perucas, dos disfarces e travestimentos, a narcisista camp -ou verdadeira metáfora da bicha louca para o consumo doméstico. Metamorfoses e subentendidos que Renata Sorrah compreendeu brilhantemente, com seu estilo entre o expressionismo, o underground e o desenho animado.

No fundo, Nazaré é uma provocação que Aguinaldo Silva, ex-militante homossexual, lançou aos espectadores a cada noite, sub-repticiamente, sob a máscara ficcional da vilania e da ironia.

Provocação que começa no nome (e sua referência religiosa) e segue no modo como a libertinagem foi exibida no horário nobre -mesmo quando ela se metia na cama com dois amantes juntos.

Quanto mais o desejo enlouquecia Nazaré, mais os espectadores se entusiasmavam com a personagem. No dia-a-dia dos capítulos, Nazaré era para eles a miragem dos prazeres e dos perigos que a vida reserva a quem escapa da redoma familiar.

‘Senhora do Destino’ foi também a apoteose nas novelas do nacional-populismo da TV Globo -esta misteriosa propaganda dos valores ‘positivos’ brasileiros que a emissora difunde cada vez mais em seus programas.

‘Pela primeira vez, senti algo que não tinha sentido antes: o orgulho de ser brasileiro. Vamos brindar ao povo brasileiro!’, exclamou Marília Gabriela, entre outras manifestações ufanistas no capítulo do último sábado.

Quanto mais populistas as novelas, mais mexicanizadas elas ficam no plano da encenação. ‘Senhora do Destino’ rompeu com a linha evolutiva da novela brasileira ‘realista’, ‘esclarecida’ e ‘cool’ iniciada por ‘Beto Rockfeller’ (1968). Do roteiro à direção, ela cedeu sem pudores ao dramalhão, à caricatura, ao trash. É uma das novelas mais trash da Globo, refletindo à sua maneira esta época de pagodização das elites e de severinização da política.’



Daniel Castro

‘O senhor das 8’, copyright Folha de S. Paulo, 10/03/05

‘O ex-repórter policial Aguinaldo Silva, 61, temia que ‘Senhora do Destino’, que termina amanhã, fosse um ‘desastre’, porque, apesar ‘de certinha’, ela experimentou um ‘roteiro moderno’ e ‘acabou várias vezes’.

Mas não. A novela que contou a saga de uma retirante nordestina que teve a filha seqüestrada por uma megavilã foi um surpreendente sucesso. Com pelo menos 45 milhões de telespectadores, é a mais vista de todos os tempos.

Para fazer de sua primeira novela solo (todas as anteriores, todas das oito, ele dividiu a autoria com alguém) um fenômeno, Silva tratou de promovê-la pessoalmente, driblando a burocrática divulgação feita pela Globo.

Por causa dessa abertura a jornais e revistas, o último capítulo só traz uma expectativa, se Maria do Carmo (Suzana Vieira) termina com Dirceu (José Mayer) ou Giovanni (José Wilker). Aguinaldo Silva diz que escreveu, e a Globo gravou, os dois finais. E que só tomará a decisão de qual deles levará ao ar amanhã à tarde.

Na entrevista a seguir, o novelista fala da novela, de homossexualismo, de imprensa, de nordestinos e um pouco de política.

Folha – Você esperava que a novela fizesse tanto sucesso?

Aguinaldo Silva – Não. Achava que podia ser um desastre, porque é diferente das outras. Mesmo quando a novela é certinha, pode não dar certo, imagine quando ela não é. Tive muito medo disso.

Folha – Mas ela não é certinha, com os elementos consagrados?

Silva – Sim, mas tem uma linguagem que as novelas nunca tiveram, um roteiro moderno, contemporâneo. Ela é muito rápida para o telespectador. Essa é uma novela que, na verdade, acabou várias vezes. As pessoas ficaram presas a ela, porque ela não dava chance ao telespectador de respirar. Apostei todas as minhas fichas nessa novela, porque eu precisava fazer uma novela solo.

Folha – Nessa novela você foi mais acessível à imprensa, não?

Silva – Sim, porque descobri que, durante muitos anos, a novela foi um trabalho meio amadorístico. Era uma coisa poderosíssima, mas feita aos trancos. A relação do autor com a imprensa também era uma coisa amadorística.

Sempre senti um certo desdém da mídia pelo trabalho dos novelistas. Entendi que a culpa não é da mídia. Os autores, amadores, se colocavam num pedestal e não falavam com fulano ou sicrano.

Você tem não só que escrever sua novela, tem que promovê-la. A única maneira de fazer isso, claro, é sabendo lidar com a mídia. Então eu parti para isso. Isso me tomou um tempo enorme, porque decidi que ia divulgar a novela da melhor maneira possível.

Folha – Você acha que essa divulgação gerou repercussão e, com isso, alguns pontos no Ibope?

Silva – Ah, sem dúvida. Mesmo sabendo o que vai acontecer, o telespectador quer ver como é que vai acontecer. E a palavra escrita tem um peso que é fundamental. O que está no jornal, na revista, tem um peso que a televisão não tem, porque ela se perde no éter.

Folha – Esta é a sua primeira novela que não tem nada de realismo mágico, certo?

Silva – Sim. Porque acho que a realidade ficou tão exacerbada e intensa que realismo mágico não faz mais sentido. O realismo mágico foi um modismo latino-americano, que passou. Recentemente, passei os olhos por ‘Cem Anos de Solidão’ [clássico do realismo mágico, de Gabriel García Márquez] e achei uma bobagem.

Folha – O que você planejou e não conseguiu fazer nessa novela?

Silva – A história de Iara Steiner [Helena Ranaldi] era muito boa, a da mulher independente que resolve ter um filho de produção independente e que depois se dá mal e não tem a menor dúvida em cobrar pensão do pai da criança. Por várias razões, essa história não foi utilizada como deveria.

Folha – E o que você não planejou e acabou dando certo?

Silva – Essa novela foi milimetricamente planejada. Tem coisa como essa da Ranaldi que eu não fiz, mas nada foi improvisado.

Folha – O público, que aceitou as lésbicas de sua novela, está mais tolerante com o homossexualismo?

Silva – O Brasil sempre foi tolerante. Desde a época da colônia. Os cronistas do começo do século 20, tipo João do Rio, eram homossexuais. Pelo menos o Rio sempre foi uma cidade muito liberal. Mas, quando você vai abordar um assunto desses numa novela, tem que tomar certas precauções, porque você não está escrevendo só para o público mais esclarecido, está escrevendo para o país inteiro. Provavelmente, se as minhas meninas não fossem duas pessoas tão certinhas, e isso foi proposital, acho que criaria um mal-estar.

Folha – Quando você criou o personagem Giovanni Improtta não temia repercussão negativa pelo fato de ele ser um bicheiro?

Aguinaldo Silva – Olha, temia, mas eu queria fazer um bicheiro que quer a redenção. O Giovanni é um ex-bicheiro que quer ser um cidadão respeitado. É o cara que paga todos os impostos em dia.

Folha – Mas em alguns momentos da novela ele usou a força.

Silva – Na sinopse estava previsto isso, de vez em quando ele teria recaídas, mas percebi que isso incomodou as pessoas e mudei.

Folha – O merchandising social do mal de Alzheimer foi prejudicado pela doença de Raul Cortez?

Silva – É, foi um pouco. É chato falar isso, mas tive de apressar o final dele. De qualquer maneira, eu não queria levar a doença às últimas conseqüências.

Folha – Por que a novela teve tanta agressão aos nordestinos?

Silva – Olha, a gente vê isso nas ruas todo dia. Existe muito preconceito contra nordestino. Atualmente está acontecendo uma coisa que me espanta: o Lula e o Severino Cavalcanti, na verdade, são muito próximos. Mas as pessoas têm um respeito enorme pela figura do Lula, mas não têm o menor respeito pela figura do Severino. Todo o preconceito em cima do Severino é porque ele é nordestino, não por ser de direita.

Folha – Será que não?

Silva – Outros políticos de direita não são tão ridicularizados.

Folha – Então Severino é mais nordestino do que Lula?

Silva – O Lula ficou meio apaulistado. Tenho a impressão de que muita gente que jamais revelaria preconceito com relação ao Lula está se vingando no Severino.

Folha – Qual é a última cena de ‘Senhora do Destino’?

Silva – É a Maria do Carmo com a família reunida atrás dela, na varanda, olhando a Vila São Miguel. Aí ela diz: ‘Belém de São Francisco, Baixada Fluminense, Brasil. É um ótimo lugar para viver’.

Folha – A próxima novela, ‘América’, diz o contrário, que aqui é péssimo para viver.

Silva – Eu jogo essa discussão para a novela seguinte.’

***

‘Aguinaldo Silva fará minissérie sobre o Rio’, copyright Folha de S. Paulo, 11/03/05

‘Os próximos trabalhos de Aguinaldo Silva, autor de ‘Senhora do Destino’, que termina hoje, serão uma minissérie sobre o Rio e a supervisão de um seriado derivado da novela, com personagens do núcleo do ex-bicheiro Giovanni Improtta (José Wilker).

Silva diz que seu prazo para entregar a sinopse da minissérie, que ele gostaria que se chamasse ‘Noites Cariocas’, já venceu, mas só irá pensar nela agora.

‘Eu quero fazer uma minissérie sobre o Rio de 1960 a 1964, daquela fase final da ‘Cidade Maravilhosa’, porque depois do golpe de 64 isso acabou. Hoje, o Rio é Bagdá.’

Ambientada nos bairros de Copacabana, Ipanema e Leblon, a minissérie teria como pano de fundo a bossa nova e a boemia dos anos 60, com ‘todos aqueles personagens fantásticos que freqüentavam o Beco das Garrafas’.

O autor conta que, antes mesmo de o projeto ser divulgado, já encontra resistência. Diz que recebeu recados de ‘pessoas que não querem aparecer de jeito nenhum’, principalmente de ‘senhoras que eram notórias na época’, que ameaçam com processos.

Se ‘Noites Cariocas’ não vingar, Silva tem duas alternativas: escrever uma minissérie urbana contemporânea ou ‘Bandidos da Falange 2’, continuação da história policial, ambientada na Baixada Fluminense, que a Globo exibiu em 1983. Mas acha isso pouco provável. ‘História policial no Rio de Janeiro não dá mais’, diz.

OUTRO CANAL

Gol A Band negocia com a produtora independente RGB a realização de um ‘reality show’ sobre futebol, que tentará revelar novos craques. As negociações já estão em fase final.

Linha 1 A HBO planeja transformar ‘Carnaval’ (co-produção com a paulista O2) e ‘Mandrake’ (com a carioca Conspiração) em séries como as que realiza nos Estados Unidos. Se tiverem boa audiência em toda a América Latina, onde serão exibidas no final do ano, ambas deverão ganhar uma segunda temporada.

Linha 2 Segundo Luís Peraza, vice-presidente da HBO latina, que está no Brasil para acompanhar as filmagens de ‘Carnaval’ (sobre um bicheiro carioca interpretado por Jece Valadão), o canal terá cerca de R$ 6,5 milhões por ano para investir em produções no país. Esse dinheiro é vinculado à Ancine (Agência Nacional do Cinema).

Sobe A Record (22,5%), o SBT (14,8%) e a Rede TV! (3,7%) foram as redes que apresentaram crescimento de audiência na média diária do Ibope em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2004.

Desce Já a Globo (-5%) e a Band (-7,4%) perderam audiência no mês passado, apesar de o total de televisores ligados ter crescido 1,4%. A Globo, que continua líder absoluta, perdeu público em todos os períodos do dia, inclusive à noite (por causa de ‘Mad Maria’, que não decolou).’

***

‘‘Senhora do Destino’ deve gerar seriado’, copyright Folha de S. Paulo, 9/03/05

‘Recordista de audiência, a novela ‘Senhora do Destino’ deverá gerar um subproduto na programação da TV Globo. A cúpula da emissora encomendou ao autor Aguinaldo Silva um projeto de seriado baseado em parte da trama.

O programa já tem até nome provisório: ‘Os Improtta’. E vem sendo considerado uma versão Baixada Fluminense de ‘Família Soprano’ (‘The Sopranos’, original da HBO, em exibição pelo SBT, sobre uma família de mafiosos norte-americanos em crise).

O seriado absorveria o núcleo de ‘Senhora do Destino’ ligado ao personagem Giovanni Improtta (José Wilker), um ex-bicheiro, dono de escola de samba, que se esforça para apagar o passado, mas que tem um lado ‘justiceiro’ _persegue bandidos, os captura e depois entrega à polícia.

Segundo Aguinaldo Silva, apenas Giovanni, sua família (como o filho João Manoel/Heitor Martinez) e seus amigos (como Madruga/André Mattos) seriam aproveitados no seriado cômico. Maria do Carmo (Suzana Vieira) a princípio está descartada _até para não atrelar um elenco muito grande a uma série.

‘Eu topo tocar o projeto, mas não vou pensar nisso por enquanto’, diz Silva, que pretende sair de férias na semana que vem.

Aguinaldo Silva deverá implantar o projeto, definindo o universo do seriado. Depois, uma equipe de roteiristas tocaria a história, com a supervisão de Silva.

OUTRO CANAL

Protesto O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal está distribuindo à imprensa um manifesto em que protesta contra a presença do prefeito de São Paulo, José Serra, na festa de lançamento da novela ‘América’, ‘que glamouriza o abuso contra os animais nos rodeios’. Serra já estava na mira da entidade, que congrega ONGs, por ter vetado lei que proíbe circos com animais na capital.

Outra face Beatriz Segal, eterna Odete Roitman, está fechando com a Record. Ela deverá ser Camila Seixas, uma mulher boa e pobre, em ‘Essas Mulheres’, novela que substituirá ‘A Escrava Isaura’.

Grife Ex-vice-presidente da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, foi convidado para presidir o júri do festival de MPB da TV Cultura, que será lançado hoje em São Paulo.

Cozinha 1 Em baixa no Ibope, o matinal ‘Dia Dia’, da Band, vai perder 45 minutos de sua duração a partir da semana que vem. O espaço será ocupado por um novo programa, o ‘Bem Família’ (10h45), comandado por Daniel Bork, atualmente apresentador do quadro ‘Receita Minuto’.

Cozinha 2 Bork irá falar de assuntos familiares, desde como cuidar de cães até educar os filhos. Disso ele entende: como é casado com uma executiva bem-sucedida, Bork teve que assumir o papel de ‘dono-de-casa’, função que exerce até hoje.’

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