Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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FEITOS & DESFEITAS >

Rio do crime ofusca Rio olímpico

27/10/2009 na edição 561

Após a derrubada do helicóptero da polícia no Rio de Janeiro, temos, até o presente momento, 34 mortos; 27 são ‘supostos’ traficantes. E não tiveram seus nomes divulgados. Em outras palavras, muitos podem ter sido mortos de forma inocente. Será que existem ordem e lei neste país. Não foi por acaso que o jornal Liberation da França criou a seguinte manchete: ‘Rio perdeu controle da guerra entre gangues’. No Time a manchete foi: ‘violência na cidade Olímpica prejudica o Brasil’.


‘Meu filho é estudante, nunca foi ligado ao crime. Ele voltava da escola quando a polícia atirou nele. O governador Sérgio Cabral tem uma política nazista de segurança pública: matar pobres’, declarou o prestador de serviços José Carlos Guimarães Junior, 50 anos, pai de um falecidos da guerra urbana.


Enquanto inocentes morrem, os policiais prendem e soltam bandidos. Ninguém mais sabe quem é polícia e quem é ladrão. É este o país do desenvolvimento, do progresso, divulgado por Lula? Um país sem educação, sem segurança, cuja maioria do povo sobrevive de um salário mínimo que não atende às necessidades mínimas? E outra grande parte vive de bolsa família (valor menor do que o salário mínimo). O Brasil não reconhece as FARC como uma organização terrorista. As FARC são a maior produtora de droga da América. A droga é responsável por 80% dos crimes, e entra no país com a facilidade de nossas fronteiras desprotegidas. O Exército sucateado, e o presidente fazendo campanha eleitoral antecipada.


Qual o estímulo que temos para estudar neste país se, na capital das Olimpíadas, 45 candidatos com doutorado e 25 com mestrado se inscreveram para o cargo de gari, com um salário de 486 reais? É este o país onde os pobres estão ficando ricos, conforme diz o presidente Lula? Teria sido melhor que nada disso tivesse acontecido e não tivéssemos sido escolhidos como sede das Olimpíadas. As verbas que deveriam ser destinadas para a saúde e segurança serão desviadas para construções e reformas de estádios e hotéis. Claro que o turismo é algo lucrativo, porém é evidente que um país como o nosso possui outras prioridades mais urgentes do que simples vaidades governistas.


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Em 20/10, Gilmar Mendes apareceu no Jornal Nacional duas vezes. Na primeira para criticar a suposta campanha de Lula nas inaugurações de obras públicas. Na segunda para dizer que, em razão do aumento da violência, a política externa do Brasil deveria ser revista.


A CF/88, que Gilmar Mendes jurou defender, impede o STF de interferir nas prioridades e políticas do Executivo. No Brasil, o Judiciário só tem competência para, mediante provocação do MP, dos partidos políticos e dos cidadãos, julgar a legalidade dos atos administrativos que forem praticados pelo Executivo e os eventuais crimes de responsabilidade cometidos pelos mandatários da população. A política externa do nosso país está a cargo do Itamaraty, portanto, não é da competência do Presidente do STF.


O que o atual Presidente do STF pretende com tantas aparições jurismidiáticas e políticas? Ele quer ter um poder moderador sobre o Executivo e o Legislativo? Felizmente, o cargo de Imperador que Gilmar Mendes parece desejar não existe no regime constitucional em vigor. E, se depender do povão, que apóia de forma serena e constante Lula, Gilmar Mendes não vai ser nem Mestre Sala da escola de samba Império Serrano. Dá para imaginar o volumoso Presidente do STF sambando com elegância e graça na avenida? Não dá, né.


Alguém de peso na imprensa precisa dizer ao futuro ex-Presidente do STF: ‘Menos Gilmar… menos. Vai te abancar em Diamantino e olhe até lá você tem desafetos.’ (Fábio de Oliveira Ribeiro, advogado, Osasco, SP)


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A quem interessa a matéria do dia 19/10 da Folha On Line? (Governos tucanos aumentam gastos com servidores em São Paulo). No texto, é citado um suposto aumento das despesas com funcionalismo em 19% acima da inflação, o que leva qualquer desavisado a crer que todos os servidores estaduais são hoje mais bem remunerados. Talvez os investimentos tenham crescido em razão da demanda cada vez maior, mas em nenhum momento, nestes anos, houve reajustes acima da inflação. Pelo contrário. Sou servidor do Poder Judiciário, e no período citado – 2003 a 2009 – o que ocorreu foi justamente uma defasagem salarial, pois os vencimentos dos servidores tiveram reajustes bem abaixo da inflação, e esta defasagem ultrapassa o dobro do percentual citado como ‘aumento acima da inflação’. A menos que tais números sejam baseados em categorias específicas, como ocupantes de cargos eletivos, comissionados e magistrados. No caso destes últimos, o aumento foi realmente maior do que a inflação, e em percentual até maior do que o mencionado na matéria. E aí é aplicada a ‘aritmética da má fé’, onde somando o 1 que eu ganho com o 99 que o ‘outro’ ganha, na média dá 50, e fica a idéia de que todos ganham 50! Aliás, o arrocho salarial é uma característica marcante dos sucessivos governos tucanos, há anos comandando o Estado tido como o mais rico do país, mas que trata seus trabalhadores com o máximo descaso possível.


É necessário que seja esclarecido como se chegou a esta conclusão, baseada em que dados, e a quem interessa tal conclusão. Há tempos a imprensa supostamente ‘independente’ – mas que se mostra cada vez mais parcial, medrosa, interesseira – tem apresentado estas atitudes. Os servidores do Poder Judiciário aguardam desde 1º de março o cumprimento da Lei nº 12.177/05, que regulamenta, no âmbito do Judiciário estadual, o Artigo 37, inciso X, da Constituição Federal, ou seja, a ‘data base’, o mesmo direito garantido a todos os trabalhadores e respeitado à risca na iniciativa privada, sob as penas da legislação trabalhista. Não tenho visto qualquer manifestação na imprensa sobre o assunto. No dia 2/10 p.p., houve uma manifestação em frente ao Palácio da Justiça de São Paulo, com a ocupação pacífica, por cerca de seis horas, do Fórum João Mendes. A imprensa, mais uma vez, permaneceu inerte. Nenhuma nota, nenhuma cobertura, nada! Por que este tratamento? Por que este desinteresse? Desinteresse ou… interesse em ocultar tais fatos? Desinteresse ou… medo dos ‘poderosos’? Desinteresse ou o que? Aguardo um posicionamento. (Gleison Luiz Zambon, escrevente judiciário, Piracicaba, SP)


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Gostaria que vocês analisassem a matéria de domingo da Veja sobre o padrão de tomadas brasileiro. Pode paracer um assunto chato, mas demonstra como um revista importante pode ser usada. Tecnicamente, a matéria é muito ruim, mostra como os jornalistas ficam indefesos diante de informações técnicas e números. A ilustração da matéria apresenta um erro de matemática grosseiro, e todas as informações sobre valores estão equivocadas. (Paulo Rodrigues, economista, Campinas, SP)


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Tenho mantido marcação cerrada em cima de O Globo. Tenho a impressão de que fui pioneiro na constatação do jornal ter se transformado num partido político da oposição. Como minhas cartas nunca eram publicadas, passei a enviar para o mesmo carta@oglobo.com.br, mas endereçadas ao editor chefe. Minha última mensagem foi na sexta feira, 16/10. Nessa mensagem, somente reproduzi os verbetes mischief e mischievous de um bom dicinário inglês. Terminei a mensagem dizendo: só resta tocar um tango argertino ou pedir socorro ao Obsevatório da Imprensa. A partir de terça-feira minhas mensagens voltaram. Fiz uns 10 testes. Todas voltaram. (Olavo Cabral Ramos, engenheiro eletricista, Rio de Janeiro, RJ)


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Em tempos que a imprensa se apresenta como neutra, mas se assume deslavadamente partidária, faz-se notar o relativo silêncio da imprensa carioca sobre o processo de cassação dos 13 vereadores de São Paulo, na sua maioria integrantes dos partidos de oposição ao governo federal. (Alexandre Rocha, professor, Duque de Caxias, RJ)


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Sou estudante de Rádio e TV e estou estudando a matéria de políticas de comunicação. Fiquei sabendo através de minha professora sobre o Observatório da Imprensa, e fiquei surpreso em conhecer o trabalho de vocês. Parabéns pela dedicação com que vocês trabalham pela comunicação no nosso país. Apesar do nosso rádio e da nossa TV serem tratados com desrespeito pelo Estado, e, claro, pelo capitalismo, é sempre bom saber que existem pessoas que lutam pela qualidade e pela justiça. Que juntos possamos conquistar uma regulação firme, para que nossa TV possa levar informação e cultura com qualidade prezando sempre a localidade, sem tendencionismo. (Eduardo Ferreira, estudante, Santos, SP)

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Jornalista, Salvador, BA

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