Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

FEITOS & DESFEITAS > JORNAL PESSOAL, 20 ANOS

Rompido o silêncio do poder

Por L.F.P. em 09/10/2007 na edição 454

O silêncio institucional sobre os 20 anos do Jornal Pessoal foi quebrado. Na Câmara Federal, o deputado Paulo Rocha, do PT, registrou no dia 18/10 o aniversário da ‘publicação solitária e corajosa que, nas duas últimas décadas, vem registrando sem descanso a história política e econômica do Pará’. Disse o parlamentar no seu pronunciamento que este jornal, ‘exemplo de coragem’, se tornou, ‘com o passar dos anos, em um jornalismo que prima pela busca incessante de noticiar a verdade dos fatos’.

A publicação, acrescentou o parlamentar, ‘é um produto simples, cuja força se concentra nos artigos contundentes e críticos, impressos em suas 12 páginas. O jornalista, cuja principal característica é um absoluto e assumido amor pela profissão, é um dos nomes lendários da imprensa paraense. Respeitado por sua seriedade no trato com os fatos, o jornalista e editor do Jornal Pessoal consegue traduzir, em linguagem direta e sofisticada, as nuances sempre complexas de um Estado cuja economia está em processo de ascensão’.

O deputado analisou no seu discurso a edição especial dos 20 anos e concluiu: ‘Por estas e outras tantas características, o Jornal Pessoal é um projeto que já se transformou em referência de imprensa séria e destemida, que busca retratar, sem `enfeites´, os meandros da política do Pará. Sem `pisar em ovos´, Lúcio Flávio nos propõe uma reflexão do papel da grande imprensa nacional’.

Para Paulo Rocha, a objetividade, a transparência e a concisão na análise dos fatos ‘são algumas das principais características do jornal que vêm provocando calafrios nos tantos personagens de quem vem dando conta em suas edições. Sério, destemido e correto, o texto de Lúcio Flávio Pinto apresenta um Pará sem eufemismos, sempre de uma forma muito direta. Os escândalos por ele apresentados, durante duas décadas, pautaram boa parte da chamada grande imprensa local, a qual se viu obrigada a abordar assuntos que se impunham pela importância’. Dessa maneira, jornais, rádios e televisões se viram obrigados a tratar de assuntos ‘que iam de encontro aos interesses dos grupos empresariais dos quais faziam parte’.

No Tribunal de Contas

Outro rompimento da cadeia de silêncio (por coincidência, no mesmo dia 18) se deu no plenário do Tribunal de Contas do Estado. Ressalvando não ter comigo ‘nenhuma proximidade íntima’, o conselheiro Nelson Chaves disse, em sessão ordinária do TCE, ser indispensável assinalar os 20 anos do jornal, que, por ser pessoal, era uma representação do seu autor. Destacou as adversidades pelas quais o JP passou, numa ‘tenaz batalha’ para se manter em circulação, ‘trazendo à consideração da sociedade temas importantíssimos, que se referem à atuação dos três Poderes, dos Ministérios Públicos, dos próprios Tribunais de Contas; muitas vezes, faz críticas sempre construtivas a respeito, inclusive, do nosso trabalho. Todas as vezes que ele, um arguto observador do setor público – quando tive a honra de exercer a Presidência desta Casa –, fazia críticas, sempre lhe reconheci o direito da crítica construtiva, decente, bem feita, do bom jornalismo; ligava-lhe, aceitava, debatia as críticas feitas, e algumas coisas que aprimoramos, neste Tribunal, foram em razão das críticas que eram feitas pelo Jornal Pessoal. Não concordamos, muitas vezes, com tudo que é dito ou escrito pela pena brilhante e talentosa do Lúcio Flávio, mas ninguém, em momento algum, pode deixar de reconhecer-lhe a honestidade dos propósitos e a dedicação à causa pública. É o jornalismo de primeira qualidade’.

O conselheiro assinalou ser seu dever, ‘modesta e humildemente, associar-me a todas aquelas pessoas que reconhecem o seu trabalho, como eu, que sou leitor anônimo e contumaz do Jornal Pessoal, a cada quinzena. Quantas coisas eu próprio fui alertado, até posso dizer que aprendi: a discussão sobre a potencialidade dos minérios do nosso Estado, seguramente, a maior província mineral do mundo, a nossa potencialidade agrícola, a possibilidade do desenvolvimento a partir do potencial energético que poderíamos ter com o aproveitamento correto dos nossos rios, o grito revoltado contra a grilagem de terras, o grito contra a violência, muitas vezes, implantada no território do país e do Estado do Pará’.

Nelson Chaves disse ainda que, como cidadão, desejou manifestar, ‘por uma questão de justiça, o meu respeito a essa obra e o desejo de que ela permaneça por muitos anos para o bem do jornalismo do Estado do Pará e para o bem do jornalismo do Brasil, reconhecendo, ainda, que o jornalista também tem o seu nome divulgado e aplaudido até na esfera da imprensa internacional, postulando sempre pelos princípios da liberdade de expressão, da democracia e da consolidação do Estado de Direito’.

Iniciativa oportuna

O presidente do TCE, Fernando Coutinho Jorge, também se manifestou, para endossar, ‘integralmente’, as palavras de Nelson Chaves. Lembrou sua convivência comigo, ‘há muitos anos atrás, época em que eu, ainda, era Secretário de Planejamento – a primeira Secretaria de Planejamento criada no Estado do Pará – quando participamos de uma fase fantástica da História do Pará, como a retirada dos municípios localizados no fundo do lago, que se formaria em Tucuruí com a construção da Hidroelétrica, e para colocá-los na PA-150, que ainda não existia e, então, implantada naquele período’.

Afirmou que ‘um dos grandes lutadores, questionadores dos problemas de Tucuruí, dos seus impactos ambientais, com a formação do lago, foi o Lúcio Flávio: um estudioso e conhecedor profundo da realidade amazônica, um dos melhores e mais preparados jornalistas nesse campo, altamente sério, honesto, idealista, tanto que teve dificuldade na imprensa tradicional de exteriorizar aquilo que pensa e, por isso, fundou o Jornal Pessoal, que é um mecanismo que criou para poder externar suas teses, suas idéias, muitas vezes, polêmicas, mas todas sérias, profundas e importantes’.

Testemunhou o presidente do tribunal o conhecimento pessoal a meu respeito, ‘há muito tempo, e sei da sua posição em relação à defesa dos interesses da Amazônia e, particularmente, do Pará; e acho que o Jornal Pessoal é essa grande bandeira que o Lúcio Flávio Pinto tem desenvolvido para as pessoas que querem conhecer a realidade do nosso Estado e da região e seus problemas fundamentais. Lê-lo, é muito relevante para todos os paraenses e brasileiros’.

Por isso, endossou, ‘totalmente, as considerações oportunas do conselheiro Nelson Chaves por esses vinte anos do Jornal Pessoal, cuja importância, insisto, é fundamental para defender os interesses do nosso Pará e da nossa Amazônia’.

A conselheira Lourdes Lima aderiu à homenagem. Mesmo não sendo leitora assídua do jornal, admitiu que ‘de vez em quando, mantenho-me informada’ através do JP. Por isso, parabenizou o conselheiro Nelson Chaves ‘pela iniciativa, muito oportuna por sinal, pois conheço o trabalho do jornalista Lúcio Flávio Pinto, apesar de não ter com ele uma aproximação direta. Pelos momentos que o acompanhei, através da imprensa, posso garantir que ele, realmente, merece o nosso reconhecimento’.

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Jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA)

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