Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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FEITOS & DESFEITAS >

Roupas de política ganham destaque na mídia

23/11/2006 na edição 408

‘O imperador está nu’, afirmou certa vez Nancy Pelosi, recém-eleita presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, sobre o presidente George W. Bush. Curiosamente, é o guarda-roupa de Nancy – recheado de modelitos estilosos e cuidadosamente escolhidos – que atrai a atenção da mídia desde que ela se tornou a mulher mais poderosa da política americana, no início do mês. ‘Por que nos focamos nas roupas de Nancy e não nas do nosso presidente, ou de qualquer homem em Washington?’, questiona Jocelyn Noveck [Associated Press, 21/11/06]. ‘Seria sexismo, desviando a atenção das suas realizações? Ou meramente uma reflexão da verdade óbvia: mesmo as roupas sendo importantes para homens e mulheres, as vestimentas femininas são mais expressivas e mais interessantes?’.


Jocelyn lembra que a indicada de Bush para a Suprema Corte dos EUA, Harriet E. Miers, teve suas roupas, acessórios e maquiagem muito criticados pela mídia e acredita que, se ela fosse homem, a abordagem teria sido diferente. Uma das pessoas que acham exagerada a atenção às vestimentas de Nancy Pelosi é Eleanor Smeal, uma das mais conhecidas feministas do país. ‘Sim, ela se veste impecavelmente, mas é uma mulher de sucesso. Por que o foco de atenção é suas roupas e não o fato de ela ser a primeira mulher da história americana a se tornar presidente da Câmara dos Representantes?’, indaga. ‘Eles querem nos manter nas páginas de moda’. Mas Eleanor, com ar de brincadeira, vê um aspecto positivo na abordagem. ‘Pelo menos eles [os jornalistas] estão apresentando Nancy ao país. Imagina se eles não gostassem de suas roupas!’.


Atração pelo visual


Nancy, de 66 anos, não é a primeira mulher poderosa na política dos EUA a ter suas roupas como foco de atenção da mídia. Hillary Clinton, talvez a mulher com mais notoriedade da política americana, teve suas mudanças no visual acompanhadas pelos meios de comunicação desde o tempo em que era primeira-dama até ser senadora pelo estado de Nova York. A prática não se restringe às mulheres na política. A apresentadora da CBS Katie Couric, primeira âncora mulher a apresentar um telejornal noturno, teve seu guarda-roupa mais analisado do que sua performance na estréia no horário nobre.


Para Kelly McBride, membro do instituto de jornalismo Poynter, na Flórida, a mídia pode analisar o vestuário destas mulheres, desde que dentro de um contexto apropriado, sem reforçar estereótipos. ‘Na nossa sociedade, julgamos as mulheres através de diferentes padrões’, diz ela. ‘O que é errado é se referir às roupas de Nancy em toda e qualquer notícia, o que reforça a noção de que as mulheres devem ser julgadas pela aparência’. Robin Givhan, jornalista de moda do Washington Post que ganhou o Pulitzer na categoria de crítica, realizou uma análise extensa do guarda-roupa de Nancy, que foi publicada na seção de estilo do jornal, e não na seção de política – exatamente o contexto apropriado a que Kelly se referia.

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