Terça-feira, 23 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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RSF critica disparidade nos veículos brasileiros

23/03/2006 na edição 373

No Brasil, há uma grande diferença entre trabalhar nos grandes veículos de mídia de alcance nacional e ser funcionário de pequenas publicações locais ou regionais. Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, que divulgou esta semana [22/3/06] artigo sobre a imprensa no país, há uma disparidade nos níveis de liberdade de imprensa apresentados pela mídia nacional e pela mídia local. A segunda teria sofrido um ‘inaceitável nível de violência e abuso de poder por autoridades locais nos primeiros três meses do ano’.


A organização defende que, quando a assunto é liberdade de imprensa, não deveria haver tal disparidade dentro de um mesmo país, pois todos os veículos de comunicação – do maior jornal de São Paulo ao menor do interior do Tocantins – merecem o mesmo direito.


O artigo da RSF cita casos recentes de intimidação, violência e assassinato de jornalistas no Brasil, e pede que os governos locais fiscalizem a situação causada, muitas vezes, por seus próprios funcionários. Ao governo federal, a organização pede que monitore e garanta o respeito à legislação de imprensa em todos os estados brasileiros.


Falta de segurança


A RSF baseia seus argumentos em casos como o do fotógrafo Alexandro Auler, do Jornal do Commercio, agredido por dois guardas enquanto fotografava em uma penitenciária em Pernambuco, na semana passada. Auler foi preso em uma cela, ameaçado e teve seu equipamento danificado. Já no Rio Grande do Sul, os jornalistas Luciamem Caiaffo Winck, Luis Gonçalves e Jurema Josefa, do Correio do Povo, foram ameaçados pelo delegado de polícia Rudimar de Freitas Rosales, há duas semanas, por se recusarem a revelar a identidade de suas fontes.


No Pará, jornalistas do diário O Liberal já foram assaltados ou ameaçados com armas pelo menos quatro vezes este ano. O último caso foi no início de março, quando a repórter Alexandra Jamile e o fotógrafo Antônio Silva foram abordados enquanto trabalhavam em um bairro considerado perigoso em Belém. Dois homens armados levaram a câmera de Silva – que foi posteriormente encontrada pela polícia.


Dois jornalistas foram assassinados este ano, mas, segundo a organização, não há provas de que os crimes tenham ligação direta com o trabalho jornalístico. André Felipe, que trabalhava para duas estações de rádio em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, foi morto a tiros em fevereiro. No mesmo estado, José Késsio, que trabalhava para uma estação de rádio em Ponta Porã, foi morto com 11 tiros este mês. Seu filho de 10 anos testemunhou o crime, e identificou o assassino como um amigo de infância do pai, que escapou da prisão em 2003 e continua foragido da justiça.

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