Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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RSF divulga balanço de 2005: ano ruim para jornalistas

03/05/2006 na edição 379

Em ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou um relatório em seu sítio [3/5/06] com uma lista dos ‘seqüestradores’ da liberdade da mídia em 2005. Segundo a RSF, poucos anos começaram tão mal para a mídia quanto o ano passado.


Logo no dia 5 de janeiro, a correspondente francesa do Libération Florence Aubenas e seu guia local, Hussein Hanoun, foram seqüestrados no Iraque e libertados somente 157 dias depois. Infelizmente, os seqüestros parecem não ter fim e a cada semana se tem notícias de um novo caso. A repórter italiana Giuliana Sgrena, os jornalistas romenos Marie-Jeanne Ion e Sorin Dumitru Miscoci e a freelancer americana Jill Carroll foram alguns dos profissionais da mídia seqüestrados e posteriormente libertados.


O Iraque não é o único país onde os seqüestros são comuns e os jornalistas trabalham com medo. O Líbano, mesmo sendo o país com maior liberdade de imprensa no mundo árabe, também sofre com a autocensura da imprensa. Os melhores comentaristas políticos não criticam mais abertamente países como Síria – acusada de ser responsável por ataques à mídia. Em Beirute, Samir Kassir e Gebran Tueni, jornalistas do diário An-Nahar, foram mortos em ataques a bomba em 2005 e a apresentadora de TV May Chidiac ficou seriamente ferida em atentado similar. Diversos repórteres se exilaram na França ou em outros países para fugir das ameaças.


A lista anual dos maiores predadores da liberdade de imprensa que atacam jornalistas e empresas de mídia cresceu em 2005. O novo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, iniciou diversas sanções à imprensa assim que assumiu o poder. O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, depois de duas décadas de um governo moderado, transformou o país em um pesadelo para jornalistas e qualquer um que queira expressar suas opiniões. Desde o golpe de Estado em fevereiro do ano passado, o rei Gyanendra, do Nepal, passou a censurar diversas empresas de mídia e a prender jornalistas. Em 2006, outros medos surgiram, como a vitória do Hamas nas eleições palestinas.


Violência a jornalistas


O ano de 2005 foi sangrento, com 63 jornalistas e cinco assistentes de mídia mortos em todo o mundo, de acordo com dados da RSF. Mais de 1.300 profissionais da mídia foram atacados ou ameaçados – o maior índice desde 1995, quando grupos fundamentalistas argelinos atacavam qualquer um que não os apoiasse. A violência contra jornalistas tornou-se rotina em Bangladesh, nas Filipinas, na Nigéria e no México. Grande parte dos que assassinaram jornalistas ainda estão em liberdade. Por isso, o exílio é um dos caminhos buscados por repórteres. Em Paris, a RSF ajuda a manter um abrigo para profissionais de imprensa refugiados. Espaços semelhantes foram abertos em Londres, Madri, Nova York e Berlim. Cerca de 100 jornalistas estão presos em todo o mundo, alguns condenados a até 20 anos de prisão. Nem mesmo os blogs escapam do controle do governo de alguns países.


Em busca do fim da censura


O nível de censura em países da Europa e nos EUA é menor, mas também é necessário um monitoramento. Nos EUA, foi grande a luta pela proteção de fontes, levando a jornalista Judith Miller à prisão. O assunto vem sendo intensamente debatido na França, Bélgica e países vizinhos. A concentração de mídia também afeta a diversidade e a liberdade.


No entanto, ainda há esperanças. Na Ucrânia, o presidente Viktor Yushchenko parece determinado a pôr fim às práticas repressivas e brutais de seu antecessor. A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, primeira chefe de Estado do sexo feminino eleita na África, tenta deixar a mídia do país respirar novamente. A imprensa está mais independente na Índia, em alguns países da América Central e na província indonésia de Aceh. A RSF ajudou a reformular leis de imprensa na Mauritânia e espera fazer o mesmo em Chad e Camarões. No México, foi criado um escritório especial para investigar ataques a jornalistas. O destaque dado à polêmica sobre as caricaturas de Maomé publicadas por um diário dinamarquês em setembro foi um sinal de que as pessoas estão preocupadas com a liberdade de imprensa, afirma a organização.

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