Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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Sarkozy contrata assessor para monitorar a rede

28/03/2008 na edição 478

A blogosfera francesa não fala em outra coisa: a contratação de um jovem de 24 anos pelo presidente Nicolas Sarkozy para ficar de olho no que é dito sobre ele na internet. Nicolas Princen juntou-se à equipe de comunicação da presidência na semana passada com o cargo de ‘conselheiro de internet’. Sua função é monitorar ‘o que circula na rede’, em blogs, sítios de notícias e vídeos, sobre o presidente da República.


O novo posto surgiu após uma série de situações embaraçosas – para Sarkozy – se tornar sucesso em sítios como o YouTube. Entre os incidentes mais ‘famosos’, estão um vídeo do presidente agredindo verbalmente um homem em uma feira em Paris e outro do líder francês aparentemente bêbado em uma coletiva de imprensa na Cúpula do G8, no ano passado. Há ainda inúmeros blogs criados para zombar de Sarkozy, cuja popularidade vem caindo vertiginosamente nos últimos meses.


Segundo Nicolas Vanbremeersch, fundador de uma rede de blogs políticos chamada La Republique des blogs, cerca de 10 mil comentários são feitos diariamente sobre o presidente na blogosfera em língua francesa – ‘e 80% deles são críticos’.


Receio


A contratação de Princen, que trabalhou no sítio da campanha de Sarkozy à presidência, gerou piadas, mas também preocupação na comunidade online. Blogueiros críticos ao presidente e a políticas do governo temem que este seja apenas o primeiro passo para um endurecimento das autoridades sobre a rede. Segundo Olivier Monnot, do Blogonautes, sítio que monitora os blogs franceses, a contratação de alguém para fiscalizar a internet não é, em si, preocupante, mas ‘serve como base para intimidar blogueiros e amordaçar a liberdade de expressão, e aí se torna um problema’.


Para o jornalista Pierre Haski, do sítio de notícias Rue89, o cargo de Princen ‘marca o reconhecimento, por parte do Palácio do Eliseu, de que o que é dito na internet é mais importante do que se pensava’. Haski afirma que cabe ao jovem contratado pelo presidente mostrar à comunidade online, através de como conduzir seu trabalho, que não há o que temer.


Por agora, entretanto, impera a desconfiança: Princen tem sido chamado, na blogosfera, de ‘pequeno policial de Sarkozy’, e a contratação fez o governo ser comparado à KGB, principal agência de inteligência e segurança da antiga União Soviética. Informações de Juliette Collen [AFP, 21/3/08].

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