Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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ENTRE ASPAS >

Sarney enfrenta protesto virtual no Twitter

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 30/06/2009 na edição 544


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda -feira, 29 de junho de 2009


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A primeira morte


‘Foi a manchete on-line no meio da tarde, por aqui, com enunciados como ‘Morre o primeiro brasileiro vítima de gripe suína’ ou de ‘gripe H1N1’. Em letras menores, o caminhoneiro gaúcho ‘teve os primeiros sintomas na Argentina’. Fim da tarde e a notícia já perdia atenção, mantendo-se no topo do portal oficial Agência Brasil, mais um ou outro.


Nas ‘revistas eletrônicas’, abriu escalada, mas foi pouco explorada. Passados três meses do impacto da emergência, cedeu lugar a Michael Jackson.


O PRIMEIRO GOLPE


No alto da home page do liberal ‘New York Times’, ‘o primeiro golpe militar na América Central desde a Guerra Fria’. Também no alto do conservador ‘Wall Street Journal’, ‘golpe militar’. No espanhol ‘El País’, ‘golpe de Estado’. No UOL e na Folha Online, ‘golpe’. Rede Globo e G1, ‘golpe militar’.


Na ‘Veja’, em blog, os militares ‘não são golpistas, estão cumprindo sua função constitucional’.


‘TRADE WARS’


Nas manchetes on-line de ‘NYT’ e outros americanos, o alerta de Barack Obama contra uma medida, incluída ‘no meio da noite’ num projeto, determinando ‘punição comercial’ a países que não aceitarem limites à poluição. Foi por pressão de congressistas temerosos da perda de empregos para China e outros.


Do outro lado, a Reuters noticiou de Basileia, na Suíça, que os presidentes dos bancos centrais de China e Brasil, Zhou Xiaochiuan e Henrique Meirelles, ‘concordaram em estabelecer sistema monetário que permita negócios em suas moedas locais’. Sem dólar.


PARA A NOVA MÍDIA


Em coletiva dias atrás, Obama solicitou pergunta de um jovem blogueiro do site The Huffington Post, Nico Pitney, que vem seguindo o levante on-line no Irã. Colunista do ‘Washington Post’, Dana Milbank acusou a reação geral à ‘armação’, ao ‘teatro’. A ‘publisher’ Ariana Huffington disse ao ‘NYT’, em longa reportagem sobre o episódio, que Obama não sabia a pergunta e o jornalista não tinha certeza de que seria chamado:


‘Foi um momento excitante para a nova mídia e para o engajamento cidadão. É uma pena que tantos na mídia tradicional não tenham entendido.’


A NUVEM DO DIA 25


O Twitscoop, um site que acompanha em tempo real os principais tópicos do Twitter, a ‘nuvem’ de debate global, seguia no dia 25 um jogo do Brasil, entre outros temas, e foi tomado em segundos por referências à internação de Michael Jackson e em seguida ao site de celebridades TMZ


NOVA VELHA MÍDIA


O editor do TMZ, Harvey Levin, disse ao ‘Los Angeles Times’, sobre noticiar a morte de Jackson: ‘Recebemos ligações de todo o mundo, de organizações jornalísticas, perguntando: ‘Vocês têm certeza?’. A Associated Press, que confirmou depois a informação, admitiu que ‘foi um grande furo da TMZ’.


Blogs de mídia sublinharam como a televisão dos EUA, sobretudo, relutou em seguir o site. ‘A ironia é que a CNN, como o TMZ, é da Time Warner.’


POR TÓPICOS


Assim como a nuvem do Twitscoop de ontem, os ‘Trending topics’ da busca do Twitter traziam como assunto de maior busca, no site de debate global, os 3 a 2 do Brasil nos EUA. Dois tópicos, sobretudo: ‘Brazil’ e, como piada, ‘chupa’ (acima).


O jogo era também, no fim de tarde de ontem, a imagem em destaque por ‘NYT’ (acima) e outros.’


 


 


ROUANET
Folha de S. Paulo


Incentivo à cultura


‘EMBORA sejam evidentes os benefícios à produção artística criados por seu intermédio, a Lei Rouanet, que estabelece incentivos fiscais para o investimento em cultura, tem suscitado polêmica e é, agora, objeto de uma proposta de mudança a ser encaminhada pelo governo ao Congresso. Após meses de debates, o projeto de lei elaborado pelo Ministério da Cultura deverá chegar à Câmara no início de agosto com modificações relevantes em relação ao texto inicial.


O aspecto principal das discussões reside na maior ou menor influência do poder público sobre a gestão dos valores levantados por meio da lei. Os críticos argumentam que, em se tratando de renúncia fiscal, portanto de dinheiro público, sua distribuição não deveria ser definida por empresas -pois, entre outras distorções, elas tenderiam a eleger produtos com mais retorno de marketing e a concentrar ações no chamado eixo Rio-São Paulo.


A sensibilidade do MinC para esse tema é aumentada pelo fato de a fatia da renúncia fiscal já ter atingido mais de R$ 1 bilhão anual, superando as verbas orçamentárias do órgão. E aqui surge um dos principais dilemas do debate: seria melhor deixar com o mercado a gestão desses recursos públicos, aceitando os desvios daí decorrentes, ou vê-los nas mãos do Estado, sob risco de politicagem e dirigismo cultural?


Na verdade as duas opções contrariam o espírito da lei, cuja lógica inicial era estimular o investimento privado em produção cultural com a concessão de incentivos fiscais -e não, como veio a ocorrer após modificações na legislação, contemplar empresas com a oportunidade de ‘investir’ 100% com dinheiro público.


Na sua primeira proposta, o governo dava margem a justificáveis temores quanto ao modo de enfrentar o problema: o projeto previa critérios para a distribuição dos recursos, o que é desejável, mas não os explicitava, deixando-os para definição posterior, a ser feita por decreto, uma porta perigosamente aberta ao arbítrio.


Agora, o projeto deverá fixar, entre outros, parâmetros para assegurar a capacitação técnica do proponente e o acesso de público de menor renda às produções beneficiadas, bem como para evitar a concentração regional dos recursos. Essas regras deverão igualmente valer para a distribuição de verbas do novo fundo que o MinC deverá propor, com ampliação de recursos por parte do Tesouro.


É provável que também se apresente mecanismo de parceria de investimento para artistas e produtores capazes de obter retorno no mercado. Seria um meio de evitar a concessão de dinheiro a fundo perdido para projetos viáveis comercialmente.


É preciso lembrar que o texto em gestação ainda será apreciado pelo Congresso, num processo que promete suscitar novas discussões e ideias. É de esperar que se caminhe com transparência no sentido de corrigir distorções, incentivar um genuíno capitalismo cultural na indústria de entretenimento e oferecer recursos às áreas menos atraentes para o mercado, seja no plano da formação, seja no apoio a projetos culturalmente relevantes.’


 


 


PRESIDENTE
Fernando de Barros e Silva


Lula em obras: cuidado!


‘SÃO PAULO – Lula degrada a discussão pública no país. Segundo ele, a imprensa (mas só a ‘burguesa’) vive do ‘denuncismo desvairado’. E a nação, diz, ‘precisa de boas notícias’. Sua fala banaliza os escândalos do Senado, pondo sob suspeição aqueles que os revelaram. Na prática, o ataque retórico ao jornalismo serve para dar um verniz de legitimidade à opção pelo indefensável. Lula se alia aos senadores do PFL para salvar Sarney e sua camarilha. Mais uma vez, entre a esquerda e a direita, fica com o atraso.


O pouco caso diante do quadro de descalabro no Senado serve para qualificar o uso que Lula faz da sua popularidade, além de explicitar seu desapego pela moralidade.


Na mesma sexta-feira, o presidente ainda disse que ‘o país foi feito para não funcionar’. Alegou que a ‘máquina de fiscalização’ do Estado ‘é muito mais eficiente que a máquina de execução’. Ou seja, o país que Lula reclama é aquele que tem uma imprensa chapa-branca e um Estado caixa-preta. O Brasil talvez esteja mais próximo dessa utopia obscurantista do que os ‘desabafos’ do presidente fazem supor.


‘Deixa o homem trabalhar’: o conteúdo latente do bordão da campanha de 2006 vem à tona no exercício do mandato. Com Collor também foi assim: o slogan ‘caçador de Marajás’ embutia, como um sentido oculto, a destruição do Estado que seu governo levaria a cabo.


Agora, o que se vê é a apropriação laboriosa do Estado pelos amigos do rei. Quando gritam ‘a Petrobras é nossa!’, os petistas sintetizam numa fórmula o espírito de uma época. Lula faz um governo neopatrimonialista de comunhão nacional: do PR ao PMDB, dos usineiros às empreiteiras, dos banqueiros à CUT, todos só querem ‘trabalhar’. O lulismo é uma forma de degradação dos valores da República.’


 


 


INTERNET
Fernando Rodrigues


A cabeça analógica do Congresso


‘BRASÍLIA – Um monstrengo está em gestação na Câmara: regular a internet como se fosse um meio de comunicação tradicional. É uma mistura de má-fé com o pensamento analógico dos políticos. O caso exemplar é a intenção de regulamentar debates na internet como se fossem na TV ou no rádio.


Hoje, tais encontros só ocorrem se todos os candidatos participam. O resultado é conhecido. O debate (sic) mais parece um trem fantasma de parque de diversões. Gente inexpressiva vociferando propostas inexequíveis, de aerotrem a auditoria da dívida externa. Perdem todos, sobretudo os eleitores que ficam desinformados.


Essa regulamentação esdrúxula se ampara no frágil argumento de as emissoras serem concessões públicas.. A mídia eletrônica tradicional é então obrigada a dar espaço igual aos políticos no período eleitoral -como se todos tivessem a mesma importância, representatividade e interesse jornalístico. O DNA dessa imposição é a antiga Lei Falcão, da ditadura militar (1964-1985), que só permitia propaganda com a foto, o nome e um breve currículo de cada candidato.


Será uma violência à la Irã inocular de maneira compulsória essa tutela de conteúdo na internet. Diferentemente do que ocorre com uma TV ou rádio, qualquer pessoa pode abrir um site quase sem dinheiro. A melhor imagem para descrever a internet é a de um ‘passeio público virtual’. Na web, como numa calçada ou na rua, cada um debate com quem bem entende. Quando essa liberdade for extinta, foi-se também a democracia.


Mas a Câmara nesta semana finalizará uma proposta de lei obrigando todos os sites a seguir as regras da TV e do rádio. Não só para debates, mas na produção de reportagens, charges ou críticas. O objetivo é manter o status quo. Os políticos têm medo do novo. Eles sabem muito bem o risco que correm.’


 


 


Ruy Castro


Ao alcance de um clique


‘RIO DE JANEIRO – Circular pela internet pode ser tão perigoso quanto passear à noite por certas quebradas do Rio ou de São Paulo. As chances de assalto, estupro, sequestro, contaminação por vírus e até morte são parecidas. E todas essas modalidades de desespero estão ao alcance de um clique.


Uma armadilha recente é a mensagem, em nome de alguma instituição, oferecendo ‘patrocínio para o seu projeto’. Como no Brasil, hoje, todo mundo tem um ‘projeto’ encalhado, as chances de um otário pagar para ver são inúmeras. E, com isso, é mais um computador infeccionado na praça.


‘Seu depósito já está feito -clique abaixo para conferir’, informa um anônimo ‘diretor de contabilidade’ de uma empresa idem. Alguém resiste à ideia de um insuspeitado dinheiro entrando na conta, mesmo que você nem trabalhe com aquele banco? Ou ‘Sua passagem foi emitida -confirme seus dados’, numa tela com o timbre oficial de uma conhecida empresa de aviação. Ou ‘Atualizamos seu cadastro na Caixa Econômica’, com as armas e os brasões da própria -quem vai duvidar?


‘Olhe nós dois naquela noite…’, promete alguém, mandando fotos. Na nossa cabeça, há sempre a memória de uma longa noite de loucuras que, na verdade, não aconteceu, mas quem sabe?… Já um trote cruel é ‘Não tive coragem de te falar, mas veja as fotos’. Você está sendo alertado para alguma infidelidade do seu cônjuge. E, mesmo que seja solteiro, viúvo ou sem namorada, sua curiosidade pode ser letal.


Morder a isca em qualquer dessas situações significa ter o seu HD estuprado, seus dados bancários roubados, o cartão de crédito exposto e até um importante arquivo sequestrado, pelo qual você terá de pagar resgate. Enfim, tudo para lhe estragar a vida. Sair pela noite é mais seguro. Mais divertido também.’


 


 


Brian Stelter e Brad Stone, do NYT


Internautas combatem repressão governamental


‘Antigamente, os regimes autoritários podiam ocultar os acontecimentos em seus países simplesmente cortando as linhas telefônicas de longa distância e restringindo alguns estrangeiros. Mas, no século 21, as câmeras de celulares, as contas no Twitter e toda a parafernália da internet mudaram o antigo cálculo de quanto poder os governos realmente têm para sequestrar seus países dos olhares do mundo e dificultar para sua própria população reunir-se, discordar e rebelar-se.


As tentativas às vezes hesitantes do Irã de enfrentar essa nova realidade estão oferecendo um laboratório do que pode ou não pode ser feito nessa nova era da mídia. Também está oferecendo lições para outros governos sobre o que eles poderão fazer se suas populações forem às ruas.


Uma das primeiras lições é que é mais fácil para as autoridades iranianas limitar as imagens e a informação dentro do país do que impedir que se espalhem rapidamente para o mundo exterior. Enquanto o Irã restringia severamente o acesso à web, surgia uma rede mundial de simpatizantes para ajudar a conectar os ativistas e cineastas amadores.


Pouco depois que Neda Agha-Soltan sangrou até a morte em uma rua de Teerã, em 20 de junho, um vídeo de 40 segundos de sua agonia percorreu o mundo. O homem que fez o vídeo enviou o arquivo de 2 megabytes por e-mail para um amigo próximo. Burlando os censores do governo, ele rapidamente o remeteu para a rádio Voice of America, o jornal ‘Guardian’ e para cinco amigos na Europa, com uma mensagem que dizia: ‘Por favor, façam o mundo saber.


Cópias do vídeo, assim como um mais curto feito por outra testemunha, se espalharam quase imediatamente para o YouTube e foram exibidos horas depois pela CNN.


Agha-Soltan foi transformada, via web, de uma vítima anônima em um ícone do movimento de protesto iraniano. A ampla penetração da web torna a censura ‘um trabalho muito complicado’, disse John Palfrey, codiretor do Centro Berkman para a Internet e a Sociedade, em Harvard, EUA. O Centro estima que cerca de 35 governos —tão díspares quanto China, Cuba e Uzbequistão— controlam extensamente o acesso de seus cidadãos à rede mundial. Destes, o Irã é um dos mais agressivos. Palfrey disse que a tendência tem sido um aumento da censura, e não diminuição. ‘É quase impossível o censor vencer no mundo da internet, mas eles estão brigando firmemente’, disse. Desde o advento da era digital, governos e rebeldes lutaram por causa das tentativas de censurar as comunicações. Mensagens de texto foram usadas para reunir os simpatizantes em uma rebelião política popular na Ucrânia em 2004 e para ameaçar os ativistas na Belarus em 2006. Quando Mianmar tentou silenciar os manifestantes em 2007, desativou a rede da internet no país durante seis semanas. No início de junho, a China bloqueou sites como YouTube para coincidir com o 20° aniversário da repressão na praça Tiananmen. No Irã a censura foi mais sofisticada, representando um extraordinário ciberduelo. O governo desacelerou o acesso à internet e usa as últimas tecnologias de espionagem para localizar adversários. Mas pelo menos de forma limitada os usuários ainda conseguem mandar mensagens pelo Twitter e transmitir vídeos entre si e para um mundo de espectadores conectados. Por causa da determinação desses usuários, centenas de vídeos amadores de Teerã e outras cidades foram colocados no YouTube nos últimos dias, fornecendo às redes de televisão horas de material cru —mas não verificado— dos protestos. A internet ‘certamente rompeu 30 anos de controle estatal do que é visto e não é visto, do que é visível contra invisível’, disse Navtej Dhillon, analista do Brookings Institution, em Washington. Mas tirar fotos é uma atitude cada vez mais perigosa no Irã. A polícia local confrontou cidadãos que tentavam filmar perto de um memorial a Agha-Soltan, em 22 de junho. Ameaçar as pessoas que têm câmeras é apenas a última de uma série de medidas das autoridades. Em 12 de junho, dia em que a polêmica eleição presidencial provocou os protestos, o governo fechou todos os serviços de mensagens de texto do país —a principal ferramenta que os opositores usavam para se comunicar—, tornando novas ferramentas como Twitter e antigas técnicas como o boca-a-boca mais importantes para se organizar. No dia seguinte à eleição, o provedor de telecomunicações controlado pelo Estado desligou a web durante mais de uma hora, segundo a companhia de monitoramento da internet Renesys. O acesso foi parcialmente restabelecido dois dias depois, uma segunda-feira.. O YouTube disse que o tráfego no site vindo do Irã caiu cerca de 90% naquela semana, indicando que a maioria —mas nem todas— as conexões tinham sido interrompidas ou reduzidas. O Facebook disse que o tráfego do Irã diminuiu mais da metade desde a eleição. Apesar da repressão, os vídeos e as mensagens indicam que ferramentas amplamente distribuídas na rede não podem ser totalmente reprimidas por um governo autoritário. ‘Você não pode tentar trancar toda a internet em uma caixinha no seu país, como a China constantemente tenta fazer’, disse Richard Stiennon, fundador da IT-Harvest, empresa de pesquisa de segurança na web. ‘Há inúmeras maneiras de contornar bloqueios. Eles teriam de proibir toda a internet ou construir sua própria rede.


Brian Stelter apurou desde Nova York, e Brad Stone, desde San Francisco. Colaboraram Michael Slackman, no Cairo, Steven Lee Myers, em Bagdá, Noam Cohen, em Nova York, e um funcionário do ‘New York Times’ em Teerã’


 


 


Noam Cohen


Fotos de gatinhos ajudam blogs a driblar censura


‘Censurar a internet de forma imperceptível é o sonho dos governos repressivos. Afinal, os internautas mais censurados são aqueles que nunca chegam a tomar conhecimento da censura. O governo iraniano está movendo uma repressão à internet, na tentativa de subjugar os protestos que se seguiram à eleição presidencial de 12 de junho. Ao mesmo tempo, mandou a polícia às ruas para reprimir manifestantes e jornalistas estrangeiros.


Até agora, porém, o governo tem descoberto como é difícil tentar controlar a internet com meias medidas. Pelo fato de o esforço de censura ser tão evidente —na realidade, transparente—, uma batalha vem sendo travada on-line para manter o Irã conectado digitalmente com o mundo. Simpatizantes fora do país têm guiado iranianos ao acesso seguro à internet, abrigando e divulgando materiais proibidos no interior do país.


Os líderes iranianos se esqueceram de levar em conta as implicações do que se pode chamar de a Teoria Gatinho Bonitinho de Censura da Internet, proposta por Ethan Zuckerman, pesquisador sênior do Centro Berkman de Internet e Sociedade na Escola de Direito de Harvard. A ideia dele é simples: a maioria das pessoas usa a internet para curtir a vida, e uma das maneiras pelas quais as pessoas espalham alegria é compartilhando fotos de gatinhos bonitinhos.


Assim, quando um governo censura a web, faria bem em pensar duas vezes: ‘Quando o governo bloqueia sites, os gatinhos sofrem os efeitos colaterais’, escreveu Zuckerman para uma conferência recente. Pessoas ‘que não têm o menor interesse em estripulias presidenciais tomam consciência de que seu governo teme o discurso on-line a tal ponto que se dispõe a censurar os milhões de vídeos banais’, apenas para ‘poder bloquear alguns poucos vídeos políticos’.


Segundo Zuckerman, o trabalho de censura do governo iraniano foi dificultado porque existe no Irã uma comunidade dinâmica de blogueiros, fato que ele atribui a uma campanha iraniana anterior de censura à mídia impressa tradicional, em 2003. Pessoas que escreviam correram à internet. Esse fato, somado ao histórico de restrição a ferramentas de mídia social, garantiu que um grupo de comunicadores aprendesse novas maneiras de transmitir suas mensagens —com frequência conectando-se a um computador de fora do Irã.


O fato de os protestos políticos estarem sendo mostrados on-line traz benefícios práticos. Cria mais uma barreira à censura. Além dos benefícios, há algo de satisfatório no fato de um país ser ajudado por blogueiros comuns que de repente manifestam sua habilidade organizacional e sua crença nos princípios políticos fundamentais.


Mas Zuckerman me fez lembrar: ‘É preciso ter a espada em casa. Você não vai querer ser obrigado a sair para comprar a espada em cima da hora.’’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Programação da Globo vai crescer durante madrugada


‘A grade da Globo ficou pequena demais para a emissora. Manoel Martins, diretor-geral de Entretenimento, trabalha em um projeto para aumentar a produção de programas, a serem exibidos no início da madrugada, no lugar de filmes.


‘Vejo potencialmente audiência e receita publicitária para esse horário. A programação expandiu’, afirma o executivo, amparado em pesquisas e inspirado no bem-sucedido ‘Altas Horas’, apresentado por volta da 1h da madrugada do sábado para o domingo.


Martins não revela o que pretende exibir no início da madrugada dos demais dias, mas tem feito testes com novos formatos de programas. E, há menos de um mês, Octávio Florisbal, diretor-geral da Globo, conversou com Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, ‘dono’ do ‘Pânico na TV’, e sugeriu que poderia exibi-lo às sextas, após o ‘Programa do Jô’.


Há um ano no comando da área artística da Globo, Manoel Martins reinstituiu a realização de pilotos na emissora. Só neste ano, foram feitos quatro: ‘Assunto’, um novo programa de Pedro Bial, ‘Ger@al.com’, microssérie adolescente, ‘Programa da Noite’, com Fernanda Lima, e ‘Norma’, um novo projeto de Denise Fraga.


Martins explica que esses pilotos nunca irão ao ar. Servem apenas para experimentar ‘ideias inovadoras’. Não têm compromisso de virar programa. ‘É material de trabalho, de desenvolvimento’, afirma. Desses pilotos, ‘Ger@al.com’ já vingou. Será uma microssérie. O de Denise Fraga também empolgou a Globo.


ALERTA 1


Diretores da Record convocaram Tom Cavalcante para uma reunião de emergência sexta-feira à noite. Temiam a possibilidade de perder o humorista para o SBT.


ALERTA 2


O contra-ataque de Silvio Santos ao assédio da Record sobre Gugu Liberato custará caro à Record. Esse, aliás, é um dos objetivos do dono do SBT.


ALERTA 3


Na semana passada, a Record fez às pressas um novo contrato com Ana Hickmann, por longos oito anos, entregando à apresentadora do ‘Hoje Em Dia’ um novo programa, semanal. A Record temia perder Ana para o SBT. Mas o SBT nunca propôs nada a ela.


CASA NOVA


Irmã de Fausto Silva, Leonor Correa também virou arma na guerra entre Silvio Santos e Record. Deixou o ‘Melhor do Brasil’. Vai dirigir Eliana no SBT.


TARJA PRETA


Tantos são os participantes de ‘A Fazenda’ que tomam remédios controlados que tem gente na internet propondo que a Record mude o nome do reality para ‘A Farmácia’.


FOLHETIM TOTAL


Júlia (Vitória Frate), a ex-patricinha de ‘Caminho das Índias’, vai armar o sequestro de Ramiro (Humberto Martins), seu tio, para tentar resgatar a fortuna que ele confiscou. Mas seu bando sequestrará o Cadore errado: Raul (Alexandre Borges), pai de Júlia.’


 


 


MICHAEL JACKSON
Álvaro Pereira Júnior


Não vai haver ninguém como Michael Jackson


‘Quando Frank Sinatra morreu, em 98, houve quem dissesse que o século 20 acabava ali.. Mas talvez não. Talvez tenha acabado só agora, no dia 25 de junho, quando o coração de Michael Jackson parou.


Nunca vai haver um astro como ele. Perto da dimensão de Michael, como artista e como celebridade bizarra, alguém como Justin Timberlake, para citar uma estrela dos tempos atuais, parece um monge budista. Sem graça nem ‘drive’..


Jackson representa uma época que não volta. Foi o cara que vendeu dezenas de milhões de discos, que vivia como marajá pendurado na gravadora, que gastava zilhões para fazer um videoclipe.


Hoje, ninguém mais vende nada, as gravadoras não têm dinheiro para bancar maluco nenhum e qualquer câmera comprada na loja da esquina (mais softwares de pós-produção que podem custar nada) geram um videoclipe de primeira classe.


Os novos tempos foram cruéis para Michael. Ao mesmo tempo em que as vendas de CDs caíam para todo mundo, ele se afundava numa realidade paralela -uma espécie de Elvis negro, isolado, doente e improdutivo.


Como apontou o crítico Jon Pareles, do ‘New York Times’, ele era um paradoxo: como criança, era um prodígio, um pequeno adulto. Como adulto, era infantilizado.


Compara-se muito Jackson a Elvis e a Madonna, mas ele ganha no cotejo. Porque era músico, produtor, artista multimídia e compositor. Não era um simples boneco que cantava o que os outros escreviam para ele.


Mas era também um alucinado de primeira ordem. Alguém com fragilidades físicas e psicológicas que afetaram diretamente a qualidade e a frequência de sua atividade artística. Aí, a comparação mais apropriada é com Brian Wilson, dos Beach Boys, também filho de pai tirano e músico frustrado.


Wilson, 67, está vivo, um zumbi de si mesmo. Jackson morreu antes de chegar a esse ponto.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda -feira, 29 de junho de 2009


 


POLÍTICA NA REDE
Andréia Sadi


Protesto virtual contra senador no Twitter


‘Depois de um perfil falso, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ganhou outra página no Twitter (rede social de microblogging na internet que permite aos usuários enviar textos de até 140 caracteres, conhecidos como tweets). Desta vez, a página traz o nome do movimento ‘Fora, Sarney’, que já conta com mais de 1.000 seguidores. A assessoria de Sarney disse que não vai tomar nenhuma medida contra a página e que o presidente da Casa ‘lamenta, mas respeita’ a manifestação. ‘Não tem crime nenhum nisso’, disse a assessoria. Além da página, há também um site na internet (www.forasarney.com.br) que recolhe assinaturas pelo movimento desde o dia 21, e já soma quase quatro mil nomes.


Na quinta-feira, cresceram os apelos de senadores para que Sarney deixasse o cargo, diante das denúncias de atos secretos no Senado e favorecimento de parentes, revelados pelo Estado. Denúncia publicada em reportagem na quinta revelou que um neto de Sarney – José Adriano Cordeiro Sarney – é um dos operadores do esquema de crédito consignado para funcionários da Casa.


No Senado, os parlamentares negam haver um movimento articulado pela saída de Sarney, mas avaliam a situação de escândalos como ‘grave’. ‘O que está claro é que a situação do presidente está cada vez mais frágil’, disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES) à reportagem, na quinta-feira.


Na semana passada, um perfil falso do presidente do Senado foi criado no Twitter, mas logo saiu do ar. Procurado pela reportagem, o gabinete de Sarney afirmou que só no dia 19 ficou sabendo do perfil. ‘O negócio começou a crescer e devem ter ficado com medo de que se descobrisse a autoria’, informou. Antes, o gabinete havia informado que procurara a Polícia Legislativa do Senado para identificar o usuário que criou o perfil, a fim de entrar com as ‘medidas judiciais cabíveis’.


Ainda segundo sua equipe de comunicação, Sarney não tem planos de se tornar adepto do Twitter, como fizeram o governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência em 2010, José Serra (PSDB), e outros políticos.’


 


 


Lula terá blog com linguagem informal


‘Criar uma ferramenta de comunicação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os usuários de internet. É este o objetivo do blog O Presidente Responde, que deve entrar no ar no dia 7 de julho, de acordo com anúncio feito pelo próprio Lula durante o 10º Fórum Internacional de Software Livre, realizado em Porto Alegre (RS). O conteúdo prevê textos sobre atos e decisões do governo em uma linguagem informal. Cinco profissionais serão contratados para manter o blog atualizado.’


 


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Cannes marca volta a padrões mais simples


‘Espartano nas celebrações, segundo profissionais do meio, por decorrência direta da crise global, a 56ª edição do Festival de Publicidade de Cannes marcou também o que alguns acreditam ser um novo patamar para o negócio da publicidade. Com os cortes de receita e a reordenação de verbas publicitárias, disseram em palestras consultores e anunciantes, o mercado voltará para um nível de preços bem abaixo do de antes da crise.


‘A eleição de Barack Obama está mudando a cara do mundo.. O discurso publicitário estava vazio e precisa se repensar. Novos valores vão aflorar e, com eles, formas mais simples e diretas de fazer as mensagens publicitárias chegarem aos consumidores’, diz Marcello Serpa, sócio e diretor da AlmapBBDO, agência que conquistou oito Leões este ano em Cannes. Ele considera que experiências do gênero já surgiram entre as campanhas premiadas.


‘Basta avaliar o trabalho vencedor da agência Leo Burnett de Portugal para a Cruz Vermelha. Eles instalaram em um shopping uma loja para ?vender? doações, como se fosse um produto. É uma tirada simples, mas acontece quando as pessoas estão propícias a se engajarem’, explica Serpa.


Para ele, a oferta excessiva de seminários glamourosos pelos nomes dos palestrantes, mas vazias de conteúdo, porque ninguém vem a público revelar suas efetivas estratégias, está desgastada. Cannes, para ele, deveria voltar à fórmula que coloca a discussão no artesanato da atividade.


Muitos executivos reclamaram, fora do holofote, que os temas dos 53 seminários e 20 workshops quase nada acrescentavam, além de se ver de perto as celebridades, como o presidente da Microsoft, Steve Ballmer, e do Google, Eric Schmidt.


A volta aos parâmetros que deram origem ao Festival de Publicidade não significa defender a supremacia das mídias tradicionais – como comerciais para televisão, anúncios de rádio e jornal – ante o inevitável avanço dos canais de comunicação online. Muito pelo contrário, diz o vice-presidente de Criação da Young & Rubicam, Marco Versolato.


‘Observo hoje que quase todas as peças têm desdobramentos. Podem começar na internet, ou via uma mensagem de texto no celular, e depois migram para outras plataformas. Os consumidores também são chamados a participar. Nunca as campanhas foram tão multicanais como agora’, diz Versolato, enquanto aponta para os cartazes e outdoors feitos com dinheiro doado pela população da África do Sul, uma das campanhas premiadas este ano.


ENGAJAMENTO


Há vários casos que misturam entretenimento e bons resultados, com baixos custos. Um deles envolveu o lançamento de um aparelho celular na China. Resolveram homenagear o praticante de artes marciais Bruce Lee, morto há 35 anos. ‘Soltaram vídeos na rede como se fossem peças descobertas após a morte do lutador’, conta Mario D’Andréa, vice-presidente de Criação da agência JWT.


‘Eram coisas absurdas, com ele jogando pingue-pongue. Tudo feito com sósia. A ação fez tanto sucesso que mais de 12 milhões viram os vídeos na web. Quando a campanha avisou que o aparelho estaria na loja, mais de 35 mil pessoas fizeram fila para comprar.’


Engajamento da audiência e vários pontos de contato com os potenciais públicos tornaram a criação das campanhas e a programação de mídia mais complexas. ‘Para os profissionais de mídia, o aumento da responsabilidade veio com o crescimento do prestígio’, considera a jurada brasileira na categoria, Gleidys Salvanha, diretora de Mídia da agência W. Essa área foi uma das que mais premiou soluções multicanais.


Quase todos os presidentes de júri defenderam o mesmo ponto de vista ao justificar as peças escolhidas: foram aquelas capazes de mobilizar pessoas em torno de uma grande ideia, seja divertida, social ou política. O engajamento do cidadão anônimo do interior dos EUA que ajudou a eleger Barack Obama impregnou o espírito do negócio da propaganda. Assim como ele usou e abusou das mídias digitais ao mesmo tempo em que não deixou de aplicar as mídias de massa para atingir seus objetivos, a fórmula em cartaz no meio publicitário é a convergência de canais.’


 


 


TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo


Empresas de TV se protegem da internet


‘As companhias americanas Time Warner e Comcast se uniram para testar maneiras de permitir que as pessoas assistam a mais programas de TV na internet, ao mesmo tempo assegurando que continuem a pagar por seus serviços tradicionais de TV a cabo ou satélite. A parceria entre as duas grandes empresas de mídia ressalta a pressão que a indústria de TV vem sofrendo para proteger sua receita, mas também satisfazer os consumidores que querem assistir a seu drama ou comédia favorito no lugar e hora em que preferem.


A Time Warner e a Comcast estão apostando num esquema com o qual, basicamente, os espectadores poderão assistir a qualquer programa, em qualquer momento, no aparelho que quiserem, quer seja televisor, computador ou telefone celular. A única exigência é que eles terão primeiro de comprovar que são clientes da TV a cabo ou via satélite, pagando uma assinatura mensal.


As duas empresas iniciam em julho um teste nacional, técnico e estratégico, do novo sistema. Cerca de 5 mil assinantes que vão participar do teste poderão acessar episódios inteiros de programas das redes TNT e TBS, da Time Warner, como ‘The Closer’ e ‘My Boys’, na Comcast.net, horas apenas depois de eles irem ao ar na televisão. O executivo-chefe da Time Warner, Jeff Bewkes, disse que vem discutindo iniciativas semelhantes com ‘praticamente todas as empresas de satélite, telefone e outras empresas de Tv paga’. Por sua vez, o executivo-chefe da Comcast, Brian Roberts, disse prever que outras redes se unam ao esquema, oferecendo seus próprios programas de sucesso.


‘É um pouco como o iTunes, mas melhor, porque não é preciso pagar a mais’, disse Bewkes. Bewkes não fez segredo de seu desejo de levar a televisão para o que chama de ‘TV em Todo Lugar’.


Conseguir que o público continue a pagar pelo serviço de TV é essencial para operadoras de cabo como a Comcast. E é quase tão essencial para redes de televisão como a TBS, que recebem taxas das operadoras de cabo que transmitem seus programas.


O receio no setor é que, se deixar de proteger seus programas do mundo aberto e gratuito da internet, a indústria de televisão possa sofrer a mesma devastação que os setores de música e mídia impressa.’


 


 


Keila Jimenez


Autores em crise


‘Roteiristas de seriados e sitcoms andam incomodados com a onda de autores de novelas da Globo enveredando por formatos mais curtos de dramaturgia. Aguinaldo Silva, Carlos Lombardi e até Gilberto Braga ofereceram recentemente projetos de séries e microsséries à emissora, que, quando aceitos, colocam muitos roteiros na fila.


‘Temos alguns projetos apresentados à Globo à espera de aprovação. Mas parece que, de repente, surgiram muitos projetos de seriados, vindos inclusive de vários autores de novelas. Talvez eles pensem que escrever seriados é mais fácil. Talvez não seja’, alfineta Alexandre Machado, autor, ao lado de Fernanda Young, de Os Normais. Bom, a nova safra da série, por sinal, prometida para este ano, foi engaveta na emissora, assim como a continuação da sitcom Nada Fofa, também de Machado.


‘Não me meti a fazer coisa alguma, fui convocado para escrever um seriado, até porque o meu contrato prevê isso’, responde Aguinaldo Silva, que assina Cinquentinha, série que estreia em setembro na Globo.


Já Carlos Lombardi tenta emplacar versão em minissérie da novela O Rebu (1974).’


 


 


 


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