Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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FEITOS & DESFEITAS >

Se eu fosse a mídia

Por Fernando Schweitzer, de Buenos Aires em 17/03/2009 na edição 529

Gostaria de comentar a festiva matéria de Silvana Arantes, da Folha de S.Paulo, sobre a liderança de público (5,479 milhões) e de renda (R$ 46,2 milhões) do longa Se Eu Fosse Você 2 nas bilheterias brasileiras neste ano. Onde afirma revelar mais do que a capacidade do país de produzir um filme-fenômeno.

Pensemos, qual é o fenômeno em atores globais terem em seus filmes milhares de espectadores nas salas de cinema do Brasil? A futilização social no Brasil cada vez me preocupa mais, pois parece-me uma estrada de mão única. Na mesma matéria vinculada com destaque pela Folha (15/03/2009), há vários ícones do cinema e TV, como Cacá Diegues, a se declararem fãs de tal seguimento de entretenimento, também propensor de êxitos de bilheteria usando da mesma artimanha que é mais velha do que minha avó para lograr êxito a suas produções.

Essa estratégia usada a centenas de anos no teatro inglês, francês e italiano de trazer ícones de renome a produções se viu pluralizado e massificado por Andy Warhol com a criação da pop art. Transformar ícones publicitários e de conhecimento das massas em arte ou em produto artísticos já foi feito a tempos em vários momentos da história, por tanto não vejo qual o grande mérito e qual a motivação para dar tanta ênfase ao sucesso de público bestificado que apenas migrou do ícone americanizado e hollywoodiano para ícones globais.

Lendo a matéria cheguei até a pensar que as novelas Globais não são mais detentoras de índices de até 70% do Ibope no Brasil, significando que mesmo que não sejam bons produtos existe uma massa idiotizada que ainda é fiel as baboseiras e aos atores de teste de sofá mesclado a atores históricos acomodados ao salário global.

Sonho maldito

Essa coisa de olimpializar atores caquéticos e medíocres motivados apenas pelo status de terem jamais talento, mas um contrato com a rede Globo é um ato falho da cultura brasileira.

As falas de especialistas que tentam justificar o injustificável e que são usados pela autora para valorar seus elogios rasgadas a produção tem um tom de muito mal gosto, porque não dizer um ranço histórico. Quando cita que filmes outros que não com atores da TV Globo não logram êxito e dá a entender que a solução para bombar as bilheterias de êxitos tupiniquins seria entulhar de porcarias com atores e pseudo-atores de TV as telonas do país.

Retumbante erro não pensar que o que tem matado os verdadeiros profissionais da área de espetáculos e também cinema, os falso profissionais. Esse chavão midiático tem de ser cortado a fundo, na raiz, ao contrário cada vez mais teremos profissionais na marginalidade e prostitutos midiáticos sendo vangloriados em via pública, jornais e pelo universo.

Se eu fosse a mídia, dita especializada, me especializaria mais ao invés de pagar pau para mais uma porcaria midiática e sem conteúdo. Que além do mais nada trás de bom a sociedade brasileira. Esse sonho maldito de se tornar uma Norte-América tropical vai servindo de aporte para cada vez afundar mais o pseudo-país do futuro. Se o futuro é se tornar do país é se tornar uma Bollywood latina, prefiro que o ‘cinema nacional’ nunca cresça. Se o futuro é ser cada vez mais americanizado, prefiro a morte imediata.

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Ator, diretor teatral, cantor, escritor e jornalista

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