Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > RUTH CARDOSO (1930-2008)

Sem exageros

Por A.D. em 25/06/2008 na edição 491



A morte da antropóloga Ruth Cardoso, ocorrida na terça-feira (24/6) à noite, em São Paulo, foi noticiada com destaque pelos jornais de quarta. As edições, discretas e respeitosas, trazem depoimentos de amigos e se referem ao período em que ela foi a primeira-dama do Brasil. Não há muito sobre as causas do óbito, de certa maneira surpreendente após as primeiras notícias mais alarmadas sobre seu estado de saúde. Mas há pouco sobre sua trajetória acadêmica.


Ruth Cardoso foi uma intelectual respeitada no Brasil e no exterior. Também construiu uma obra importante como cidadã, arregimentando empresários e intelectuais para a responsabilidade social. Sempre foi muito discreta. Há cerca de oito anos, numa conferência promovida na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, foi surpreendida por este observador e pelo físico Fritjoff Capra na fila do refeitório. Quando lhe foi dito que a primeira-dama não precisava ficar na fila, ela fingiu que não ouviu e continuou ali, quase anônima, no meio dos estudantes. (Luciano Martins Costa)


Na terça-feira (24/6), às 17h, hora de Nova York, uma brasileira que desenvolve um intenso trabalho com comunidades carentes no Brasil recebeu um e-mail de D. Ruth Cardoso acalmando-a a respeito das notícias da imprensa brasileira sobre a sua saúde.


Não se preocupe, já está tudo bem – escreveu D. Ruth à amiga preocupada – eles exageraram.


Poucos sabem: D. Ruth era uma atenta e bem humorada observadora da imprensa.


Três horas depois sofria um enfarte fatal. A imprensa acompanhou discretamente a internação na sexta (20) passada e não poderia ser diferente: a professora Ruth Cardoso personificou como ninguém as palavras dignidade, discrição e grandeza pessoal.


Desta vez, infelizmente, a imprensa não exagerou. (Alberto Dines)

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/06/2008 Gustavo Gomes de Matos

    A antropóloga e intelectual Ruth Cardoso foi uma grande cidadã brasileira, que exerceu sua missão com muita dignidade, equilíbrio e respeito. Merece todo nosso respeito e admiração. Pena que alguns profissionais da imprensa ainda tenham o péssimo hábito de confundir liberdade de expressão com falta de respeito e pré-julgamento. Respeito é bom e Dona Ruth Cardoso fez por merecer, pela vida digna e autêntica que viveu.

  2. Comentou em 25/06/2008 Eduardo Panda

    Caro amigo, talvez ela tenha feito isto. Talvez ela tenha dito ao então Presidente que o que estava fazendo estava errado, ou que a visão do ‘sociólogo’ já não mais sobressaía em relação ao do político. Não se pode simplificar uma trajetória coma a da D. Ruth apenas pelo que o marido deixou de fazer pelo país. Não se deve julgar as esposas pelo que os seus maridos fazem ou fizeram de errado.

  3. Comentou em 25/06/2008 Mariana Eleonora Fraga

    Prezado Marco Antônio Leite, talvez nós devêssemos eleger, nas próximas presidenciais, uma (provável) primeira-dama ao invés de seu marido e candidato ao governo, uma vez que parece ser o papel dessa figura salvar o país de, por exemplo, ser vendido a preço de banana. Se já sabemos de onde veio a falha (omissão) que gerou problemas como o aumento do desemprego no Brasil, mãos às obras! (Só devemos esperar, no entanto, que a toda primeira-dama caiba o papel de mediadora do bom-senso de seu esposo. Aí sim o futuro do país estará garantido!).

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