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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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FEITOS & DESFEITAS > ABRAJI, 10 ANOS

Seminário marca a consolidação da entidade

Por Rodrigo Neves em 12/12/2012 na edição 724

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) comemorou seus 10 anos de atividades em um seminário realizado na segunda-feira (10/12), na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. O local escolhido foi o mesmo em que a associação foi fundada em 2002.

Entre os participantes do seminário estavam presentes Rosental Calmon Alves, professor da Universidade do Texas, em Austin, e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, e os ex-presidentes da Abraji Marcelo Beraba, Angelina Nunes, Fernando Rodrigues e Marcelo Moreira, além do diretor executivo Guilherme Alpendre.

Em uma das mesas, Beraba falou sobre o processo de fundação e consolidação da Abraji. Segundo ele, antes mesmo da associação ser fundada já existia uma consciência nas redações sobre a necessidade de se produzir jornalismo de qualidade. Além disso, existia a demanda de se retomar o jornalismo investigativo, dificultado pela repressão que se seguiu ao regime militar instaurado em 1964.

“A Abraji nasce com a preocupação da parceria, sem o objetivo de disputar espaço com outras entidades, pelo contrário. Poderia ter sido uma ONG, mas havia a preocupação com agregar e se renovar sempre. Assim, decidiu-se por ser uma associação”, disse Beraba.

Marcelo Moreira relembrou a morte do jornalista Tim Lopes como uma das causas da fundação da Abraji. Tim foi assassinado por traficantes em 2002, enquanto apurava uma matéria sobre a relação entre o trafico de drogas e a exploração sexual de menores no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Moreira destacou a militância da Abraji na área de segurança de jornalistas e a parceria com o International News Safety Institute. Segundo ele, os cursos sobre instruções de segurança foram essenciais para o preparo de jornalistas em situações de risco.

Fernando Rodrigues também comentou sobre a militância da Abraji pelo direito ao acesso às informações e aos dados sob a guarda de órgãos públicos. Citou a recente aprovação da Lei de Acesso as Informações Públicas (nº 12.527/2011) como uma vitória, mas somente o primeiro passo, pois “a implementação total desse direito depende da pressão da sociedade”.

Rosental Calmon Alves reiterou a importância das parcerias na história da Abraji ao destacar a cooperação da entidade com o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas. Rosental apresentou o modelo de ensino a distância para o aprimoramento dos profissionais de jornalismo como um exemplo do potencial da Abraji. Além disso, destacou a disseminação de iniciativas de jornalismo investigativo na América Latina, como os sites El Faro, Plaza Publica e a brasileira Agência Pública.

Críticas

A cerimônia não foi composta só por elogios à entidade. Sérgio Gomes, diretor da Oboré, questionou publicamente os diretores da Abraji sobre a falta de destaque dado ao caso de perseguição sofrido pelo jornalista André Caramante, ameaçado de morte após reportagens sobre violência policial em São Paulo.

Rosental Calmon Alves respondeu que existe uma estratégia de manter postura discreta sobre o caso, opção do próprio jornalista e do jornal em que trabalha, a Folha de S.Paulo. Por fim, Rosental e os diretores da Abraji receberam prêmios distribuídos por Sérgio Gomes em nome da Oboré.

***

[Rodrigo Neves é estudante de Jornalismo da ECA-USP]

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