Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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Super mídia: o que não parece e não é

Por Afonso Caramano em 26/05/2009 na edição 539

O que pode ser pior que o governador José Serra? José Serra no Super Pop, de Luciana Gimenez, oras! Pior ainda, ela tentando ‘vendê-lo’ como simpático, bem-humorado e, para desespero do diretor, dizer que ele não é sério, e em seguida corrigir-se, é uma pessoa séria, sim, mas que brinca e tem humor!

Quem porventura estava zapeando na última quinta-feira à noite (21/5) e caiu na Rede TV, pôde acompanhar a performance do governador/candidato no tal programa, falando sobre a lei antitabagismo aprovada no estado de São Paulo.

Como é dura a vida de político (futuro/eterno candidato) – ter de submeter-se a programas de TV, aproveitar qualquer oportunidade para se expor, enfim, vender-se como mais um produto palatável ao gosto popular. Um pouco ridículo, talvez, e tão comum ao marketing político, o uso de tais estratégias.

Nada assim tão condenável, vamos dizer. Mas não deixa de ser lamentável o circo que se começa a armar (ou já está armado faz tempo?) em relação à campanha presidencial de 2010. E em qualquer nível administrativo não se foge à regra da autopromoção, de maquiagens estatísticas, do uso da ‘máquina’ administrativa, de leis polêmicas. Discussões relevantes acabam postergadas ou deixadas de lado – não que neste caso o tema não seja importante. Entretanto há muitas maneiras de se discutir políticas de saúde e leis antitabagistas.

Mais atenção às decisões

Redes de televisão são responsáveis por sua programação e deveriam ser cuidadosas com o que veiculam e como veiculam, principalmente em questões sérias de saúde, com conseqüências nefastas, como as do tabagismo – servir de palco para discussão ‘de leis polêmicas’ (com o governador, por exemplo) é uma decisão da emissora, que certamente deve ter avaliado seus interesses e os do público, só não os deixou tão claros.

Espera-se, todavia, clareza nos posicionamentos, inclusive para que uma coisa não pareça outra, mesmo porque o tiro político pode sair pela culatra. E o pequeno espetáculo não passar do ridículo. Quem assistiu ao referido que tire suas conclusões. Aos marqueteiros, que pensem e repensem suas estratégias – o povo merece um pouco mais de respeito e cuidado.

A mídia, que tem o costume de posicionar-se sem se assumir, deve estar um pouco mais atenta às conseqüências de suas decisões e ao seu real papel informativo – afinal, as coisas sempre podem ficar piores.

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Funcionário público municipal, Jaú, SP

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