Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ENTRE ASPAS > MAD MARIA

Taíssa Stivanin

15/03/2005 na edição 320

‘Espremida entre o Big Brother e o Jornal da Globo, os capítulos de Mad Maria parecem cada vez mais curtos. Parece estratégia da emissora para esconder a produção e o desinteresse do público: a audiência tem se mantido morna, com cerca de 25 pontos e 49% de participação no share (total de TVs ligadas). Mad Maria, que estreou no dia 31 de janeiro, com promessa de revolucionar o uso de novas tecnologias na TV, e terá seu último capítulo no dia 25, acabou se transformando em folhetim à la Terra Nostra, em que não falta nem a Giuliana – Ana Paula Arósio faz uma mistura da sofrida italiana com a espanhola Consuelo.

Sem saber como convencer o telespectador do drama dos trabalhadores da ferrovia Madeira-Mamoré no início do século passado, a Globo aposta no que sabe fazer de melhor para estimular a minissérie: romance. O médico Finnegan (Fábio Assunção) viverá uma tórrida paixão com Giuliana (ops, Consuelo). O ministro J. Castro (Antonio Fagundes), por sua vez, continua seu romance com Luísa (Priscila Fantin) entre tapas, beijos e traições com Farqhar (Tony Ramos) que, sem camisa, talvez não colabore muito com o número de TVs ligadas.

Aí fica a pergunta: para que tanto esforço em gravar no meio do mato, entre mutucas e pernilongos, cobras e lagartos? Para que contratar especialista em efeitos especiais com estágio em Hollywood? Para que recuperar parte da ferrovia em Rondônia, apostar no local como pólo turístico, enfim, esse arraial todo, se no fim das contas o que dá certo mesmo é um bom beijo na boca? A Globo sabe fazer novela, sabe fazer minissérie, às vezes erra na mão, como está errando, e não é esse o caso. A questão é o bafafá que envolve Mad Maria: a recuperação do patrimônio histórico, os milhões que o governador de Rondônia, Ivo Cassol, investiu no Estado para facilitar as gravações, as disputas de direitos autorais sobre a história da ferrovia. Afinal, os bastidores da produção acabaram se tornando muito mais interessantes do que a própria minissérie, que esperou uma década para ser desengavetada, já escrita por Benedito Ruy Barbosa. Não é de impressionar que as pessoas estejam loucas para ler os três livros lançados sobre o assunto. A minissérie não é suficiente, as cenas são tão fakes que não causam emoção. E por que tanto gelo seco, tanta sujeira limpa, tanta fuga ensaiada?

Mad Maria é um drama que desperta a curiosidade, é uma vergonha histórica, é um sem-número de explicações sobre o caso que valem filmes, minisséries e livros. É uma tarja preta na história do Brasil. Quando a TV se apropria de uma história dessas e desperta o interesse do público com um beijo na boca, é porque não cumpriu seu papel. Quando o próprio autor do livro, Márcio Souza, alega não poder ver o programa porque está ocupado no horário, quem vai sentar-se nessa poltrona?

A história da Madeira-Mamoré rendeu livros e agora uma minissérie na Globo, Mad Maria. A construção da estrada de ferro envolveu jogo de interesses, um sonho que custou a vida de muitos imigrantes na região amazônica, apelidada na época como o inferno verde. Esses fatos não passaram incólumes pela imprensa da época, como pode ser comprovado na série de reportagens intitulada Impressões sobre Uma Viagem aos Amazonas, o Drama da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, assinada por Rubens Rodrigues dos Santos e publicada no Estado em 1955.

No texto, o repórter destaca a importância da produção da borracha e a qualidade especial da região. ‘Trata-se de uma borracha homogênea e pura, geralmente bem coagulada e com ótimas características elásticas, conseguida a partir de um látex muito farto e concentrado, produzido por seringueiras vigorosas e abundantes.’ Santos descreve com detalhes a construção da ferrovia, desde os primeiros estudos realizados em 1870, quando ‘muitas companhias inglesas e francesas tentaram o empreendimento, mas nunca conseguiram executar as obras, devido às enormes dificuldades técnicas e econômicas surgidas logo no início dos trabalhos.’ Lembra do Tratado de Petrópolis, quando a Bolívia receberia uma quantia em dinheiro pelo Acre, até então território em litígio, e também seria providenciada uma ferrovia de ligação entre as quedas de Guajará-Mirim, no Rio Mamoré e Santo Antonio, no Alto Madeira.

O repórter narra as dificuldades dos trabalhadores, como o corte de troncos de árvores com machados, e os percalços enfrentados para o percurso. ‘A viagem é cansativa, monótona em alguns trechos, pitoresca em raras oportunidades (…) A primeira etapa, de Gurajará-Mirim a Abunã, num total de 146 quilômetros, é realizada em cerca de 10 horas, obtém-se média horária que não chega a 17 quilômetros. Este baixo rendimento é devido ao estado lamentável do leito da estrada, às deficiências do material rodante antiquado e gasto, além das várias peripécias que se sucedem no transcorrer da viagem.’ E conclui: ‘Somente no futuro, numa época em que as imensas regiões da Amazônia forem povoadas e desenvolvidas, é que esta minúscula estrada de ferro será aceita como parte importantíssima da rede ferroviária brasileira, por comunicar dois amplos sistemas fluviais de transporte.’’



Daniel Castro

‘Estou chateado com a Globo, diz autor’, copyright Folha de S. Paulo, 14/03/05

‘Autor de ‘Mad Maria’, Benedito Ruy Barbosa não esconde que está descontente com a Globo, por causa do horário de exibição da minissérie, quase sempre depois das 23h _às quartas, por causa do futebol, o programa nunca começou antes das 23h44.

Para Barbosa, o horário ofuscou ‘Mad Maria’, megaprodução que levou mais de 20 anos para sair do papel e faz parte das comemorações dos 40 anos da Globo.

Os 24 primeiros capítulos de ‘Mad Maria’ deram média de 25 pontos. As duas minisséries que a antecederam, ‘Um Só Coração’ (2004) e ‘A Casa das Sete Mulheres’ (2003), registraram 29 pontos em seus primeiros 24 episódios.

‘Estou chateado com a Globo, que merece estar pagando por isso’, diz Barbosa. Ele reclama que ‘Mad Maria’ não teve o mesmo tratamento das antecessoras, que no dia da estréia foram ao ar após a novela das oito. ‘Mad Maria’ estreou após um ‘paredão’ de ‘Big Brother Brasil’.

Nas terças, dia de ‘paredão’, ‘Mad Maria’ passa vexame. Com a minissérie, a audiência da Globo cai pela metade após ‘BBB’.

‘Eu pedi para colocarem ‘Mad Maria’ antes do ‘Big Brother’. O público do ‘Big Brother’ vai dormir na hora da minissérie’, relata.

‘Quando tem futebol e o capítulo entra quase à meia-noite e só com 20 minutos é melhor não exibir a minissérie. Outro dia, eu dormi durante um jogo do Corinthians e perdi o capítulo’, diz.

OUTRO CANAL

Papa-tudo 1 De cada R$ 100 gastos em propaganda na TV aberta em 2004, R$ 79 passaram pela Rede Globo. É o que mostra projeção feita a partir de dados do projeto Inter-Meios, que monitora investimentos publicitários.

Papa-tudo 2 As TVs abertas tiveram faturamento bruto (sem descontar comissões de agências) de R$ 8,2 bilhões em 2004. A Globo e suas afiliadas teriam movimentado R$ 6,5 bilhões _79,3% do total. Descontadas as comissões, a rede ficou com R$ 5,2 bilhões.

Boa notícia A TV Cultura volta hoje a ser captada por antenas parabólicas de todo o país. Há quatro anos, a emissora migrou para o sistema de transmissão via satélite digital. Assim, só a captava quem tinha receptor digital de parabólica _quase ninguém. Estima-se que pelo menos 10 milhões de casas têm parabólica.

Difícil Depois de ser convidado cerca de 25 vezes para participar do ‘Roda Viva’, o senador José Sarney finalmente cedeu. Na sexta, ele gravou entrevista que vai ao ar hoje, na Cultura. Segundo a emissora, Sarney disse não aos convites anteriores por ‘falta de agenda’.

Na rede O Globo Media Center, que exibe na internet conteúdo da Globo, como cenas de novelas e vídeos de ‘BBB’, alcançou o primeiro lugar no ranking do Ibope de sites de ‘broadcast media’.’



REALITY SHOWS
Cristiane Leonel

‘Patrulheiros vão além da decoração’, copyright Folha de S. Paulo, 14/03/05

‘Da TV aberta à TV paga, a moda agora é transformar. Corta-se o cabelo, reforma-se o carro e até levanta-se umas peles a mais no rosto. Em um dia, muda-se a vida toda de uma pessoa comum.

Resultados positivos ou não, o público assiste e, em geral, se identifica. Quase todo mundo, algum dia, já quis ser mais bonito, mais rico ou mais feliz.

É nesta onda que entra o ‘Patrulha do Design’, série que ‘dá uma mãozinha a você que precisa dar um jeito na sua decoração’.

Tammy Schnurr e Jeffrey Fisher, os decoradores de plantão, ‘prendem’ uma pessoa por legítima falta de bom gosto. A prisão, no entanto, é um hotel luxuoso, onde o ‘acusado’ permanece enquanto a dupla faz seu trabalho.

O primeiro ‘crime’ a ser investigado é o quarto do vendedor Barry. Sua mulher, Geraldine, quer surpreendê-lo com uma mudança geral.

Como todo ‘bom’ programa de transformação, mostra-se o ‘antes’ com um tom depreciativo. ‘É comum as mulheres levarem xampus de hotéis para casa, mas esse casal parece ter levado o quarto todo’, diz Tammy.

De fato é um pouco kitsch, mas ali está um pouco da vida de duas pessoas que, até então, não se preocupavam com o fato do quarto ‘ser muito datado’. É aí que o programa mostra um diferencial.

Em vez de determinar regras de decoração, os apresentadores interagem com a família. Tammy e Jeffrey brincam com a cachorra de casa e conversam com os vários vizinhos enxeridos. Só passam do ponto quando promovem sessões de terapia com a dona da casa -Geraldine fala das vezes que enfrentou o câncer e da falta de romantismo do marido.

Depois de trocados os móveis e os quadros de araras (realmente dignos de apreensão), o casal aparece, sobre a cama, comemorando com um brinde o novo ambiente e a nova vida que mudou, ao menos, na aparência.

Patrulha do Design Quando: hoje, às 20h, no GNT’



APRENDIZ
Daniel Castro

‘Record adia ‘Aprendiz’; Justus lança livro’, copyright Folha de S. Paulo, 13/03/05

‘Apresentador de ‘O Aprendiz’, o publicitário Roberto Justus vai lançar um livro sobre sua trajetória profissional e um jogo de cartas com tabuleiro inspirado em sua ‘competência empresarial’.

O livro será lançado no início do segundo semestre, coincidindo com a estréia de ‘O Aprendiz 2’. O programa, que iria ao ar no final de abril, foi adiado pela Record por causa da desistência da operadora Vivo de patrociná-lo, pagando R$ 13 milhões. A Record negocia agora com possíveis novos patrocinadores.

Segundo Marcos Quintela, sócio de Justus em uma das empresas do publicitário e ‘agente de imagem’ dele, o livro já está 85% pronto. Começou a ser escrito há mais de um ano, por Miguel de Almeida. ‘Com o sucesso de ‘O Aprendiz’, choveram pedidos de editoras. Estou conversando com quatro delas. Não viso a melhor proposta financeira, mas a mais conceitual, a melhor divulgação e distribuição’, diz Quintela.

Segundo o consultor de imagem, ‘O Aprendiz’ será o capítulo final do livro. Terá redação de Sérgio Augusto de Andrade.

No livro, pouco será dito sobre a vida pessoal do publicitário, ex-namorado de Adriane Galisteu e Eliana e atual presidente do grupo Newcomm, que faturou R$ 1,1 bilhão em 2004. Já o jogo cartonado será uma espécie de Banco Imobiliário com compra e venda de empresas e, não poderia faltar, conquistas de empregos e demissões.

OUTRO CANAL

Revelação 1 Aílton Graça, o Majestade do filme ‘Carandiru’, vem surpreendendo o diretor Jayme Monjardim em ‘América’, que estréia amanhã. Na novela, ele será Feitosa, um segurança atrapalhado, que vive ‘dando um jeitinho’ e se envolve com Islene (Paula Burlamaqui) e, mais tarde, com Creuza (Juliana Paes).

Revelação 2 O personagem será o primeiro de Graça, 38, em uma novela. Ator de teatro há 23 anos, estreou no cinema em ‘Carandiru’, após passar por 16 testes e 2.200 concorrentes. Agora, se divide entre ‘América’ e a série ‘Carandiru – Outras Histórias’.

Escala A Globo já definiu o rodízio de autores que escreverão as novelas das oito até o início de 2007. Depois de Glória Perez (‘América’) e Sílvio de Abreu (‘Belíssima’), será a vez de Manoel Carlos, que cederá lugar a Benedito Ruy Barbosa.

Racha 1 Os investimentos da Record e do SBT em novelas criaram uma disputa entre as duas redes por atores sem vínculos com a Globo _que agora prende os preferidos com contratos de três anos.

Racha 2 Até Teodoro Cochrane, filho de Marília Gabriela que teve uma passagem discreta pela minissérie ‘A Casa das Sete Mulheres’, saiu valorizado. Bastou o SBT anunciar que ele iria fazer testes para ‘Os Ricos Também Choram’, para a Record apressar a contratação do ator para ‘Essas Mulheres’.’

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