Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

FEITOS & DESFEITAS > UOL

Tereza Rangel

23/10/2007 na edição 456

‘Gostaria de informar aos internautas que este blog voltará a ser atualizado na próxima segunda-feira e que tentarei, na medida do possível, responder às mensagens enviadas neste período. Vou assistir ao congresso da Web 2.0, em São Francisco, Califórnia.

Até lá

***

Conteúdo publicado pelo internauta’ (15/10/07)

Há algumas questões e problemas que acompanham o dia-a-dia de quem trabalha com Internet cujas respostas e soluções são complexas. A publicação de conteúdo pelo público é uma delas. Seja de conteúdo dito jornalístico, seja de conteúdo pessoal. O acidente da TAM, com divulgação de fotomontagem na home page do UOL, mostrou a fragilidade dos controles internos na hora de adotar o chamado ‘jornalismo participativo’.

Uma visita ao UOL K mostra a fragilidade na ponta da publicação de conteúdo pessoal. Para evitar que conteúdo adulto, de cunho sexual, contaminasse o UOL K (pensado para o público geral, crianças inclusive), a empresa criou o UOL XXX. Não foram criados, porém, mecanismos que forcem o conteúdo adulto a estar no UOL XXX nem que impeçam crianças de fazer seu perfil no UOL XXX.

A ombudsman criou o perfil fictício como ‘Lolita Infanta’, uma suposta menina nascida em 1997, e fez sua migração para o UOL XXX. A única barreira foi uma página que informava que UOL XXX é voltado para maiores, mas que dava a possibilidade de prosseguimento com a migração, mesmo que o perfil indicasse que ‘Lolita Infanta’ tivesse apenas 10 anos. A ‘infanta’ prosseguiu e fez seu perfil, cuja cópia está abaixo.

Ombudsman criou perfil fictício de garota de 10 anos no site adulto

Até o começo deste mês, era possível fazer busca de crianças no UOL XXX. Depois de denúncia feita pelo site Cocadaboa, a que a ombudsman teve acesso, o UOL alterou a busca, vetando a procura por menores de 18 anos.

UOL permitia busca de crianças em área pensada só para adultos

Além disso, o UOL K está contaminado por conteúdo de apelo sexual, com fotos detalhadas de atos e órgãos. Quem entrar no UOL K e fizer uma busca de comunidade de ‘sexo’ não será direcionado para o UOL XXX nem passará por nenhuma advertência antes de cair em página recheada de imagens ‘proibidas para menores’. Se digitar na mesma busca palavras como ‘teen’, ‘teens’, ‘garoto’, vai se deparar com conteúdo sexual.

Busca por ‘sexo’ leva ao UOL K, sem aviso prévio e com imagens mais do que explíticas (cobertas de vermelho)

Busca por ‘teen’ leva, no UOL K, a imagens de cunho sexual (cobertas de vermelho)

A complexidade está em abrir espaço para a participação do público, não criar um ambiente de censura, posto que uma das grandes qualidades de Internet é a possibilidade de livre circulação de idéias e conteúdos, mas, ao mesmo tempo, coibir rapidamente práticas danosas e/ou criminosas e garantir que cada conteúdo esteja em seu devido lugar. O UOL diz estar tomando providências para deixar de ser reativo e passar a ser ativo no controle desses conteúdos. Vejam, abaixo, a resposta do gerente de conteúdo público, Marcos Lavieri.

‘Tereza,

Sobre o problema relatado pelo Cocadaboa, a correção ocorreu horas depois da publicação no site. Foi um erro grave, e já rediscutimos alguns processos internos para que isso não volte a acontecer.

A publicação de conteúdo erótico no UOL K está fora das regras de uso do serviço, mas é uma realidade. Para migrar esse conteúdo para o UOL XXX ou eliminá-lo, contamos com a ajuda dos internautas, que usam o sistema de denúncia, e, recentemente, com a criação da Gerência de Conteúdo do Público, iniciamos uma busca ativa e diária desse tipo de conteúdo, o que deve diminuir o problema no curto prazo.

Hoje, um internauta que se cadastrou como menor de idade consegue criar seu perfil para o UOL XXX, apesar da advertência sobre quem pode usar esse serviço. Está em curso uma alteração no cadastro para dificultar esse processo, aceitando apenas quem se declarar maior de idade. Mas basta a um menor mentir a idade para, teoricamente, estar dentro das regras, pois não existe forma possível de verificarmos essa informação. Também não está descartada a possibilidade de extingüirmos o UOL XXX.

Como a cada dia a realidade nos mostra que uma parcela dos usuários de vários serviços oferecidos pelo UOL não respeita as regras de uso, decidiu-se mudar a forma de tratar o problema. Até hoje, o UOL foi reativo, agindo após receber denúncias de quebra de regra. A mudança já está em andamento, com um projeto que prevê a monitoração de todo conteúdo feito pelos internautas e colocado na rede de forma aberta, pública. Isso já está sendo testado no UOL Vídeos, com bons resultados.

Abraços,

Lavieri’’

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