Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 23 E 24/2

Terra Magazine

26/02/2008 na edição 474

TELEVISÃO
Márcio Alemão

Verdade que encanta, 25/2

‘Assisti pela primeira vez, nesse domingo, o Nada Além da Verdade, no SBT. Não sei se tiver sorte ou azar. Dercy Gonçalves estava na cadeira da verdade, ou da mentira.

Digo ‘azar’ porque não imagino uma pergunta que pudesse colocá-la em uma saia justa. Dercy, perto de completar 101 anos, não me parece ter necessidade alguma em esconder algo. Logo, o propósito do programa: formular perguntas que deixem o participante em uma delicada situação e deixe o telespectador ansioso em saber como o astro/estrela vai se livrar daquela saia justa sem mentir e perder o prêmio, no caso da Dercy não foi atingido.

A última pergunta, que valia R$100 mil, dizia: ‘você acredita que teria feito sucesso se não falasse palavrões?’. Dercy acabou ganhando os R$100 mil. Essa mesma pergunta ela havia respondido antes, em outro assunto.

Aí que digo ter tido sorte. Dercy é uma mulher interessante, muito difícil de ser ‘julgada’. A palavra é ruim e, no caso dessa atriz, foi utilizada a mais não poder. Julga-se sempre para condenar. Foi chamada de muitos nomes ao longo da vida. Muitos ou sempre o mesmo?

No programa, ao falar sobre políticos,­ ela admitiu ter tido um caso com um político de grande influência, com quem gostava de ‘namorar e não trepar’, e­ citou Getulio Vargas, que teria sido o melhor de todos; aquele que tirou dela e de todas as atrizes de teatro popular a alcunha de ‘puta’. Disse ela que não tinham carteira, não eram reconhecidas como profissionais e sim como prostitutas.

E nos contou que foi para o mundo artístico com a vontade de ser uma cantora, uma cantora lírica até. Mas sucesso não teve. Usou seus costumeiros adjetivos para dizer como fora sua carreira como cantora e, na sequência, disse que estava em Portugal e foi a um espetáculo onde um cantor, um violeiro, em certo momento diz ‘estou cagado’ e a platéia vem abaixo de tanto rir.

Pois a partir desse dia, conscientemente, Dercy decide montar uma nova carreira alicerçada sobre o palavrão. E por isso ganhou os R$100 mil reais ao responder a última pergunta. Respondeu que NÃO. Não teria feito uma carreira de sucesso se não fosse o palavrão.

Que maravilha. Que raridade. Quantas profissionais que se valeram de expedientes muito mais nocivos e deletérios que o palavrão teriam coragem de admitir que o fizeram? Cheguei a fica emocionado, confesso. Falta verdade na praça e em Dercy ela vem de porrada.’

 

IMPRENSA NA JUSTIÇA
Ricardo Kauffman

Jornais x Universal e o abuso de poder midiático, 22/2

‘Litígio violento ocorre neste momento, na mídia e na Justiça, protagonizado pelos grupos Folha e Globo, de um lado, e Igreja Universal, de outro.

O embate mobiliza editoriais publicados nas capas dos jornais, reportagens na TV com tamanho de filme curta-metragem e manifestações iradas de entidades representantes da imprensa. Magistrados, Congresso, ministros e o Presidente da República são chamados a opinar.

Na frente legal, surgem processos judiciais por todo o território nacional. Inclusive ação do PDT no Supremo Tribunal Federal, que pede a revogação da Lei de Imprensa, está sob forte influência do episódio.

Impactado por tão grossa artilharia, o público interessado busca digerir as informações. Afinal, a maioria delas é apresentada pelas partes envolvidas, ambas detentoras de imenso poderio midiático. E que abrem espaço nobre de cobertura em sua própria defesa.

Mesmo que alguns veículos publiquem algo do ‘outro lado’, é preciso mais elementos para se observar a questão com distanciamento mínimo, neste caso em especial.

Segue-se, a partir daqui, exercício que busca ordenar os elementos desta disputa. Isolar o que é fato, questão central, questão de fundo e desdobramentos. E, ainda, o que falta entender.

Os fatos

Em dezembro passado a Folha de S.Paulo publicou extensa reportagem sob o título: ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’. A matéria é contundente e assinada pela repórter superlativa Elvira Lobato, de histórico e gabarito jornalísticos inquestionáveis.

Há um trecho do texto sobre operações financeiras da Universal segundo o qual ‘uma hipótese é que os dízimos dos fiéis sejam esquentados em paraísos fiscais’.

A igreja e seus fiéis reagiram de maneira agressiva. A TV Record vem expondo sistematicamente reportagem sobre o repúdio que o trecho gerou nos seguidores da Universal.

Exibiu, inclusive, foto da jornalista. ‘Mostraram minha foto em matéria que claramente incita as pessoas contra mim’, declarou Elvira Lobato ao boletim Jornalistas & Cia.

No campo jurídico, houve outra forte ofensiva. Até aqui 56 ações contra a Folha de S.Paulo foram registradas por fiéis da Universal, em diferentes rincões do País.

De acordo com o site Comunique-se, a referida matéria exibida no último Domingo Espetacular – com 14 minutos de duração – deve aumentar muito a enxurrada de ações.

No seu contra-ataque midiático, a Folha acusa a igreja de orquestrar a avalanche de processos. Segundo o jornal, há forte congruência nos textos das ações levadas à Justiça.

Reportagens dos jornais Extra e O Globo (ambos das Organizações Globo) e de A Tarde, da Bahia, também são alvo de outra série de processos da Universal. Sobre O Globo fiéis vêem ofensa no fato de o jornal usar o termo ‘seita’ ao se referir à igreja.

Questão de fundo e desdobramentos

Na esteira deste embate, emergiu forte discussão sobre liberdade de imprensa. Entidades que representam o setor vieram a público afirmar que a democracia está ameaçada pela ação sistemática da Universal, que busca intimidar e censurar o direito à informação.

Em nota oficial divulgada esta semana, a Associação Brasileira de Imprensa avisa que divulgará em seu site ‘os nomes dos juízes (que julgarão os pleitos da Universal) e os endereços desses juizados, para viabilizar a manifestação dos cidadãos ofendidos por essa ação antidemocrática’.

A Associação Nacional dos Jornais também divulgou nota que ganhou amplo espaço nos jornais. Segundo a entidade, a ação da Universal tem ‘caráter autoritário’. Ontem foi a vez da Sociedade Interamericana de Imprensa se solidarizar com os jornais.

Questão central e o que falta entender

Apesar de tão intensa, a presente discussão não responde algumas perguntas localizadas mais ao centro do mérito da questão, e menos no debate amplo sobre liberdade de imprensa.

Três delas são: A igreja Universal esquentou dízimos dos seus fiéis em paraísos fiscais? A Universal é uma seita? E, por fim, por que as ações não são unificadas?

Identifico algumas informações que poderiam ajudar nas respostas, mas que sozinhas pouco respondem.

A repórter Elvira Lobato disse ao Jornalistas & Cia que ‘em momento algum contestaram (minha) reportagem’, referindo-se ao programa da Record.

Caberia, portanto, ao jornalismo da emissora contestá-la. E esclarecer qual é o destino dos dízimos, o que contribuiria imensamente para um debate civilizado. Caberia, por outro lado, à Folha, dar mais informações sobre a hipótese que levantou.

Segundo o dicionário Aurélio a palavra ‘seita’ tem quatro significados. O mais negativo deles é: ‘comunidade fechada, de cunho radical’.

Em nota divulgada esta semana, a Universal afirma que ‘não está à margem da sociedade’. E que trata-se de ‘entidade regularmente constituída, conforme a legislação brasileira’.

Por fim, o Domingo Espetacular informou que o pedido da Folha para unificar as ações num único processo foi negado pela Justiça. A informação é confirmada pelo jornal.

Apesar de questionável, a estratégia da Universal seria, afinal, legal ou ilegal? Por que a Justiça não junta os processos? A cobertura não destaca esta questão.

Abuso de poder midiático

O assunto é profundamente complexo. Mais informação sobre os fatos vai ajudar o público a refletir sobre como e em que medida foram quebradas regras republicanas a respeito da liberdade e responsabilidade de imprensa.

Assim, quem sabe, estas regras passem a ser difundidas e conhecidas por toda a sociedade. Para que se mantenham atualizadas e valham sempre, para todos.

Um país em que a sociedade e os próprios meios de comunicação assumem responsabilidades e princípios num código de ética efetivo para o setor possui ferramentas que não temos no Brasil para evitar e coibir abusos de poder midiático de forma rápida e eficaz.

Este parece ser o elemento principal das acusações mútuas no episódio em questão, mesmo quando não pronunciado o inconveniente termo.

Sem a definição do que é abuso de poder midiático, nossa sociedade fica exposta a este tipo desgastante disputa judicial e midiática, que provavelmente não gerará benefício algum aos seus cidadãos.’

 

Claudio Leal

Juca Kfouri vence Capez no Tribunal de Justiça, 20/2

‘O deputado Fernando Capez (PSDB-SP) voltará a freqüentar as crônicas do jornalista e blogueiro Juca Kfouri. Por três votos a zero, o Tribunal de Justiça de São Paulo cassou ontem a liminar da juíza Tonia Yuka Kôroko que proibia Kfouri de ‘ofender’ Capez. Cada opinião desairosa seria punida com uma multa de R$ 50 mil.

Em entrevista a Terra Magazine, o jornalista comemora a decisão e faz um paralelo com as pressões da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) sobre os jornais Folha de S. Paulo, Extra e A Tarde. Por meio de seus fiéis, a Universal abriu processos em pequenas cidades do País contra jornalistas que noticiaram suas ações negativas.

– Eu acho que não é uma coisa pessoal, principalmente num momento de investida obscurantista da Iurd contra os jornais. É muito auspicioso a Justiça não compactuar com uma juiza que te prejulga, que beira o ridículo ao me proibir previamente de ‘ofender’ alguém.

Ex-promotor de Justiça, Capez se irritou com análises publicadas no Blog do Juca. Numa das notas, Kfouri comentou uma notícia sobre as movimentações do deputado tucano para ser secretário de Segurança Pública de São Paulo. ‘As credenciais de Capez na área não autorizam tamanha ambição, diante do seu malogro no combate à violência de torcidas quando exercia a função de promotor de Justiça’, criticou.

– Você simplesmente determinar de antemão que, a cada opinião considerada como ofensa, terá de pagar uma multa de R$50 mil, contraria a liberdade de expressão. Honestamente, é uma vitória, e uma vitória da liberdade de imprensa no Brasil – avalia o jornalista.

Em dezembro de 2007, Juca Kfouri entrou com um mandado de segurança contra a decisão da juíza Kôroko. Em sua defesa, argumentou que se tratava de uma ‘censura prévia’. Agora, com a vitória no Tribunal de Justiça, volta a afiar sua pena.’

 

 

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

Jornal do Brasil

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