Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > RELIGIÃO & VIOLÊNCIA

Terrorismo em pauta

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 05/01/2010 na edição 571

O terrorismo é tema pobre de análises dentro e fora da mídia, mas muito forte na mente das pessoas e alguns aspectos passam despercebidos do público. A origem de todas essas guerras ditas santas é encontrada nos livros ditos sagrados, pois mesmo sendo todos inconclusivos, sugerem que a humanidade não tem saída, ou seja, haverá um juízo final em que somente uma fração mínima escapará, isto se seguir piamente tudo que estiver prescrito nos livros ditos santos sem escorregar um só milímetro.

Acusam equivocadamente os muçulmanos de serem terroristas natos e sujeitos extremamente perigosos, mas não é verdade, pois o povo muçulmano divide-se em dois grupos: xiitas e sunitas; aquele é extremista e vivem quase todos no Oriente Médio e nem todos são terroristas. Os sunitas são os moderados e fiéis seguidores de sua fé prescrita no Alcorão; e não é razoável acreditar que estes estejam ligados a atos terroristas. Em qualquer religião há extremistas, que antigamente eram denominados de maniqueístas; e hoje, de fundamentalistas. Os xiitas terroristas, na verdade, são doentes mentais que escolheram alguma religião para se abrigar, mas que ideologia ou objetivo algum possui. Regra geral, o suicida deseja explodir o mundo, mas como não consegue matar todos, mata-se levando o quanto pode. A religião tem favorecido o fanatismo e a disputas; e a hipóteses que jamais serão comprovadas, visto que são ilusões as promessas.

Guerras e mortes poderiam ser evitadas

A questão da guerra pela suposta terra prometida, anunciada na Bíblia, não passa de mais um equivoco distorcido nas múltiplas traduções e nas interpretações dos exegetas. A história é absurda e diz no livro Gênesis, do Antigo Testamento, que Jacó teria lutado com Deus e vencido a batalha; e o Criador teria mudado o seu nome de Jacó para Israel, dai a origem do nome que hoje seria a terra denominada em outrora de Canaã.

A doutrina do sionismo, diz, em apertada síntese, que somente se criando um estado judaico, Israel, os judeus estariam seguros. Fundado em 1948 e único país do mundo em que há duas capitais oficias – Jerusalém e Tel Aviv – Israel se notabiliza pela especulação imobiliária. Fugindo de Stalin, Hitler e Mussolini os judeus emigraram em massa para Israel e hoje há problema demográfico e de déficit habitacional naquela plaga.

Rousseau, no Discurso sobre a origem das desigualdades entre os homens, diz que um primeiro homem cercou um terreno que era de todos, e disse: ‘Esse terreno é meu!’ E os demais nada disseram ou fizeram para impedir aquele absurdo que, segundo Rousseau, poderia ter evitado várias guerras e mortes inocentes.

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Advogado e psicanalista, Fortaleza, CE

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/01/2010 Luis Olimpio Ferraz Melo

    Prezado Vicente Soares, aceito o seu pedido de desculpas. Apenas para ampliar as explicações necessárias, devo dizer que o espaço é por demais pequeno para escrever minuciosamente sobre cada ponto levantando, mesmo a maioria dos leitores terem entendido o mérito do artigo, ou seja, mostrar as contradições. Sobre Saddam Hussein, quando inclui-o como terrorista, é bom lembrar que ele era aliado dos Estados Unidos em outras guerras e as tais “armas de destruição em massa” até hoje não apareceram, inclusive essas terríveis “armas de destruição” que os Estados Unidos e a Inglaterra afirmavam peremptoriamente existir e que nunca foram encontradas, a verdade é que a noticia foi “plantada” e numa transmissão feita pela BBC de Londres, em 29 de maio de 2003, o jornalista Andrew Gilligan denunciou que o tal relatório do serviço de inteligência que afirmava a existência do iminente perigo iraquiano, era falso. Soube-se depois que a fonte da noticia era o Dr. David Kelly, um inspetor de armamento sem vínculo direto com o sistema de informação reservado governamental, que após a bombástica revelação apareceu “suicidado” em circunstâncias obscuras. Portanto, em matéria de guerra e de terrorismo é bom ficarmos com os olhos bem abertos. Como você bem diz e concordo, deve sim haver sunitas entre terroristas, mas a maioria deste é reconhecidamente moderada e sem vinculo com o terrorismo.

  2. Comentou em 09/01/2010 Vicente Soares

    De forma alguma agredi o autor do texto em meu comentário, apenas fiz uma crítica ao artigo por fazer uma generalização em relação aos xiitas, bem como por ignorar atos terroristas praticados por sunitas como Saddam Hussein. Meu objetivo de forma alguma é desqualificar o debate, apenas contribuir. De qualquer forma peço aqui sinceras desculpas caso tenha ofendido o autor do artigo de alguma forma. Sincero abraço.

  3. Comentou em 08/01/2010 Carlos Diniz

    Inquisição,Robespierre,Eugenia,Stalin,Hitler,Pinochet,Fidel

    Eventos e nomes bem distintos,mas com um ponto em comum : a intolerância.É mais um lamentável comportamento humano,do que primazia da religião,etc

    Mas tente argumentar isso com ‘Novos ateístas’,como Hitchens e Dawkins.Que ao invés de debater a religião com críticas consistentes (no campo filosófico e histórico),apela ao sensacionalismo barato.

    A ‘origem de todo o mal’,pff não é a toa que mal comentam sobre o movimento eugênico em voga nos Estados Unidos e Europa no século XIX/XX.Desconstrói muitos mitos

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