Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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FEITOS & DESFEITAS > SENSACIONALISMO

Transplantes e Escola Base

Por Marcus Miranda em 05/08/2008 na edição 497

A maneira sensacionalista como a imprensa está cobrindo a prisão do médico Joaquim Ribeiro Filho, a partir de denúncias do Ministério Público Federal sobre possíveis ilicitudes em transplantes de fígado, no Rio de Janeiro – com a Polícia Federal sendo acompanhada por equipes de televisão –, é preocupante e faz lembrar o episódio da Escola Base, em São Paulo.

A história pessoal do médico Joaquim Ribeiro, doutor pela Universidade de Paris com especialização em transplantes de órgãos e responsável pela primeira cirurgia para transplante de fígado no estado do Rio de Janeiro e centenas de transplantes no estado, deveria ter levado as editorias a ter um pouco mais de cuidado na maneira de divulgar o caso.

Não é isto o que vem ocorrendo, com a imprensa reiteradamente dando total espaço às histórias que têm viés sensacionalista, em detrimento de declarações que defendem o médico e rejeitam as acusações. Uma destas declarações, entre dezenas de outras, ignorada pela imprensa, é de Regina Pereira, viúva do respeitado intelectual carioca Geraldo Jordão Pereira, que foi operado por Joaquim Ribeiro.

Busca irresponsável por audiência

Regina Pereira afirma, em carta enviada e ignorada pelos jornais: ‘Ver um homem da honradez do dr. Joaquim ser levado por policiais, como se fosse um criminoso, num país em que os grandes crimes econômicos e a corrupção ficam impunes, é a mais absurda inversão de valores e nos obriga a pensar nos interesses contrariados que levaram a tal procedimento.’

Que o Ministério Público Federal, na sua ânsia punitiva, apresente denúncia; que a Polícia Federal, sem ouvir o acusado, o indicie e peça a sua prisão; que o Judiciário apressadamente mande prender é, certamente, kafkiano. Mas, a imprensa – pelo seu poder destrutivo e por casos passados – deveria ter muito, muito cuidado ao noticiar da forma que vem fazendo.

Afinal, comprovada a inocência do dr. Joaquim Ribeiro, como ocorreu com os acusados da Escola Base, como a imprensa irá restabelecer a imagem destroçada de um homem por conta da busca irresponsável por audiência ou pelo aumento na venda de jornais e revistas?

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Jornalista, Rio de Janeiro, RJ

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/08/2009 Ronaldo Simao

    Lamentei não poder concordar com o teor das declarações de D. Regina Pereira, especialmente porque quem, como eu, conhece e bem o Dr. Joaquim Ribeiro Filho, sabe perfeitamente o quanto são completamente fantasiosas as acusações que ainda pesam sobre o professor. Por isto, vejo o sensacionalismo e a irresponsabilidade da mídia muito mais como divulgação e marketing: nada disto o atinge.
    Digo isto do alto de experiencia muitíssimo parecida: eu mesmo já fui, em outros tempos, ‘vitimado’ por processo semelhante e o mais que ganhei foi a libertação dos fardos que, por puro senso de dignidade social, decidira carregar. Então, com o baruho e a agressão sofridos, considerei-me desobrigado. Não creio ter perdido nada, a não ser os compromissos, que cumpria com exação e acerto. Perdeu, isto sim, a educação, com que contribuí significantemente durante duas décadas e poderia ter-me consumido inteiramente a juventude e a vida.
    O quadro de agora, envolvendo o nome de um profissional do elevado quilate do Dr. Joaquim Ribeiro, é em tudo semelhante: quem perde é somente a Medicina deste lamentável país, onde competência e dignidade parecem não ter espaço.
    ‘Ofender’ a mediocridade, aqui, é pecado capital. E nada lhe é mais cáustico do que conhecimento e competencia.
    Basta um olhar sobre influentes em geral e governantes em particular…

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