Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 28/8

TSE julga restrições à rede em campanha eleitoral

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 28/08/2008 na edição 500

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de agosto de 2008


 


ELEIÇÕES
Lilian Christofoletti


TSE julga hoje restrições à internet na campanha


‘O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve se reunir hoje para reavaliar o espaço que a internet ocupará nas eleições municipais deste ano. Pela legislação vigente, foram impostas duras restrições à divulgação de informação jornalística e de manifestação de apoio a candidatos no mundo virtual .


A discussão será feita a pedido do portal iG, que ingressou, no dia 15 de julho, com um mandado de segurança defendendo a anulação de dois artigos da resolução nº 22.718, editada pelo tribunal como uma espécie de guia para a eleição.


Os itens questionados pelo iG (artigos 18 e 19) definem que a propaganda eleitoral na internet só será permitida na página do candidato destinada à campanha. Com isso, proíbe-se que as demais ferramentas virtuais -como sites de relacionamento (Orkut e Second Life), salas de bate-papo e blogs- divulguem informação que configure propaganda política favorável ou contrária a candidato.


Esse entendimento do TSE foi fundamentado na lei 9.504, editada em 1997, que equiparou legalmente internet a rádio e TV. Como concessão pública, a mídia eletrônica não pode emitir opinião nem dar tratamento diferenciado aos postulantes. Jornais e revistas, por serem empresas privadas, não sofrem restrições.


Numa extensão a essa equiparação aos meios eletrônicos, foi proibida a comercialização para partidos políticos de espaço publicitário na internet.


Para o diretor-presidente do iG, Caio Túlio Costa, essas restrições impedem que a rede brasileira seja um espaço político livre e plural, o que coloca o Brasil na ‘idade das trevas’.


‘O maior prejuízo é para o cidadão. A legislação bloqueia a vocação primordial da internet, que é a única mídia de massa que possibilita o diálogo direto entre usuários e a própria fonte de informação, através de chats, blogs, e-mails e comunidades sociais’, disse Caio Túlio.


No pedido, que deverá ser levado hoje a plenário pelo ministro-relator Joaquim Barbosa, o iG pediu a livre comercialização do espaço publicitário, a publicação sem censura de entrevistas com candidatos, a manifestação livre dos colunistas em blogs e a manutenção das salas de bate-papo.


Se algum dos sete ministros do TSE pedir vista do processo, o julgamento será adiado.


‘Estamos muito confiantes de que haverá um julgamento favorável à liberdade de informação’, afirmou a gerente-jurídica do iG, Dulce Artese.


O advogado Afrânio Affonso Ferreira Neto, que representou no TSE os portais do Grupo Estado, num pedido semelhante ao do iG, disse esperar que a internet seja compreendida em suas especificidades. ‘A internet não é uma concessão pública. Diferentemente da TV e do rádio, o sujeito não é passivo diante da informação. Ele precisa ir atrás, acessar a internet e navegar para encontrar o que procura. Na verdade, entendo que o direito de manifestação não poderia ser cerceado em nenhum tipo de mídia.’


O pedido do Grupo Estado, iniciado em 3 de junho, ainda não foi apreciado. Depois do voto contrário do relator, um dos ministros pediu vista.’


 


 


Flávio Ferreira


Vereadores gastam R$ 3,2 mi na divulgação de seus nomes


‘Os vereadores de São Paulo gastaram 52% das verbas de gabinete que receberam em um ano para fazer propaganda de seus feitos. De agosto de 2007 a julho deste ano, eles usaram R$ 3,22 milhões dos recursos públicos da Câmara para produzir e enviar materiais impressos pelo correio.


Segundo entidades que acompanham o funcionamento do Legislativo, o uso das verbas de gabinete pelos parlamentares na promoção dos próprios nomes provoca desequilíbrio na disputa eleitoral.


‘As verbas indenizatórias que os parlamentares gastam em divulgação não têm ligação com o exercício dos mandatos. É evidente que eles usam os recursos para edificar suas carreiras políticas. Em um ano eleitoral, esse tipo de uso provoca um desequilíbrio em relação aos candidatos que não dispõem das verbas das Casas Legislativas’, diz Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil.


Os vereadores dizem que a divulgação não é pessoal e tem como fim informar sobre a atuação parlamentar -além de estar amparada na lei.


Somente em agosto de 2007 a Câmara passou a divulgar como os vereadores utilizam os R$ 167,4 mil que recebem por ano -R$ 13.950 por mês, em média- para custear seus gabinetes. Nos últimos 12 meses as verbas de gabinete consumiram R$ 6,22 milhões da Casa.


A verba tem caráter indenizatório -os vereadores pagam fornecedores e depois são reembolsados. Esse tipo de recurso não é utilizado para pagamento de assessores e funcionários, que recebem diretamente da Câmara. No entanto, a Casa não permite o acesso público às notas fiscais e aos comprovantes de pagamento apresentados pelos vereadores para serem ressarcidos. Assim, é impossível saber a quem eles pagam pelos serviços e produtos.


Apesar de ser do Partido Verde, o vereador Abou Anni foi o que mais gastou na confecção de materiais impressos e na colocação deles no ambiente dos destinatários de malas-diretas. Anni utilizou para esse fim R$ 112 mil dos R$ 144 mil que recebeu nos últimos 12 meses -ou seja, 77% do total.


Nos outros dois lugares do ranking de gasto com divulgação estão Milton Leite (DEM), em segundo -gastou R$ 109 mil-, e Wadih Mutran (PP), em terceiro -usou R$ 108 mil. Dos 55 vereadores, os três e mais 49 tentam a reeleição.’


 


 


Laura Mattos


Alckmin muda e põe ‘sofá da Lu’ na TV


‘Uma foto mostra Lu Alckmin beijando o marido, Geraldo Alckmin. Em seguida, vem a frase: ‘Na direção do coração’.


Essa foi a abertura de uma espécie de ‘programa feminino’ lançado ontem no horário eleitoral de Alckmin (PSDB), que na pesquisa Datafolha divulgada no último fim de semana teve queda de oito pontos percentuais e ficou 17 pontos abaixo da líder, Marta Suplicy (PT).


Diante dos resultados insatisfatórios, a campanha tucana aponta para novo rumo, uma semana após a estréia do horário eleitoral no rádio e na TV.


Perde força a estratégia de centrar fogo contra o candidato do DEM Gilberto Kassab (que subiu no Datafolha), criticada nos bastidores pelo governador José Serra (PSDB). No programa de rádio, Alckmin falou em ‘campanha limpa’. ‘Alguns até me perguntam: ‘Vai atacar fulano?’ Não. Isso aqui não é vale-tudo. É amor pela cidade.’


Na TV, o tucano apontou ‘problemas da cidade’, sem relacioná-los diretamente à gestão kassabista, integrada por equipe montada por Serra.


Em ‘Na direção do coração’, sentada em um sofá como mando o figurino dos programas femininos, Lu ‘entrevistou’ uma médica e uma voluntária. ‘Conta pra gente como você ajuda a resolver os problemas da saúde’, disse Lu, que encerrou seu quadro com um anúncio: ‘Semana que vem a gente volta com outro tema sobre a vida na cidade de São Paulo’.


Pouco após a veiculação do horário eleitoral, Alckmin sorriu ao ser questionado pela Folha sobre a ‘estréia’ da mulher. ‘Ah, eu tenho muito orgulho da Lu. Ela sempre foi solidária. É a sétima filha de uma família de 11 e aprendeu a dividir’, disse.


Alckmin negou que seu objetivo seja, com isso, buscar um diferencial em relação a Marta, que se separou do senador Eduardo Suplicy depois de 36 anos de casamento e se casou com o franco-argentino Luis Favre, e a Gilberto Kassab, solteiro. ‘Não é comparação com ninguém’, afirmou o tucano.


Ele admitiu, contudo, ter o objetivo de evidenciar seu lado ‘família’. ‘Sim, é importante valorizar a família’, disse.


Coordenador da campanha alckmista, o deputado federal Edson Aparecido afirmou que ‘não há mudança de rumo’.


Segundo ele, ‘em nenhum momento houve crítica a Kassab’. ‘Nossa idéia é discutir os desafios da cidade.’ Mas reconheceu que o programa de ontem foi ‘mais sutil’ ao apontar problemas. Disse que o quadro de Lu só vai ao ar à tarde, ‘horário muito visto por mulheres’. O Datafolha mostra que Alckmin é o único entre os três principais candidatos que vai melhor com mulheres (27 pontos) do que com homens (20).’


 


 


Claudio Dantas Sequeira e José Ernesto Credendio


Kassab é proibido de usar marca de leite na propaganda na TV


‘O prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi proibido de explorar a marca do leite em pó Ninho no programa eleitoral gratuito. O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) entendeu que a campanha de Kassab, que tenta a reeleição, violou o artigo 26 da resolução 22.718 do TSE, que proíbe a utilização comercial do horário político.


Nos primeiros dias da campanha na TV, o narrador destacava a retomada pela gestão do programa Leve Leite, que contempla cerca de 1,1 milhão de crianças por mês. Dizia: ‘O leite que a meninada leva para casa é leite de qualidade’, enquanto latas de Ninho eram exibidas perto de uma mulher.


Desde o início da semana, o tempo dedicado ao tema foi reduzido. A marca aparece borrada, mascarada por computação gráfica, mas é possível distinguir a cor amarela característica da embalagem. A representação contra Kassab foi apresentada ao Ministério Público pela petista Marta Suplicy.


‘Nossa idéia não era fazer propaganda. Mas apresentar o produto que tem sido distribuído nas escolas. Ressaltar que se trata de leite de qualidade’, disse à Folha Carlos Magagnini, assessor de imprensa de Kassab. O juiz Claudio Luiz de Godoy concordou com a defesa. Apesar de ordenar a retirada da marca, não multou o prefeito.


O que Kassab não explica no programa é que o leite vem sendo comprado da Nestlé sem licitação pela prefeitura, desde julho de 2007. No último dia 15, o governo Kassab firmou novo contrato de R$ 56,2 milhões com a multinacional e vai continuar distribuindo o leite da marca por pelo menos mais 90 dias. São 6.600 toneladas.


No contrato de emergência, são 2.200 toneladas por mês durante 90 dias. Já o edital previa a compra mensal de 1.628 toneladas ao mês. A negociação emergencial foi decidida depois que o Tribunal de Contas do Município pediu a suspensão do processo licitatório por ‘impropriedades’ que poderiam restringir a participação de concorrentes. Tanto a Secretaria de Gestão, responsável pela compra, como a coordenação da campanha de Kassab dizem que a licitação prossegue.


A Nestlé afirma que foi a única empresa a atender os requisitos exigidos pela prefeitura. O primeiro contrato sem licitação com a Nestlé foi firmado depois que as fornecedoras Itambé e Tangará suspenderam a entrega por três meses.


As empresas reivindicavam aumento de até 30% no preço, mas a prefeitura só aceitava 7%. Na queda-de-braço, prefeitura e Nestlé chegaram ao valor de R$ 8,53 por quilo, preço que foi mantido no novo contrato. O valor atual de mercado, diz a prefeitura, é de R$ 10,50.’


 


 


GRAMPOS
Folha de S. Paulo


CCJ do Senado aprova regras mais severas com 100% de votos


‘A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou, por unanimidade, projeto de lei que estabelece regras mais duras para quebras de sigilo telefônico. Agora, a proposta precisa ser avaliada em segundo turno na própria comissão. Depois, tramitará na Câmara.


Apresentado por Jarbas Vasconcelos (PMDB) em 2007, o projeto foi relatado por Demóstenes Torres (DEM). O texto final contou com sugestões do Ministério da Justiça. ‘O que foi aprovado é fruto de um acordo’, disse Vasconcelos. Agora, para efetuar o grampo, o Ministério Público e a polícia devem detalhar por escrito -são poucas as exceções para o pedido verbal- por que é necessária a quebra de sigilo.


A pessoa investigada deve ser qualificada e será preciso mostrar por que não há outras formas de se produzir provas. O pedido tem de ser apresentado ao juiz responsável pelo processo. Conversas entre o cliente e seu advogado só poderão ser usadas quando o último não estiver exercendo a função.’


 


 


Anna Veronica Mautner


Privacidade foi para o beleléu


‘Onde está o segredo que o Google não desvenda? Onde está o mau passo que a gravação não deda? Onde estão os mistérios que o computador ainda não divulga? Pois é. A tecnologia acabou com tudo isso e também com o romance de aventura e espionagem.


Antes, para xeretar ou espiar o que era proibido, bastava grudar a orelha na porta ou o olho no buraco da fechadura. Também se pulavam muros ou se vigiava por cima deles o quintal do vizinho. Era o tempo em que países tinham espiões. Os investigadores de polícia se camuflavam para penetrar ambientes proibidos.


Existiam espionagem estatal, industrial e também os celebrados detetives particulares, todos se disfarçando para melhor trazer à luz o que estava nas sombras.


Aí, de mansinho, a tecnologia foi chegando, tirando o emprego desses profissionais com vida tão cheia de aventuras.


Gravadores, câmeras ocultas, radares e outras tantas quinquilharias geraram novos especialistas, matando esses velhos que hoje estão nos romances. Vivemos como se todos os telefones fossem grampeados, desde o do gari até o do presidente do Supremo Tribunal Federal. As conversas privadas podem sempre estar sendo gravadas. Nem no sigilo dos Correios se confia mais como antigamente. Resta-nos o celular, que deveria garantir sigilo.


No último século, todos os esforços de manter segredos foram sendo driblados, chegando a uma novidade: uma maleta que faz escuta de celular, sem passar por operadoras, acessível por US$ 500 mil. A Polícia Federal gostaria de tê-la.


A meu ver, aí se coloca uma questão: a desglamorização e profissionalização da curiosidade, com a amputação da possibilidade de participar do jogo de descobrir. Legalizar a escuta clandestina representa uma intromissão tecnológica nas relações interpessoais. O fim da privacidade chegou.


Um dos elementos básicos do triângulo edipiano, a curiosidade de saber o que ‘os pais estão fazendo lá’, continua existindo, mas ficou ‘démodé’, já que vemos quase igual na televisão, no cinema ou na internet. E Freud, que achava tão importante para o desenvolvimento da pessoa e para a transformação da cultura ser xereta e exercer curiosidade, ficou capenga. É a vitória da tecnologia.


No século 17, na época de Colbert, ministro do Rei Sol, para manter o segredo da incipiente indústria francesa, cortava-se a língua dos operários, o que era suficiente, pois eram todos analfabetos. Para mandar recados amorosos ou de negócios, emissários tinham que atravessar países e fronteiras, defendendo as cartas ao preço, se necessário fosse, da própria vida. Assim me contam os romances e os filmes de época.


Talvez alguns dos nichos que ainda restem para trocar segredos e mistérios sejam os picos das montanhas ou as pistas de corrida nos parques. Podemos ainda recorrer à benfazeja rotatividade de flats e motéis, enquanto não estão monitorados.


Então, em vez de sexo, negociações. Fica a sugestão: helicópteros voando longe da cidade devem estar a salvo de escutas.


Mandar um recado virou tarefa igual à das ‘mulas’, que carregam drogas ou dólares amarrados no próprio corpo. Entre motéis, flats, helicópteros e picos nevados, a privacidade se esgueira para não desaparecer. Tenho dito.


ANNA VERONICA MAUTNER , psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, é autora de ‘Cotidiano nas Entrelinhas’ (ed. Ágora) amautner uol.com.br’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Escalada?


‘Foi manchete on-line do ‘Financial Times’, ‘Ocidente diz à Rússia para ficar fora da Ucrânia’, e destaque no ‘New York Times’, ‘Rússia vê nova área de preocupação: o mar Negro’. A mensagem era sobre a presença crescente de navios de guerra ‘do Ocidente’ no mar que reúne Rússia, Geórgia e Ucrânia, inclusive a Criméia, com base da Marinha russa.


Por outro lado, o manchete on-line do ‘China Daily’, com foto dos dirigentes russos Dmitri Medvedev e Vladimir Putin, destacava que a chegada de um navio americano à Geórgia ‘aumentou a tensão’, levando a Rússia a enviar três navios a outro porto georgiano, em ‘escalada’. O presidente chinês está no Tadjiquistão em conversas com o colega russo, que quer o apoio da China no confronto.


ALIADO, MAS NEM TANTO


Em destaque nas buscas de Brasil por Google News e Inform.com, o site da ‘Aviation Week’ noticia que a Lockheed Martin ‘ofereceu uma versão do F-16’ e não o F-35 ‘originalmente especificado no pedido de informação’ enviado pelo Brasil. É a concorrência do programa F-X2, que prevê a compra de 36 jatos militares ao custo de US$ 2,2 bi.


A revista diz que a resposta da Lockheed ‘sugere que os EUA não estão prontos para oferecer seu jato mais moderno para além dos aliados próximos’.


VOLTA, DOHA, VOLTA


De Canberra, por Xinhua e outras, ‘Austrália e Brasil se comprometem a reviver Doha’. Foi após reunião de Celso Amorim com o ministro de comércio do país, também exportador de commodities. Ato contínuo, o francês Nicholas Sarkozy cobrou ‘reviver Doha’.


Mas na Índia, ontem também, o ‘Economic Times’ dizia que o ‘entrave’ continua e um avanço é ‘improvável’ e o ‘Financial Express’ celebrava que o colapso de Doha confirmou ‘o poder dos emergentes’.


‘GO TO RIO’


O australiano ‘Sidney Morning Herald’, para além de Amorim, deu longa análise da economia brasileira, dizendo que suas empresas ‘desempenharão papel cada vez maior no portfólio dos superfundos da Austrália’. Avisa que a classe média ‘está crescendo rapidamente, mas a desigualdade ainda é enorme’.


LULA VS. CRISTINA


No topo das buscas de Brasil no Yahoo News, o ‘NYT’ postou longa reportagem dizendo que, frente à alta dos alimentos, ‘Brasil e Argentina reagem de maneira oposta’. Enquanto fazendeiros ‘creditam a Lula’ os financiamentos crescentes, Cristina Kirchner ‘eleva os impostos sobre a exportação’.


FICA PARA DEPOIS


Carlos Ayres Britto votou pela demarcação da reserva, nas manchetes de sites e telejornais, mas Carlos Alberto Direito pediu vista. E frustrou uma crescente cobertura externa, das agências à BBC e à Al Jazeera, a emissora árabe. Esta última estava ontem em Surumu, na entrada da Raposa Serra do Sol, ouvindo índios e o prefeito fazendeiro, que ameaçou reagir se ‘o governo vier tirar minha terra’.’


 


 


OBAMA
New York Times


Propaganda liga democrata a ex-radical


‘A campanha de Barack Obama move uma batalha legal contra uma organização conservadora que vem veiculando milhões de dólares em propaganda na qual o nome do candidato é vinculado ao de William Ayers Jr., um radical dos anos 60.


A campanha pediu que o Departamento da Justiça investigue a organização American Issues Project por violação da legislação que regula a atuação de grupos sem fins lucrativos nas eleições. Obama também veicula comerciais que dizem: ‘Com todos os problemas do país, por que John McCain está falando sobre os anos 60 e tentando vincular Barack Obama ao radical Bill Ayers? McCain sabe que Obama denunciou os crimes de Ayers’.


Um antigo assessor da campanha de McCain, Ed Failor Jr., preside a American Issues Project. A campanha está sendo bancada por uma doação de US$ 2,9 milhões feita pelo investidor Harold Simmons, que também foi um dos grandes patrocinadores da Swift Boat Veterans for Truth, que, na campanha eleitoral de 2004, veiculou os anúncios questionando o histórico do senador John Kerry como comandante de um barco rápido de ataque durante a Guerra do Vietnã.


Ayers, hoje professor de educação em Chicago, fundou o Weather Underground, que promoveu ataques a bomba contra edifícios do governo nos anos 70. Ele foi colega de Obama no conselho do Woods Fund, uma organização de caridade de Chicago, e hospedou Obama em sua casa em 1995.


 


 


NA REDE
Folha Online


Brasil bate recorde em número de internautas


‘Influenciado pelas férias escolares, o período de julho rendeu dois recordes à internet brasileira. O país registrou no mês passado o maior volume de internautas residenciais (23,7 milhões de pessoas) e o maior tempo médio de navegação (24 horas e 54 minutos por pessoa). Os dados foram divulgados ontem pelo Ibope/NetRatings.


Em julho de 2007, o país possuía 18,5 milhões de internautas residenciais -ou seja, houve um crescimento de 28% em um ano.


O número também é 3,5% maior se comparado a junho deste ano. Nesta categoria, o Ibope considera apenas internautas que acessaram a rede ao menos uma vez de casa.


O internauta residencial brasileiro também ficou uma hora e 42 minutos a mais on-line do que em junho, em média. É o maior patamar alcançado desde o início da pesquisa, em setembro de 2000.


Os dados mostram também que, de férias, os internautas mirins se destacaram na rede. Cerca de 2,5 milhões de crianças de dois a 11 anos navegaram de casa no período -10,6% do total de pessoas que acessaram a rede no país.


Mais tempo na rede


Segundo a metodologia do Ibope, o Brasil possui o internauta residencial que mais tempo permanece na rede.


Os países que mais se aproximaram do tempo brasileiro são Alemanha (21 horas e seis minutos), Estados Unidos (20 horas e 50 minutos), França (20 horas e 17 minutos) e Japão (19 horas e 21 minutos).


Dados relativos ao primeiro trimestre deste ano apontam que 41,5 milhões de pessoas com 16 anos ou mais dizem ter acesso à internet de qualquer ambiente -casa, trabalho, escola, lan houses etc.


A internet também foi o meio de comunicação que mais cresceu, percentualmente, em investimento publicitário no Brasil no primeiro semestre deste ano.


A rede faturou R$ 321 milhões no período, uma alta de 45% em relação ao ano passado. As informações divulgadas são do projeto Inter-Meios, que mede o faturamento de empresas de mídia.


O avanço da web, tanto em audiência quanto em publicidade, afeta o desempenho da TV, maior meio de comunicação do país, segundo o Ibope.


Na última sexta-feira, Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da Rede Globo, afirmou que os radiodifusores têm saudades do tempo em que não havia ameaça das novas mídias ao seu modelo de negócios.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TV Brasil acusa Anatel de negligência em SP


‘Presidente da TV pública federal), a jornalista Tereza Cruvinel acusou ontem a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de ‘negligência’.


Segundo Cruvinel, há quatro meses os transmissores e antenas da TV Brasil estão prontos para serem instalados em São Paulo, mas isso não ocorre porque a Anatel não consegue resolver um problema de interferência do sinal da TV pública numa rede de telefonia móvel.


As licenças da TV Brasil em São Paulo, nos canais 68 (digital) e 69 (analógico), ainda são provisórias. Ao fazer testes de transmissões no canal 69, a TV Brasil detectou que seu sinal causava interferências graves no serviço da Nextel.


‘A responsabilidade [pelas interferências] é da Anatel’, diz Cruvinel. ‘A solução aventada pela Anatel seria trocar de canal, o que nos causaria um prejuízo de US$ 400 mil. Não aceitamos. A outra solução foi colocarmos filtros contra interferências. Mas os filtros da Nextel, segundo a Anatel, estão sempre em testes’, afirma.


‘Achamos que há negligência. Talvez não houvesse tanta demora se fôssemos uma televisão comercial’, acusa. A TV Brasil pretendia estrear em São Paulo em 2 de dezembro, mas os transmissores atrasaram.


A Anatel informou que continua analisando os testes com filtros da Nextel e que estuda alternativas para o caso. A agência não se manifestou sobre a acusação de negligência.


DILEMA 1


O ‘Fantástico’ pode ganhar em breve um novo apresentador, interino. É que Zeca Camargo deixará o programa durante um mês e meio, a partir de meados de setembro, e a Globo ainda não decidiu se Pedro Bial ficará no lugar do jornalista nesse período.


DILEMA 2


Por enquanto, são várias as possibilidades para a bancada do ‘Fantástico’: Bial voltar, duas mulheres (Patrícia Poeta e Renata Ceribelli) ou um ‘novo’ homem. Zeca Camargo até hoje não foi oficializado como apresentador titular do programa.


DIVA


Luciana Gimenez também está mexendo os pauzinhos para tentar uma entrevista com Madonna. Negocia diretamente com o estafe da cantora.


DISCURSO 1


A queda de audiência da Record não foi causada pela Olimpíada. Ao contrário do que pregavam os executivos da emissora, seu ibope não subiu no início desta semana.


DISCURSO 2


Nestas segunda e terça, a Record teve média diária de 7,3 pontos. Nos mesmos dias da semana passada, sua audiência foi de 7,4. Uma semana antes dos Jogos, era de 7,5. Ou seja, a Record continua em queda.


PANCADARIA DE VOLTA


A Globo anuncia a reprise de ‘Mulheres Apaixonadas’, à tarde, a partir de segunda. A novela, em 2003, foi reclassificada como inadequada para antes das 21h. A Globo diz que conseguiu agora reenquadrá-la como imprópria para menores de 10 anos (qualquer horário).’


 


 


Priscila Pastre-Rossi


Série relembra julgamento de nazistas


‘Assistir ao primeiro episódio da série ‘O Julgamento de Nuremberg’, que vai ao ar hoje, às 21h, no Discovery Channel, incomoda. E esse é o seu maior mérito. Porque o incômodo nasce da simpatia que a série provoca no espectador por um personagem histórico que, racionalmente, sempre seria odiado. Durante a reprodução do julgamento do arquiteto nazista Albert Speer -ministro dos Armamentos de Hitler nomeado em 1942, acusado de utilizar trabalho forçado para fomentar a produção-, é difícil não se render ao carisma do personagem real, vivido nesta co-produção do canal com a BBC pelo ator Nathaniel Parker. Mesmo criticando as ações de Hitler, Speer assumiu culpas e responsabilidades perante o tribunal. E foi essa estratégia, aliada ao seu carisma, que provavelmente o livrou de uma pena mais dura -Speer foi condenado a 20 anos de prisão. ‘O Julgamento de Nuremberg’, que conta nos episódios seguintes os julgamentos de outros dois integrantes da alta cúpula nazista -Hermann Goering e Rudolf Hess-, mostra que o primeiro foi condenado à morte (e acabou se suicidando) e o outro pegou prisão perpétua.


O JULGAMENTO DE NUREMBERG


Quando: hoje, às 21h


Onde: Discovery Channel


Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos’


 


 



CINEMA
Ivan Finotti


Irmãos Coen voltam à boa forma com humor negro


‘Dez anos depois de lançarem sua última boa comédia, os irmãos Coen voltam à boa forma do humor negro com ‘Queime Depois de Ler’. O filme, que teve estréia mundial ontem, no Festival de Veneza, chega ao Brasil em 28 de novembro.


Desde ‘O Grande Lebowski’ (1998), a dupla patinava em comédias românticas (‘O Amor Custa Caro’) ou simplesmente sem graça (‘Matadores de Velhinhas’), apesar de ter acertado a mão em produções mais violentas (como ‘O Homem que Não Estava Lá’ e ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’).


Agora, voltamos ao terreno árido de ‘Fargo’ (1996), no qual idiotas colocam em andamento engrenagens desconhecidas, sem ter idéia das conseqüências. Os manés são Frances McDormand, Brad Pitt e George Clooney.


Os dois primeiros são impagáveis funcionários de uma academia de ginástica que colocam as mãos em documentos de um ex-agente da CIA (John Malkovich; ótimo, como sempre). Pensando numa possível recompensa, eles se envolvem numa rede de intrigas que inclui a mulher do ex-agente (Tilda Swinton) e seu dócil amante (Clooney, repetindo a dobradinha de ‘Conduta de Risco’).


É difícil dizer quem faz mais bobagens no andamento da história. O personagem de Pitt é completamente desmiolado, o de McDormand só quer saber de fazer quatro cirurgias plásticas, e o de Clooney passa as noites construindo uma máquina incrível (e secreta, por enquanto) no porão. Mas, sendo um filme dos Coen, é só sentar e esperar o banho de sangue, com direito a machadinhas.


Mau humor


A exibição de ontem foi seguida de uma entrevista coletiva para 300 jornalistas, com Joel e Ethan Coen, Clooney, Pitt, McDormand e Swinton.


Ethan Coen disse que escreveu o filme pensando nesses atores. ‘Não sei se deveria ficar lisonjeado ou me sentir insultado por isso’, disse Brad Pitt, de chapéu de palha, na única brincadeira que fez. No mais, predominou o seu mau humor. Impaciente com perguntas pessoais, deixou de responder várias vezes e foi monossilábico quando abriu a boca.


Clooney foi mais tolerante com perguntas do tipo ‘Você quer casar e ter filhos?’ (‘Sim, hoje mesmo, em Veneza’, respondeu) e falou da produção. ‘Gosto de interpretar o idiota’, resumiu. ‘E não é nada ruim ser idiota’, filosofou Joel Coen.


Tilda Swinton contou que, apesar de algumas frases parecerem improvisadas, não há espaço para isso com os Coen. ‘Afinal, são ótimos escritores.’


Frances McDormand, que é casada com Joel Coen, não se preocupou em ser legal: ‘Sempre que começo a improvisar, eles dizem: ‘Pare!’.


E lá sei foi a meia hora de coletiva. Ao final, uma vergonhosa participação da imprensa mundial: dezenas de repórteres correram para pedir autógrafos. A segurança precisou comparecer para que os norte-americanos não fossem tragados.’


 


  


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 28 de agosto de 2008


 


TELECOMUNICAÇÕES
Renato Cruz


Mudança no PGO pode criar batalha jurídica


‘A ameaça do ministro das Comunicações, Hélio Costa, de modificar a proposta do Plano Geral de Outorgas (PGO) elaborada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pode gerar uma batalha jurídica. Na terça-feira, Costa chamou de ‘negócio retrógrado’ a exigência da Anatel de as operadoras criarem uma empresa separada para oferecer banda larga, e disse que irá derrubar a proposta se ela for mantida no texto a ser enviado ao ministério.


Acontece que a Lei Geral de Telecomunicações diz, em seu artigo 19, que cabe à Anatel ‘elaborar e propor’ o PGO, um decreto presidencial, que é encaminhado ao presidente da República pelo Ministério das Comunicações. O artigo 18 determina que cabe ao Poder Executivo ‘aprovar o plano geral de outorgas’. A lei não prevê a participação do Executivo na elaboração do PGO, que já passou por processo de consulta pública.


A mudança do PGO é necessária para viabilizar a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi. O documento atual diz que duas concessionárias de telefonia fixa não podem ter acionistas em comum. O novo texto, que ainda precisa ser encaminhado ao governo, prevê que um mesmo grupo pode controlar duas concessionárias.


A criação de uma empresa separada para a banda larga foi fortemente criticada pelas concessionárias locais, como a Oi, a BrT e a Telefônica. A Anatel ainda precisa absorver as contribuições enviadas na consulta pública e aprovar um novo texto pelo seu conselho diretor, antes de enviá-lo para o Ministério das Comunicações.


‘O legislador definiu claramente onde começam e onde terminam as competências da Anatel e do Executivo’, disse Guilherme Ieno, especialista em telecomunicações da Koury Lopes Advogados. ‘A modificação do texto seria altamente questionável.’


O ministro Hélio Costa não enxerga nenhuma irregularidade. ‘A Anatel faz uma proposta e nós sugerimos mudanças, se acharmos necessário’, explicou, acrescentando que o presidente é quem elabora o decreto. Marcelo Bechara, consultor jurídico do Ministério das Comunicações, negou qualquer irregularidade. ‘O Ministério mexeu no PGMU duas vezes’, exemplificou. O PGMU é o Plano Geral de Metas de Universalização, outro decreto presidencial elaborado pela Anatel, que é tratado da mesma forma que o PGO pela Lei Geral de Telecomunicações.


Na prática, a fala do ministro serviu como uma forma de pressionar a Anatel. Ontem, o ministro participou da abertura do evento SET 2008, em São Paulo. Nenhum dos conselheiros da agência compareceu à cerimônia. A Anatel foi representada por Ara Apkar Minassian, superintendente de Comunicação de Massa, que não trata de assuntos como o PGO e a compra da BrT pela Oi.


Floriano de Azevedo Marques, professor de direito da Universidade de São Paulo, afirmou que o presidente da República pode modificar o texto da Anatel, desde que respeite certas limitações. ‘A mudança precisa estar fundamentada em uma política pública já definida’, disse.’Se for feita uma modificação profunda no PGO, é preciso fazer uma nova consulta pública. O presidente não pode, sem nenhum fundamento, simplesmente ignorar a proposta da Anatel.’’


 


 


Leonardo Goy


Para Anatel, críticas do ministro ‘enriquecem o debate’


‘Um dia depois de o ministro Hélio Costa criticar a proposta da Anatel de obrigar as empresas de telecomunicações a criar uma companhia separada para administrar os serviços de banda larga, a agência informou ontem, em nota, receber ‘com naturalidade qualquer manifestação fundamentada a respeito de suas propostas de regulamentação’.


Na nota, a Anatel afirma que críticas ‘enriquecem os debates’ de suas propostas e ressalta que a revisão do PGO está ‘em estágio de construção’. Segundo a agência reguladora, no momento seus técnicos estão analisando as contribuições encaminhadas por empresas e pessoas físicas no processo de consulta pública a que foi submetida a proposta do novo PGO.


A Anatel diz também que seu conselho diretor ainda vai deliberar sobre o texto do novo PGO que será encaminhado ao Ministério das Comunicações.’


 


 


CINEMA
Luiz Zanin Oricchio


Circo de mídia para sátira dos Coen à vida americana


‘E não é que as primeiras cenas do Festival de Veneza mostram o mais conhecido cartão postal de São Paulo – a Avenida Paulista? Elas estão no curta-metragem Do Visível ao Invisível, de Manoel de Oliveira, que tem o diretor da Mostra de São Paulo, Leon Cakoff, como um dos protagonistas. O outro é o português Ricardo Trepa. Com bom humor e ironia, Leon e Ricardo se encontram em pleno burburinho da Paulista e tentam conversar, mas são a toda hora interrompidos por seus celulares. Manoel, na jovialidade dos seus 100 anos, enfrenta assim, sem angústia aparente, o antigo tema da incomunicabilidade humana, agravado pelas novas tecnologias que, ironicamente, se dizem voltadas à comunicação.


Veja galeria de imagens do Festival de Veneza


Do Visível ao Invisível precede a estréia mundial do novo longa-metragem dos irmãos Coen, Burn After Reading, que passa em Veneza fora de concurso. Os Coen desembarcaram no Lido com a trupe toda e, levando-se em conta os nomes do elenco, pode-se imaginar o tititi causado: George Clooney, Brad Pitt, Frances McDormand e Tilda Swinton. Como costuma acontecer quando celebridades de Hollywood estão envolvidas, a coletiva de imprensa virou circo. Elenco e diretores já chegam com a disposição de não se levarem a sério, desencorajando qualquer pergunta mais profunda.


E quanto ao filme? Bem, Burn After Reading parece um divertimento após o que parece ter sido o extenuante Onde os Fracos Não Têm Vez. Acontece que, com os Coen, há sempre alguma coisa a mais. Muito mais. Em aparência, o filme é uma comédia de humor negro em que uma trapalhada leva a outra. Bem visto e pesado, é um comentário tanto ácido quanto irônico da contemporaneidade norte-americana, e sua relação com a herança da Guerra Fria.


Na história, John Malkovich é Osborne Cox, agente da CIA demitido por alcoolismo crônico. Clooney é um agente federal e Pitt, um personal trainer que trabalha em uma academia. Frances McDormand é gerente dessa academia, e Tilda Swinton, a esposa do ex-agente da CIA. Meio por rancor, meio por tédio, Cox resolve escrever suas memórias e grava o texto em um CD. Sua mulher, que o está traindo, rouba o CD e o esquece na academia. A personagem de McDormand precisa de dinheiro para pagar uma série de cirurgias plásticas que acredita necessitar para sua carreira e assim a coisa vai. As histórias se cruzam, mas não da maneira que se tornou habitual. Há sutilezas no modo como os Coen costuram seus comentários sobre temas como a obsolescência de uma agência de inteligência, a obsessão moderna pelo culto físico, o sexo pela internet e outras delicadezas da vida contemporânea. O filme é brilhante, e realizado com a habitual fluidez. Passa num respiro. Dá vontade de ver de novo.


Para algumas dezenas de privilegiados, o festival começou na véspera, com a exibição em praça pública de A Lenda do Santo Beberrão, de Ermano Olmi, filme que venceu o Leão de Ouro há 20 anos. Antes da sessão, houve coquetel e jantar num dos magníficos palácios venezianos situados no Canal Grande – o Palazzo Quirini Dubois. O Estado esteve presente e testemunhou a conversa de Ermano Olmi com Manoel de Oliveira. Aliás, serviu de intérprete entre os dois. Oliveira, entre outras coisas, se queixou de que o espectador não mais enfrenta os desafios de inteligência que o bom cinema propõe. E está voltando no tempo. Ao que Olmi respondeu que seria bom se assim fosse, pois, voltando na história talvez regressasse à civilização grega, e não é isso que se anuncia. O que se vê é um avanço contínuo, e em direção à barbárie. ‘Tanto assim que as multinacionais estão comprando terras por todo o planeta, tentando estocar riquezas para usufruir mais adiante’, disse.


Olmi acha que os desafios do presente são tão grandes que não deseja mais filmar ficção, mas apenas documentários. ‘Quero voltar às coisas mesmas, hoje tão sobrecarregadas de significações que não mais as vemos.’ É claro que este é um ideal de pureza por parte de um cineasta profundamente impregnado da doutrina cristã. Não talvez de um cristianismo doutrinário, mas rigorosamente ético. Por isso o desalento com o mundo atual, com a celebração da falência ética e da moral dos espertos. De certa forma, o filme que foi visto no Campo de San Polo já aponta para esse tipo de preocupação. Rutger Hauer faz o mendigo alcoólatra que contrai uma dívida impagável com Santa Tereza. Ele precisa doar 200 francos à igreja, mas algo sempre o desvia num momento ou no outro – um amigo de juventude, uma mulher tentadora, etc. Não deixa de ser também uma parábola sobre o pecado original e a falha trágica do homem, sempre dividido entre seu desejo e a vontade. São imagens marcantes deste filme, agora restituído em cópia impecável. Vê-lo, tendo ao lado a arquitetura veneziana e acima um céu estrelado, é experiência que não se esquece.


Gondoleiras


PRÊMIO ATEU: Os prêmios oficiais do Festival de Veneza são em pequeno número. Mas os extra-oficiais existem em quantidade e para todos os gostos. Por exemplo, uma certa Organização dos Ateus Agnósticos Racionalistas atribui o Prêmio Brian para o filme que destaque melhor os valores laicos. O nome do prêmio se refere ao filme do Monty Python que faz uma paródia dos Evangelhos.


REAÇÃO ALEMÃ: A seleção dos concorrentes já rende polêmica. É que a poderosa revista alemã Der Spiegel considerou ‘caseira e patriótica’ a comissão que escalou quatro representantes italianos para disputar o Leão de Ouro. A direção da Mostra respondeu: ‘Acham que há muitos italianos. Mas só de americanos são cinco os concorrentes’. Os alemães têm apenas um concorrente na mostra principal, Jerichow, além de duas co-produções.


OBRAS: Este já está sendo chamado de o festival-canteiro de obras. Meia Veneza parece estar sendo restaurada. Do Palácio Ducal à Ponte dos Suspiros, pontos turísticos dos mais procurados, tudo parece estar em obras. E o pior é que os edifícios estão cobertos por outdoors gigantescos, exibindo as marcas dos patrocinadores dos restauros.’


 


 


TELEVISÃO
Alline Dauroiz


Programa promete… …E não cumpre: mico do Hoje em Dia


‘Jornalista e apresentador do Hoje em Dia, da Record, Britto Jr. anunciou durante quase todo o programa de ontem que ele e os demais apresentadores da atração passariam pelo polígrafo, a máquina que detecta mentiras. No entanto, após muito suspense, e para frustração do telespectador, o jornalista disse que a brincadeira com os apresentadores não mais aconteceria, por causa de um desacordo entre entre os apresentadores, a direção do programa e a pessoa responsável pelo polígrafo.


O teste com a máquina da verdade faria parte do programa, que exibia reportagem sobre ‘mitomaníacos’ (pessoas com mania de mentir) e trouxe psicólogo para falar do problema.


De acordo com a Assessoria de Imprensa da emissora, o técnico responsável pelo polígrafo não quis assinar o termo de autorização de imagem e isso impediu que o teste fosse realizado.


Popularizado nos programas Nada Além da Verdade, do SBT, e Boa Noite Brasil, de Gilberto Barros, na Band, os quadros com a máquina da verdade não costumam mostrar o técnico que a opera. A Record informa que esta seria a primeira participação do polígrafo na emissora.’


 


 


Cristina Padiglione


Gazeta terá campeonatos italiano e inglês


‘Domingo tem jogo do Chelsea, do Felipão, contra o Tottenham, e a TV aberta vai mostrar. Surpresa: na TV Gazeta. A emissora acertou uma parceria com a TV Esporte Interativo para revezar, a cada fim de semana, jogos dos Campeonatos Italiano e Inglês de futebol. Valerá, a cada rodada, só uma partida do pacote, sempre às 14h. A novidade faz parte de uma política do canal que prevê reformar a grade à base de co-produções. A regra é não retroceder aos tempos em que toda a programação era loteada para terceiros.’


 


 


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