Terça-feira, 22 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

FEITOS & DESFEITAS > Virando a própria mesa

Tudo que aconteceu depois que eu pedi demissão

Por Suzana Amyuni em 13/06/2017 na edição 945

No início fui taxada de louca, inconsequente, irresponsável. Cheguei a ouvir que eu jamais conseguiria um emprego tão bom e que eu demoraria muito para me recolocar. Ah! Fui citada como exemplo negativo! Tive dois dias de enxaqueca intensa. Muito medo. Mas eu estava decidida e nada me demoveria.

Era a primeira vez que eu pedia demissão sem ter outro emprego em vista. Este, aliás, acho que foi um dos grandes fatores incompreensíveis para as pessoas porque, afinal, quando se pede demissão é para exercer um cargo melhor. Foi um choque para muitos. Não para mim.

Eu havia me preparado. Não tinha dívidas no cartão de crédito e nem despesas altas. Havia cortado todas que eram possíveis e tinha um pouco de dinheiro guardado. Também tinha um carro para vender se a coisa apertasse. E tinha a convicção de que esse era o melhor caminho.

O trabalho que eu desenvolvia era delicioso, mas eu estava estagnada… e quase ficando doente! E apesar de não me ver como empreendedora, sentia que eu poderia ir além. Acreditava que havia “vida lá fora”.

O primeiro mês foi de reorganização dos pensamentos e atualização do mercado, porque eu estava havia tanto tempo na mesma empresa que, confesso, fiquei meio sem saber o que acontecia na minha área. Mas após o choque de realidade, fui em frente! Viajei, fiz algumas trilhas e gravei vídeos.

Nos meses seguintes procurei cursos, fiz contatos, participei de muitos processos seletivos e deixei de participar de vários por não ter, na época, inglês fluente. Pela primeira vez me deparei com a dificuldade de não ter me dedicado o suficiente. Por que não havia estudado antes?

Bom, mas eu estava viva e ainda poderia correr atrás do “prejú”. Sem contar que tinha outras habilidades. E embora naquele momento estivesse já um pouco abalada pela demora em encontrar outro trabalho, continuei firme. Chorei algumas vezes. Mas desistir não era uma alternativa. Não para mim.

Passaram-se dois meses e recebi a primeira proposta de emprego. Fui editora de um jornal no interior de São Paulo a convite de um amigo (muito querido!), que acabara de assumir o cargo de editor-chefe.

Que experiência bacana!! Mas curta. Logo depois o jornal fechou as portas e nós dois estávamos na rua de novo.Continuei minha jornada de processos seletivos recebendo muitos nãos, a maioria deles sem ao menos saber onde eu estava errando. Não recebia nenhum retorno.

Nesse meio de tempo, fiz um curso com o Cristiano Santos, (o primeiro de vários que eu faria com ele e com outros profissionais do marketing digital), o que me trouxe outras perspectivas. Comecei a estudar redes sociais, me aprofundei. Esse, na verdade, é um assunto sem fim. Não dá para ser expert sem estudo constante. Ainda há um longo caminho a percorrer; talvez eu não conheça 50% do conteúdo disponível. Mas já conheço 100% a mais do que há um ano.

Outros dois meses se passaram e recebi mais uma proposta de trabalho, desta vez em uma agência de comunicação e marketing. A partir dali muitas portas se abriram. Coisas que eu sequer podia imaginar e que jamais aconteceriam se eu estivesse presa ao modelo antigo de trabalho.

Escrevi um livro! O segundo da vida profissional. Uma experiência incrível após entrevistar quase 40 professores da Esalq, a USP de Piracicaba. O conhecimento que adquiri após o contato com cada docente foi para muito além do conteúdo das ciências agrárias. Eram para mim lições de vida. Fortalecimento. Luz.

Pude, ainda, revisar outros dois livros e participar da elaboração de inúmeras revistas. No fim do ano comecei a trabalhar alguns dias em home office. Um começo difícil (deixo esse relato para o próximo artigo), mas que me trouxe tantos benefícios como esse revelado na foto abaixo.

Nesse período também me casei. Tá certo que isso não tem a ver com o lado profissional, mas quis registrar porque meu marido, que na época da demissão era apenas meu namorado, foi um dos meus maiores incentivadores. Não me achou louca. Ou achou e se casou comigo justamente por isso!

Comecei a prestar serviço, ainda por meio da agência, para um senador italiano, o que foi um estímulo para que eu voltasse a estudar a língua. Um ano depois fui para a Itália, onde passei 15 dias e conheci a realidade daquele país tão lindo. Tudo que o senador comentava (ou quase tudo), agora eu via pessoalmente. Uma baita oportunidade.

De volta ao Brasil, meu olhar havia se modificado. Em relação ao mundo, em relação ao trabalho e em relação a mim. Hoje continuo fazendo cursos – presenciais e online, leio muito sempre que posso (e quando não posso, leio ao menos um pouco) e estudo com frequência.

Consegui mais trabalhos e novos clientes. Precisei abrir mão de alguns porque não daria conta de atender a todos. Que alegria, eu estava certa! Há vida lá fora!!

Já se passaram quase dois anos da minha demissão. E por que escrevo tudo isso agora? Para deixar um relato do quanto vale a pena insistir em algo que acreditamos, mesmo que a princípio seja necessário remar contra a maré. Como bem disse Matheus de Souza, a confiança é a base onde nossas vidas estão construídas.

Aliás, recomendo esse artigo dele, escrito de uma forma tão espontânea que conquistou milhares de leitores; mais de 400 deles pararam para comentar. Delícia de leitura!

Enfim, é assim que eu me sinto agora novamente. Sei que muitos dos meus clientes conhecem minhas falhas, elas estão aí, mas sei também que eles valorizam muito mais minhas virtudes e fazem questão de trabalhar comigo. E isso me motiva a ser cada dia melhor.

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Suzana Amyuni é jornalista.

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