Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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ENTRE ASPAS >

TV americana cai em golpe de falso assessor

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 14/11/2008 na edição 511

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 14 de novembro de 2008


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Folha de S. Paulo


TV cai em golpe de falso assessor de John McCain


‘O canal de TV de notícias americano MSNBC foi a última vítima de um trote que já atingira o jornal ‘Los Angeles Times’ e vários blogs -o de um assessor fictício do candidato presidencial John McCain, Martin Eisenstadt, do Instituto Harding para a Liberdade e a Democracia.


Eisenstadt procurou a MSNBC dizendo ser a fonte de uma reportagem veiculada logo após a eleição na concorrente FoxNews, na qual um repórter disse que pessoas da campanha de McCain haviam contado que a candidata a vice na sua chapa, Sarah Palin, pensava que a África era um país, não um continente, entre outros absurdos.


O âncora David Shuster, da MSNBC, deu a notícia: ‘Martin Eisenstadt, um assessor político de McCain, veio a público hoje [na segunda] se identificar como fonte [da reportagem da FoxNews]’.


Só que Eisenstadt, na realidade, é um personagem criado pelos cineastas Eitan Gorlin e David Mirvish, e o instituto para o qual ele trabalha também é fictício. Os dois queriam demonstrar como o controle da informação pelos meios de comunicação é falho. ‘Com a busca por notícias 24 horas por dia, eles aceitam qualquer coisa que aparece na frente’, disse Mirvish ao ‘New York Times’.


A MSNBC pediu desculpas pelo erro. ‘A informação não havia sido checada. Não deveria ter ido ao ar’, disse um porta-voz da emissora.


Quanto à fonte da reportagem da FoxNews, ela continua anônima. Na semana passada, Palin chamou de ‘babacas’ os responsáveis pela informação, que ela diz ser falsa.


Com o ‘New York Times’’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Os primeiros passos


‘‘É tentador fazer pouco’ do encontro do G20 como ‘uma peça de teatro político’, abre o editorial da ‘Economist’, ‘Redesenhando a finança global’, manchete da revista (dir.). ‘Mas eles podem fazer algumas boas coisas.’


Não vão ter ‘todas as respostas sobre como o mundo pós-quebra do crédito deve ser’, abre o editorial do ‘Financial Times’, ‘Os primeiros passos a caminho da recuperação’, publicado ontem. ‘Mas quando as principais economias do mundo se encontrarem em Washington para discutir a crise global, elas estarão prontas para pelo menos estabelecer os fundamentos de uma recuperação.’


Dito isso, a revista defende ‘ação coordenada para estimular a demanda interna’ e elogia o pacote chinês; cita com simpatia o ‘colégio de supervisores’ proposto por Gordon Brown; e cobra que a Europa cede espaço aos emergentes no FMI. Já o jornal quer que os líderes definam ‘a agenda para conversas futuras’ e estabeleçam ‘grupos de trabalho’.


Artigos às dezenas, de ‘Washington Post’ a ‘Times of India’, dão idéias parecidas e avaliam, aqui e ali, que o encontro ‘é uma coisa boa em si’, por abrigar emergentes onde antes só havia ‘ricos’.


ESPERANÇA EMERGENTE


Como se fosse para ilustrar o novo desenho global, a ‘Economist’ publica um encarte sobre ‘Carros nos mercados emergentes’. Sob a sombra da falência da GM, destaca como Brics e outros ‘são a grande esperança da indústria… mas não será um passeio’


BUSH CONTRA O MUNDO


No enunciado on-line do ‘Wall Street Journal’, ‘Bush defende o capitalismo americano às vésperas da cúpula do G20’. Na versão do ‘FT’, ‘Bush sai atirando em defesa do livre mercado’. O mais que o presidente ‘pato manco’ conseguiu admitir foi tornar os mercados financeiros ‘mais transparentes’. E tratou de sublinhar, ele que estatizou boa parte do sistema financeiro nas últimas semanas, que a intervenção não ‘cura tudo’ e não se deve permitir governo ‘demais’ no mercado.


Por outro lado, sobre o G20, o ‘FT’ ressaltou que a ‘crise forçou convidados orientais a se juntarem à festa’. Alguns, ‘como China, Arábia Saudita e Coréia do Sul’, grandes credores dos EUA. Cita, de um ‘funcionário brasileiro’, que ‘passou o tempo’ do G7.


OBAMA E AS OUTRAS CRISES


No site do ‘New York Times’, quase nada de G20. Pelo contrário, a manchete on-line dizia que ‘líderes mundiais são rápidos a cobrar Barack Obama em política externa’. Começou pelos russos, que exigem que não instale mísseis na Polônia. Passa pelos europeus, que querem dele que não exija ‘mudança de regime’ no Irã. Também Israel, Coréia do Norte, até o Taleban, todos em campo com demandas. Sobre G20 e economia, silêncio.


POR FIDEL, DILMA E O PAPA


Lula surgiu em entrevistas nos italianos ‘La Reppublica’ e ‘Corriere Della Sera’, com enunciados semelhantes sobre a proposta que deve levar a Obama, de retirada do embargo americano contra Cuba. Por aqui, porém, só ecoaram as menções que fez a Dilma Rousseff, como sua sucessora.


Às agências de notícias católicas, por outro lado, só importava a assinatura do estatuto sobre a igreja no Brasil. Mas nem CNS nem CNA detalharam -e até o blog de José Dirceu cobrou do Itamaraty ‘todos os devidos esclarecimentos’ sobre o acordo com a Santa Sé.


APOIO À DEMOCRACIA


E saiu o Latinobarómetro, a pesquisa anual que a ‘Economist’ publica com exclusividade, sobre o pensamento político dos latino-americanos. No destaque da revista, ‘cinco anos de crescimento econômico levaram a um lento, mas relativamente firme, aumento no apoio à democracia e suas instituições na América Latina’. Entre os brasileiros, por exemplo, a democracia passou a ser o regime preferido de 47%, contra 43% no ano passado -e 30% em 2001, sete anos atrás. Na região toda, uma ‘pequena maioria’ já prefere a democracia, afinal.


Sob o título ‘Democracia e a desaceleração’, a revista alerta que agora ‘a tarefa é assegurar que as dificuldades econômicas não enfraqueçam o apoio à democracia’.’


 


 


CRIME
Gustavo Hennemann


Jovens são acusados de estupro e de divulgar vídeo na internet


‘Três jovens de classe média -dois de 18 anos e um de 16- são acusados de estuprar uma menina de 15 anos e de divulgar as imagens do crime, filmado por eles próprios, pela internet.


O estupro, segundo a polícia, ocorreu durante uma festa no pequeno município de Joaçaba (SC), a 419 km de Florianópolis.


Os dois jovens de 18 anos, um deles estudante universitário, foram presos na quarta. No mesmo dia, o rapaz de 16 anos foi encaminhado a um centro para adolescentes infratores.


Os jovens -todos estudantes- abusaram sexualmente da menina no banheiro da casa de um deles, onde ocorreu uma festa com 13 amigos no dia 25 de outubro, segundo a polícia.


Segundo o delegado Ademir Tadeu de Oliveira, um dos jovens de 18 anos levou a menina, que estava alcoolizada e inconsciente, para o banheiro e a despiu. Em seguida, diz o policial, chamou os dois amigos para gravar e fotografar o crime.


Dois deles, um de 18 e o de 16, admitiram em depoimento, presenciado pelos pais, que praticaram sexo com a menina. O outro jovem de 18 disse, durante o depoimento, que só falaria em em juízo. O advogado dele, porém, diz que ele só foi responsável pela gravação de parte das imagens.


‘Eles confessam, dizem que eram amigos da menina e que beberam. Dizem que ela concordou e que fizeram o que ela queria’, afirma o delegado.


Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela polícia sob a alegação de que a investigação corre sob sigilo.


Segundo a polícia, as imagens circularam por e-mail e por MSN (programa para comunicação instantânea) e a ‘cidade toda’ comentava o assunto. Joaçaba tem 24 mil habitantes.


No início desta semana, os pais da menina registraram a ocorrência. Com as provas de vídeos e fotos, a Justiça autorizou a prisão dos jovens.


Na terça-feira, a polícia já havia apreendido dois computadores e três celulares na casa dos suspeitos para perícia.


A partir de mensagens trocadas pelos rapazes, a polícia investiga ainda a possibilidade de eles terem feito a vítima tomar uma droga tranqüilizante sem que ela soubesse.


Ainda de acordo com a polícia, o dono da casa onde ocorreu a festa, pai do menino de 16 anos, não estava e os outros convidados, quase todos adolescentes, foram cúmplices. Eles viram a violência sexual e fotografaram a menina nua sobre o sofá da casa depois de ser violentada, diz o delegado.


A garota, após o caso, foi levada para Florianópolis pela família e recebeu auxílio psicológico para vítimas de violência sexual. ‘Ela veio a Joaçaba para depor, mas logo voltou à capital, porque não há clima para ficar aqui’, afirma o delegado.


Estudantes


Os pais dos suspeitos são comerciantes em Joaçaba e ‘bem relacionados’ na cidade, segundo a polícia. Um dos jovens de 18 anos é estudante de administração em uma universidade privada e o outro cursa supletivo do ensino médio.


Eles estão presos preventivamente no Presídio Regional de Joaçaba e podem cumprir pena de seis a dez anos de prisão por estupro, divulgação de imagem íntima de adolescente e fornecimento de bebida alcoólica a menor de idade.


O adolescente de 16 anos é estudante de ensino médio em uma escola privada. Ele está no Centro de Internamento Provisório para adolescentes e deve ter a pena definida pelo juiz da Infância e Juventude.’


 


 


***


Jovens não têm noção exata do que fizeram, afirma advogado


‘O advogado de um dos jovens presos, Ricardo Nodari, afirma que seu cliente não praticou violência sexual contra a menina de 15 anos. De acordo com Nodari, o rapaz de 18 anos ‘só foi responsável pela gravação de parte das imagens’.


O advogado afirma que o estupro foi lamentável, mas não foi ‘fruto de uma mente doentia’ e aconteceu em um ‘momento de bobeira’. Segundo ele, os envolvidos são muito jovens e não têm a ‘noção exata’ dos crimes que cometeram.


‘Eles não são um exemplo no mundo. Isso está acontecendo em todas as comunidades de adolescentes. Precisamos encarar isso como um grito de alerta [para os pais].’


Ainda segundo Nodari, o jovem que ele defende nega ter participado de algum tipo de ‘indução’ à menina e diz que chegou à festa quando ela já estava no banheiro.


O advogado dos outros dois jovens, um de 16 e outro de 18 anos, Eber Marcelo Bündchen, diz que as investigações precisam avançar para se manifestar. Para ele, é preciso esclarecer quem cometeu o estupro ou participou de outra forma do crime, gravando ou assistindo.


‘Existe uma comoção social muito grande. Esse caso exige cuidado extremo para que algo não aconteça com os meninos.’’


 


 


EDUCAÇÃO
Folha de S. Paulo


Escola padrão que faz homenagem a publisher da Folha é inaugurada no Rio


‘Localizada num enclave verde da área que apresenta o maior crescimento populacional do Rio e atendendo tanto a alunos carentes como de classe média, será inaugurada hoje na zona oeste da cidade a escola municipal Octavio Frias de Oliveira, uma homenagem ao empresário e publisher da Folha, morto em 29 de abril do ano passado, aos 94 anos.


Com recursos da iniciativa privada, a Prefeitura do Rio concluiu sua 23ª escola padrão batizando-a com o nome de Frias de Oliveira -carioca, nascido em Copacabana (zona sul), em 5 de agosto de 1912.


As escolas padrão são construídas com a preocupação de facilitar a inclusão de portadores de necessidades especiais e o uso de instrumentos pedagógicos modernos. Os investimentos são mais elevados do que os de uma escola tradicional -podem chegar a R$ 4,2 milhões. Para a prefeitura, esse valor maior é compensado pela diminuição nos custos de manutenção e pelo fato de cada sala de aula estar preparada para utilização de computadores e equipamentos de som e vídeo.


No caso da escola municipal Octavio Frias de Oliveira, o investimento -de R$ 3,3 milhões- foi bancado pela construtora privada Calper com base em um decreto municipal de 1976, que permite ao município exigir contrapartidas ao autorizar a construção de um empreendimento imobiliário na cidade.


A inauguração será realizada hoje às 11h, na estrada de Jacarepaguá, 5.679, no largo do Anil, em Jacarepaguá, com as presenças do prefeito Cesar Maia (DEM), da secretária municipal de Educação, Sônia Mograbi, e de integrantes da família Frias de Oliveira.


Além das 23 escolas padrão já em funcionamento, outras oito estão em fase de construção. Ainda representam menos de 3% do total de 1.062 escolas de ensino fundamental da rede municipal de educação do Rio.


Segundo a secretária Sônia Mograbi, uma preocupação do projeto foi não repetir o erro de outras escolas-modelo e criar prédios grandes e vistosos, mas de difícil administração.


‘Nossas escolas padrão são menores. Dessa maneira, elas ficam acolhedoras e mais facilmente administráveis pelos diretores’, afirma Mograbi.


As atividades da escola Octavio Frias de Oliveira começaram em setembro deste ano, tendo como uma de suas características atrair tanto alunos de classe média dos condomínios do bairro quanto crianças de favelas próximas, como as de Rio das Pedras e Gardênia Azul.


A diversidade, diz a diretora Maria Cláudia Virginio, é um trunfo. ‘Há aqui desde alunos cujos pais trazem e levam de carro até crianças de famílias de baixa escolaridade. Todos se beneficiam desse convívio.’


Hoje a escola atende a 339 alunos da educação infantil e do ensino fundamental. A partir do ano que vem funcionará com a capacidade máxima de 630 estudantes em 11 salas.


A maioria das crianças da escola estava à espera de vagas na educação infantil ou foi transferida do extinto 3º turno de uma escola vizinha.


A dona-de-casa Maria José da Silva, 42, era uma das mães que, por falta de vagas adequadas, tinha o filho Gustavo, 7, estudando no 3º turno da escola Adalgisa Monteiro.


Para ela, o espaço físico e a receptividade da diretora são os pontos altos da escola Octavio Frias de Oliveira.


Lilian Raquel da Silva, 32, também dona-de-casa, diz que a nova instituição representou uma economia de R$ 147 no seu orçamento. ‘Como não havia vaga na escola municipal, tive que matricular minha filha numa particular. Quando passei por aqui e vi que o prédio estava ficando bonito, corri para garantir a matrícula.’


Apesar dos elogios, ela cobra da prefeitura a instalação de um sinal na porta da escola. ‘Os carros passam com muita velocidade e é difícil atravessar a rua com as crianças’, declara Silva.’


 


 


NA REDE
Folha de S. Paulo


Em blog, ex-jogador comenta futebol


‘Aposentado, ele inaugurou página (http://blog.interzonefutebol.com:80/romario), mas pouco escreveu em três dias. Ontem, elogiou Maradona como treinador, mas disse confiar mais em Dunga.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Novela da Record empata com a Globo


‘Em um feito inédito na história da Record, a novela ‘Chamas da Vida’ dividiu a liderança no Ibope com a Globo, no Rio de Janeiro, na média de todo o capítulo de segunda-feira. Marcou 18 pontos, mesma audiência obtida, no horário da novela, pela Globo, com o filme ‘O Chamado 2’, na outrora imbatível ‘Tela Quente’.


Exibida pela Record após as 22h30, ‘Chamas da Vida’ cresceu após eliminar personagens e investir numa trama pouco explorada, envolvendo pedofilia. Na novela, a adolescente Vivi (Letícia Colin) se apaixonou pelo fotógrafo Lipe (André Di Mauro), que conheceu pela internet. Foi estuprada pelo rapaz e está grávida -o que desencadeará uma nova polêmica: ela deve abortar ou não?


Além da pedofilia, credita-se o crescimento de ‘Chamas da Vida’ ao drama do bombeiro Guilherme (Roger Gobeth), que está com Aids, e à gangue liderada por Dado Dolabella.


Em São Paulo, ‘Chamas’ perdeu para a Globo. Mas está em alta. Anteontem, marcou 19,1 pontos, seu segundo melhor resultado desde a estréia. Ficou a apenas dois pontos de Juventude x Corinthians.


‘Tela Quente’ tende a se tornar para a Globo no Rio o mesmo problema que o futebol é para a emissora em São Paulo. Seus filmes, que já atingiram 50 pontos em 2004 (‘Shrek’), estão em queda desde 2005. Em 2007, deram média de 32 pontos. Neste ano, caíram para 27.


PAPELÃO


Após longa reunião com Fábio Assunção, o diretor artístico da Globo, Manoel Martins, decidiu afastá-lo de ‘Negócio da China’. Seu personagem desaparece. Thiago Lacerda fará par com Grazi Massafera. Assunção, com problemas pessoais, estava prejudicando as gravações da novela.


GLÓRIA NO SBT


José Paulo Valone, produtor que comprou ‘Pantanal’ e outras novelas da extinta TV Manchete, negocia com Glória Perez direitos de ‘Carmem’ (1987), que oferecerá ao SBT.


ACADEMIA


Diretor de núcleo de ‘Malhação’, Marcos Paulo fechou o elenco da nova temporada da novela-seriado, que estréia em janeiro. Segundo a Globo, Gustavo Leão não está na lista.


PIZZA 1


O Ministério da Justiça deverá manter a autorização para que as TVs não cumpram a classificação indicativa nos Estados em que não há horário de verão, apesar da oposição do Ministério Público Federal.


PIZZA 2


Anteontem, o secretário da Justiça, Romeu Tuma Jr., disse à procuradora Gilda Carvalho que prepara parecer sobre as perdas das redes se elas tiverem que cumprir a classificação. Só depois decidirá se revê ou não a autorização.


REFORÇO


Ontem de manhã, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), aprovou nota recomendando o cumprimento da classificação indicativa durante o horário de verão.’


 


 


Cristina Luckner


Universal estréia 3º ano de ‘Heroes’


‘‘Heroes’ estréia a terceira temporada hoje, às 21h, no Universal Channel, com promessa de mudanças. E é o próprio elenco que se empenha em manter essa promessa, no especial ‘Heroes: Countdown to the Premiere’ (contagem regressiva para a estréia), exibido uma hora antes da série, às 20h, no mesmo canal.


As entrevistas com elenco e produção fazem uma retrospectiva da produção, numa tentativa de angariar mais e mais telespectadores. E relembra o jargão ‘Save the cheerleader, save the world’ (salve a líder de torcida, salve o mundo).


Os personagens e suas ‘habilidades especiais’ que levam os menos fanáticos fãs do programa a uma confusão sobre as diferenças entre o bem e o mal -e talvez até os mais fanáticos-, vão embaralhar ainda mais essas duas definições nessa nova temporada.


O primeiro episódio, ‘The Second Coming’ (o segundo voltando), viaja de volta para o passado para revelar a identidade de quem atirou em Nathan Petrelli (Adrian Pasdar); Claire (Hayden Panettiere) continua sendo perseguida por Sylar (Zachary Quinto) e Hiro Nakamura (Masi Oka) terá de enfrentar uma inimiga muito veloz, a nova ‘heroína’ Daphne (Brea Grant).


HEROES – 3ª TEMPORADA


Quando: estréia hoje, às 21h


Onde: no Universal Channel


Classificação: não indicado para menores de 12 anos’


 


 


Caio Jobim


Gilberto Braga afirma não entender nada de TV


‘Com 36 anos de televisão, Gilberto Braga diz não entender nada sobre o meio em que se consagrou como um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira.


‘Não entendo como que ‘Escrava Isaura’, com Lucélia Santos [como protagonista], direção de Herval Rossano e aqueles cenários horríveis, deu mais ibope que ‘Força de um Desejo’ [também de sua autoria], que parecia um filme do [diretor italiano Luchino] Visconti, com a Malu Mader naqueles figurinos maravilhosos’, disse Braga, desdenhando daquele que é um de seus maiores sucessos no Brasil e no exterior durante um dos módulos da série de debates Eu Vejo Novela, anteontem no CCBB do Rio.


Entre histórias de sua carreira, Braga fez elogios e críticas a colegas de profissão, com tiradas irônicas. ‘Eu reconheço todos os autores, o Manoel Carlos, o Sílvio de Abreu, até o Aguinaldo Silva eu reconheço’, disse, arrancando risos da platéia. Braga contou que não consegue escrever nada que não esteja ligado à progressão da trama, e exaltou a habilidade de Manoel Carlos, ‘que escreve sem história e o pessoal gosta’.


Desde já teme o fracasso da novela que terá que escrever em 2010. ‘Não vou fazer [a trama centrada em] duas mulheres desta vez. Vou fazer com dois homens para não ficar parecida com tudo que eu faço.’


A paixão pelo cinema não foi suficiente para que aceitasse algum dos muitos convites que diz ter recebido para escrever roteiros. Braga afirma ter sido a primeira escolha de Walter Salles para desenvolver a história de ‘Central do Brasil’. Chegou a trabalhar algumas semanas com o diretor, mas desistiu. Uma de suas idéias, porém, está no filme: a de que Dora (Fernanda Montenegro) fosse professora.’


 


 


CINEMA
Silvana Arantes


Barcelona 40ºC


‘Nova comédia de Woody Allen, que estréia hoje no país, trata de um triângulo amoroso durante férias de verão na cidade catalã


‘Em seu quarto filme consecutivo rodado na Europa, ‘Vicky Cristina Barcelona’, que estréia hoje no Brasil, o diretor nova-iorquino Woody Allen constrói um ménage à trois em paisagem espanhola.


As peças do triângulo são Cristina (Scarlett Johansson), Maria Elena (Penélope Cruz) e Juan Antonio (Javier Bardem).


‘Já é bastante difícil conseguir viver com uma pessoa. Com duas, tende a ser mais complicado. Na vida real, a maioria das pessoas não pode conviver com essa situação. Mas, no cinema, dá para fazer isso’, disse Allen, após a pré-estréia do filme, em maio passado, no Festival de Cannes.


Maria Elena é a passional ex-mulher do pintor Juan Antonio, que conhece Cristina quando ela e Vicky (Rebecca Hall), turistas americanas, vão a Barcelona de férias.


Ele aborda as duas com a proposta clara de passarem um fim de semana dedicado aos prazeres da mesa e do sexo.


Antes de dividir o teto com Cristina e Maria Elena, o pintor tem um affair com Vicky, o que também configura uma relação de três pontas, já que ela é noiva de Doug (Chris Messina).


Sem subterfúgios


Para Allen, o personagem de Bardem é ‘uma pessoa decente, um cara que joga aberto com as mulheres, que não usa subterfúgios para atraí-las’.


O diretor escreveu o roteiro a convite de investidores catalães interessados em ter um filme com a assinatura de Allen rodado em Barcelona.


‘Minha mulher e meus filhos adoram a cidade. Passar o verão lá foi ótimo. Não sei se aceitaria tão rápido se recebesse um telefonema assim de Estocolmo’, disse Allen.


A mulher do diretor é a coreana Soon-Yi Previn, com quem tem dois filhos. Quando se envolveram, ele estava com Mia Farrow, que adotara Soon-Yi em sua união anterior, com o músico André Previn.


Ao lado do cineasta em Cannes, a atriz Penélope Cruz contou que riu muito ao ler o roteiro. ‘Mas, quando comecei a me preparar para o papel, vi o drama da personagem. Nas filmagens, fiquei profundamente envolvida com isso e até me esqueci de que havia achado as cenas engraçadas’, disse.


Maria Elena, a personagem de Penélope, é perseguida pela idéia de estar sendo traída e não consegue levar adiante a relação com o homem que ama -e que a ama também.


O apego de Penélope à personagem fez com que ela anotasse idéias que lhe ocorriam sobre as motivações de Maria Elena e as dúvidas quanto ao seu passado. Numa manhã, antes das filmagens, a atriz tentou discutir esses aspectos com Allen.


‘Ele falou que respeitava muito os diferentes métodos que os atores usam para se preparar, mas que eu realmente não precisava saber disso e concluiu: ‘Acredite: conheço pessoas assim. Elas existem’.’


A despeito da intensidade dramática dos sentimentos de Maria Elena, as cenas em que ela e Juan Antonio brigam exaltados são das mais engraçadas do filme. Os diálogos oscilam entre o inglês e o espanhol, o que acentua seu efeito cômico.


‘Adorei que Woody tenha nos dado essa liberdade de ir e voltar ao inglês e improvisar. Mas eu tinha muito medo, porque você não muda uma frase de Woody Allen!’, disse a atriz.


Na onda do filme, também chega às livrarias brasileiras ‘Conversas com Woody Allen’, livro de entrevistas de autoria de Eric Lax.’


 


 


Inácio Araujo


Apesar de altos e baixos, é preciso ouvir Woody


‘Com Woody Allen, às vezes é preciso paciência. Em ‘Vicky Cristina’, como em diversos de seus filmes, as desigualdades abundam, os momentos interessantes convivem com outros que fazem bocejar, os lances inventivos, com convencionais.


Em suma, ‘VCB’ tem a cara de Woody, mas em certa medida se parece com qualquer humano, com suas desigualdades, virtudes e fraquezas. Talvez o primeiro aspecto convencional seja juntar um elenco de pessoas bonitas (no sentido de excepcionais, pela maneira como estamos acostumados), como Javier Bardem, Scarlett Johansson, Penélope Cruz e Rebecca Hall.


Eles constituem o núcleo central. Vicky (Hall) e Cristina (Johansson) são duas garotas americanas que vão passar o verão em Barcelona. Digamos, para simplificar, que Vicky é toda certinha, planeja sua vida com precisão, está noiva de um chato. Cristina, ao contrário, é aberta ao que der e vier. Como bem diz o narrador logo no início, ela não sabe o que quer, mas sabe o que não quer.


O pintor e bonitão Juan Antonio (Bardem) logo joga para elas seu charme latino, obtendo sucesso imediato com Cristina. De todo modo, leva as duas para Oviedo, em viagem turístico-romântica. É com essas coisas que se precisa ter paciência, e mesmo com a maneira de ‘quebrar o clima’ de Woody: na hora de ir para a cama com o pintor, Cristina terá náuseas. Será a ocasião de o pintor passar a conversa em Vicky, que não sabe o que quer e, por isso mesmo, é a melhor personagem.


Depois, entrará Maria Elena (Cruz), ex-mulher e grande amor de Juan, passional, desequilibrada, genial. Em suma, o clichê definitivo da espanhola. Mas, com ela, virá a idéia interessante da beleza de amores que nunca podem se realizar. Entre amores, hesitações, negativas que dizem sim etc., o filme segue em frente, sempre oscilante, ora muito interessante, ora muito menos. Mais interessante sempre que capta o amor nesses momentos de vácuo, em que ou a paixão já passou ou ainda não se manifestou plenamente.


Acima desses altos e baixos, no entanto, é preciso dar ouvidos a Woody, que se mostra ainda uma vez um inconformista, alguém que não aceita os destinos traçados, definitivos.


VICKY CRISTINA BARCELONA


Produção: Espanha/EUA, 2008


Direção: Woody Allen


Com: Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Penélope Cruz e Javier Bardem


Quando: estréia hoje, nos cines Bristol, Cidade Jardim e circuito


Classificação: não indicado a menores de 12 anos


Avaliação: bom’


 


 


WIKIPEDIA
Gustavo Villas Boas


‘Informação é um direito fundamental’


‘O fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, disse, em sabatina da Folha realizada na quarta, acreditar que a enciclopédia que pode ser editada por qualquer pessoa será lembrada daqui a 500 anos. ‘As pessoas dirão: ‘[A criação da Wikipédia] foi uma coisa maravilhosa, gente de toda parte trabalhou duro para compartilhar conhecimento, e isso ajudou a educar outros, a construir o que temos’. Questionado sobre erros e uso promocional de verbetes, Wales afirma que os participantes tentam resolvê-los mas alerta que os leitores devem ser criteriosos. Wales foi entrevistado por Ana Lucia Busch, diretora-executiva da Folha Online, Vinicius Mota, editor de Opinião, Rodolfo Lucena, editor de Informática, e Carlos Kauffmann, gerente do Banco de Dados da Folha. Também respondeu a questões da platéia.


Wales acredita que a maior parte do conteúdo da Wikipédia é adequada aos padrões de qualidade do site. ‘A comunidade [de voluntários] costuma resolver em menos de dez minutos uma entrada mal-intencionada’. Mas admite que alguns verbetes podem ter problemas.


Entre os piores erros da enciclopédia, cita um que mudou o paradigma para escrever biografias de pessoas vivas.


No site de idioma inglês, ‘foi escrito sobre um jornalista famoso que trabalhou na administração Kennedy que, durante um breve espaço de tempo, ele foi suspeito de ter participado do assassinato do ex-presidente norte-americano’.


Como a mentira estava em um verbete isolado, perdurou no site por quatro meses. ‘Foi uma coisa horrível.’


O fato causou uma discussão entre a comunidade que participa da construção do serviço. Acabaram determinando que, ‘para pessoas vivas, qualquer acusação deve ser baseada em fonte confiável e confirmada ou será retirada’.


Blogs sem credibilidade


Wales desdenhou de blogs e páginas pessoais como fornecedores de dados confiáveis. ‘É uma página pessoal, com opinião de uma pessoa.’


O mesmo motivo o leva a colocar ‘virtualmente, tudo o que há no YouTube’ na categoria de fonte não-confiável.


‘Mas existem exceções. Se um político faz um discurso e o coloca no seu canal no YouTube’, isso pode ser uma referência adequada.


Pesquisa


Ele afirma que a comunidade procura tomar providências para evitar o uso indevido do serviço, mas alerta que os leitores precisam ser criteriosos sobre a forma como aproveitam as informações, que podem ser ponto de partida em uma pesquisa. Para Wales, o site que projetou é excelente para saber o contexto acerca de um tema.


‘Você está lendo um texto sobre a Segunda Guerra Mundial que cita a Batalha de Bulge. Você vai à Wikipédia ler sobre a batalha, encontra um verbete com boa informação, e volta a ler a história com contexto, com um entendimento mais profundo.’


‘É muito diferente de estar escrevendo a obra-prima sobre a batalha e ler na Wikipédia sobre isso. Não faz sentido, assim como não faz sentido ler na [enciclopédia] ‘Britannica’.


Grande mudança


Para Wales, é importante as pessoas conhecerem ‘qual forma certa e qual a forma errada de usar a Wikipédia’.


Ele diz que o site conta com ‘advertências que levamos muito a sério. Dizemos para o leitor quando existe algum problema ou algo cuja imparcialidade está sendo colocada em dúvida.’


‘Estamos testando algumas ferramentas na Wikipédia em idioma alemão, para que a comunidade tenha mais controle sobre o que é mostrado para o público em geral. Continuaremos permitindo que todo mundo edite. De fato, nós queremos abrir a edição, mas também sabemos que temos alguns problemas de vandalismo.’


‘Normalmente, a comunidade resolve os problemas em poucos minutos, mas pensamos que, mesmo durante esses poucos minutos, nós devemos mostrar ao público em geral uma versão que foi aprovada pela comunidade. Por isso, está em teste uma grande mudança, que eu espero que venha a ser muito efetiva.’


Uso indevido


Questionado sobre casos de edição da enciclopédia por pessoas ligadas a empresas e a políticos, Wales rechaçou a possibilidade de uso da enciclopédia como instrumento de propaganda. Reconhece que muitas vezes uma parte interessada edita determinado verbete -ele mesmo diz ter feito modificações em sua biografia- mas diz que ‘a Wikipédia é formada por pessoas comuns, que estão no controle do conteúdo. É muito difícil alguém manipulá-la para que ela seja útil para fazer propaganda’.


Para Wales, é lícito e útil que uma empresa edite verbetes e interaja com a comunidade. ‘Dizer que Wikipédia é uma ferramenta de propaganda é como dizer que a democracia é uma ferramenta de propaganda. É um diálogo aberto.’


China e censura


Wales lembrou que, depois de estar bloqueada por três anos na China, a Wikipédia agora pode ser acessada naquele país, ainda que com restrições. ‘Há um filtro que bloqueia algumas páginas, mas é melhor estar lá do que ficar totalmente bloqueado.’


Ele espera que a enciclopédia no idioma chinês torne-se a segunda maior do mundo em cinco anos. E diz que, apesar das limitações que sofre, a enciclopédia -que ele considera uma espécie de ‘Cruz Vermelha da informação’- ‘nunca vai colaborar com a censura’. ‘O acesso a informação é um direito humano fundamental’.


Doações


Wales afirmou que a principal fonte de receita da Wikipédia -cuja fundação mantenedora possui 22 funcionários pagos- são as ‘pequenas doações, que chegam de 55 países.’ ‘Algumas pessoas ricas, que eu conheço nas viagens, também doam’, diz Wales. Além disso, ele diz que a enciclopédia começa a fazer parcerias com empresas interessadas em usar o nome do serviço.


Wales disse que ‘colocar publicidade no site está fora de cogitação’. Mas que a enciclopédia nunca sairia do ar por falta de financiamento. ‘Caso colocássemos publicidade, isso renderia rapidamente alguns milhões de dólares.’’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 14 de novembro de 2008


 


PALAVRÃO
Denise Madueño


E-mail ofensivo gera polêmica na TV Senado


‘A resposta de um funcionário da TV Senado a um aviso relativo a uma audiência pública na Câmara provocou indignação e mal-estar ontem no Congresso. Para informar sobre a presença do secretário de Emprego e Relações de Trabalho de São Paulo, Guilherme Afif, em um debate sobre o projeto que prevê a divulgação de impostos em notas fiscais, o assessor de imprensa da pasta, Vinícius Prado de Moraes, enviou um e-mail a diversos órgãos de imprensa e obteve a resposta: ‘Foda-se.’


A mensagem partiu do funcionário da TV Senado João Carlos da Fontoura. ‘É esculhambação. É uma Casa que merece respeito’, reagiu Afif, que relatou o caso ao líder do DEM, Agripino Maia (RN).


Fontoura afirmou que trabalha no núcleo de documentários e recebe uma enxurrada de e-mails. ‘Todo dia passo mais de meia hora apagando mensagens que não são para mim.’ Na quarta-feira, contou, precisava enviar uma mensagem urgente e perdeu a paciência. ‘Foi falha minha ter respondido nesses termos. Minha resposta foi infeliz. Peço desculpas.’’


 


 


TELEVISÃO
Gerusa Marques, Daniele Carvalho e Renato Cruz


Teles avançam no mercado das operadoras de TV paga


‘O presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, defendeu ontem, em Brasília, a implantação de medidas que estimulem a competição no setor de telecomunicações antes de se abrir amplamente o mercado de TV por assinatura às empresas de telefonia. Ele participou de audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados para discutir o projeto de lei 29/2007, que define novas regras para o setor. ‘Que venham as teles, mas com algumas salvaguardas que impeçam que o monopólio das teles transborde para o setor de TV por assinatura’, afirmou Annenberg.


Mas, enquanto as empresas de TV paga pedem proteção, seu mercado está se tornando um mercado das operadoras de telecomunicações. A Net, maior empresa do setor, tem entre seus controladores a Embratel. A Telefônica – que comprou as operações de MMDS (TV por microondas) da TVA e lançou uma operação própria de DTH (TV via satélite) – fechou setembro com 348 mil clientes. Esse número não inclui os assinantes da operação de cabo da TVA, em que a Telefônica tem 19,9% de participação. A Oi e a Embratel preparam sua entrada no DTH, e prometem uma estratégia de preços para alcançar o consumidor de menor renda. A Sky, única empresa que não tem nenhuma tele como acionista, mantém acordos com operadoras, como a Brasil Telecom e a TIM, para venda de serviços em conjunto.


A participação só não é maior porque hoje a legislação não permite que as concessionárias de telefonia controlem empresas de TV a cabo. Mas o PL 29 tem como proposta mudar isso. O interesse das operadoras vêm da necessidade de se oferecer os chamados pacotes triple play (com telefonia, internet e televisão), para conseguir manter os melhores clientes.


O mercado de maior potencial, entre os três serviços, é o de banda larga, que acumulava crescimento anual de 37,8% no terceiro trimestre. A TV paga registrou uma expansão interessante, porém menor, de 18,6%, enquanto a telefonia fixa avançou somente 4,7%. Para as concessionárias de telefonia local (Telefônica, Oi e Brasil Telecom), que vêm perdendo espaço para concorrentes no seu serviço principal, a TV paga é vista como essencial para garantir aumento da receita e evitar a saída de assinantes. O País tinha, no fim de setembro, 41,1 milhões de linhas fixas, 9,6 milhões de assinantes de banda larga e 6,1 milhões de TV paga.


Para Otavio Jardanovski, diretor da consultoria Pay-TV Survey (PTS), o impacto da entrada das telefônicas ainda é pequeno, estatisticamente. ‘A participação da Telefônica no mercado é de 6%’, apontou. ‘A estratégia de entrada é mais para conhecer o assinante e se defender num primeiro momento.’ Um impacto já sentido, segundo o consultor, foi a queda dos preços, o que incentivou o avanço do mercado.


Com o início das operações previsto para o primeiro trimestre do ano que vem, a Oi quer entrar no mercado de maneira agressiva. A empresa, que já tem uma operação de cabo em algumas cidades de Minas, irá ampliar o serviço com o DTH. A Oi guarda a sete chaves a estratégia a ser adotada na disputa por clientes, mas deixa claro que preço será um de seus alicerces. ‘Preço e serviço são determinantes. Essa política agressiva faz parte do nosso dia-a-dia. Na telefonia celular, por exemplo, não praticamos subsídios, mas temos uma política agressiva de preço do minuto’, disse o diretor de Mídia e Conteúdo da Oi, José Luís Volpini.


O executivo lembra que a densidade da TV por assinatura no Brasil é de 10%, bem abaixo da observada em países da América Latina, onde pode chegar a 60%. ‘Esses números são reflexo do preço. O preço é alto porque não há concorrência. A razão é esta, ainda que os gestores das empresas de TV a cabo queiram discutir que a gente vai entrar e estragar o mercado’, alfinetou o executivo.


Apesar de ser sócia da Net, a Embratel planeja lançar seu serviço de DTH entre o fim deste ano e o começo do próximo. ‘Neste momento, a classe C almeja novos serviços, e vamos entrar complementando a cobertura da Net’, afirmou Antonio João, diretor-executivo de TV por Assinatura da Embratel.’


 


 


Keila Jimenez


Tom: livre de reprises


‘Tom Cavalcante conseguiu livrar-se das reprises na Record, pelo menos, em parte. Questão conflitante na renovação do contrato do humorista na emissora, as reprises de seus quadros de humor ganharam uma cláusula à parte no novo acordo, selado esta semana.


Tom acertou sua permanência na Record até dezembro de 2012, com o mesmo salário, no comando de uma atração semanal inédita, o Show do Tom. A reunião de quadros antigos do humorista continua indo ao ar aos domingos, no Show de Humor, que a partir de janeiro será exibido ao meio-dia.


Pelo contrato, quando houver o Show de Humor, a Record não pode mais reprisar quadros do humorista ao longo da programação, como fazia no Programa da Tarde e no Hoje em Dia.


Para reduzir até as reprises do Show de Humor, Tom firmou em contrato a realização de 16 episódios anuais da sitcom Louca Família, que se revezará aos domingos com o Show de Humor.


O humorista é um dos primeiros artistas da Record a conseguirem em contrato que a emissora pare de reprisar atrações. Outras estrelas da casa também têm a mesma reivindicação.’


 


 


CRIME
O Estado de S. Paulo


Jovens estupram, filmam e põem na web


‘A polícia de Santa Catarina está prestes a encerrar o inquérito que apura um estupro envolvendo três jovens de classe média de Joaçaba, no oeste do Estado. Em uma festa com 13 pessoas, uma garota de 16 anos foi violentada por dois jovens maiores, enquanto um adolescente filmava. As imagens foram parar na internet. Os três foram presos na terça-feira e confessaram. A Promotoria vai indiciá-los por estupro, fornecimento de bebida alcoólica para menor e divulgação de pornografia. Se condenados, os adultos podem pegar até 10 anos de prisão.’


 


 


BLOGOSFERA
Lauro Lisboa Garcia


O som das arcas perdidas


‘Desde os primórdios do MP3, com o Napster e o Audiogalaxy, as grandes gravadoras e os internautas que compartilham música de graça travam uma guerra de gato e mouse. A proliferação dos blogs de colecionadores tornou-se uma festa orgiástica para os caçadores de raridades – como os discos de Pernambuco do Pandeiro, João Gilberto e Luiz Eça que ilustram esta página -, mas também para o consumidor ávido por novidades, que não quer pagar para tê-las. São tantos no Brasil e no mundo que disponibilizam música de graça em dimensões gigantescas que a coisa há muito fugiu do controle da indústria fonográfica.


Até que a DMCA (sigla americana para a Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital) entrou em ação e passou a notificar sites que supostamente vêm cometendo infrações a esses direitos. Um dos melhores e mais populares blogs de música brasileira, o Som Barato, foi fechado em outubro com base nessa lei. Outros, como o Um Que Tenha e o Só Pedrada, receberam notificações da DMCA e avisaram os usuários que a qualquer momento podem sair do ar.


‘Já recebi duas notificações da DMCA. A alegação é que o conteúdo da postagem viola direitos autorais (foram um álbum de Francis Hime e outro de Milton Nascimento com Jobim Trio)’, diz Fulano Sicrano, do Um Que Tenha, que prefere não revelar sua identidade. ‘Acho que os blogs de música, em sua maioria, são simples propagadores de emoção’, defende.


Pesquisadores como Charles Gavin e Rodrigo Faour reconhecem a relevância do papel dos blogs. ‘Quando algum setor, principalmente do entretenimento, falha no seu papel de oferecer o que as pessoas querem, a informalidade toma o lugar’, diz Gavin, que tem vários projetos engavetados nas gravadoras. Estas, diante da crise no mercado, se voltam para as novidades vendáveis. ‘Por mais que seja louvável valorizar o catálogo, não podemos ficar só olhando para trás para satisfazer três ou quatro exploradores de arcas perdidas’, diz Marcelo Castelo Branco, presidente da EMI no Brasil.’


 


 


***


Blogueiros defendem seu ‘cárater cultural’


‘Há uma significativa diferença entre postar CDs recém-lançados – que muitas vezes aparecem nos blogs antes de chegar às lojas – e antigos e obscuros LPs, que as gravadoras não cogitam relançar por não ter ‘valor comercial’. Mas nem todos os blogueiros de música lidam bem com esse aspecto ético. Diletantes, uns se dão o trabalho de revirar os próprios baús e formam redes de colaboradores. Outros criam compilações próprias e fazem arte de capa para CD, como o Sacundinbenblog, que acaba de postar uma coletânea com canções mais funkeadas de Roberto Carlos. Há também os que se viram com o que cai fácil na rede, sem critério e sem estilo, para criar os sites. Os bons têm uma listagem de links de parceiros, o que vira uma aventura sem fim vasculhar o material de um e de outro. Os textos editoriais ressaltam o fato de nenhum ter fins lucrativos, mas caráter cultural. Eis a questão.


O DJ carioca Daniel Tamenpi, criador do Só Pedrada, foi notificado pelo DMCA por ter postado um CD da filha de Nina Simone. Mas ele também abre espaço para gente nova ‘que não tem divulgação, principalmente o hip-hop underground, que por natureza não tem muita visibilidade comercial’, diz.


Tamenpi também diz que conquistou bastante público por causa do blog. ‘Sempre segmentei meu trabalho em sons diferentes, coisa que é muito complicada. Ainda mais em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde nada que é alternativo dá certo. O que vinga é o que está na moda.’ Antes do blog ninguém conhecia quase nada que ele tocava na pista, depois passou a ser um pouco mais fácil: ‘Conheci bastante gente com os mesmos gostos musicais que eu, coisa que achava não existir.’


Com o Loronix, Zeca Louro também conquistou admiradores no mundo inteiro, mas de outra forma. Além do diferencial de disponibilizar material raríssimo – principalmente de bossa nova e outros gêneros de música brasileira dos anos 40 aos 70 -, acompanhado de textos informativos sobre os discos, os artistas, e creditar a autoria das faixas, Zeca tem o cuidado de escanear as capas com boa resolução, digitalizar os discos de vinil e limpar o máximo de chiados e cliques que alguns programas milagrosos permitem.


De outra maneira seria difícil ter acesso a álbuns que nem se encontram nos sebos de São Paulo, como os de Luiz Bonfá, Trio Surdina, Waltel Blanco, Lyrio Panicalli e Jacob do Bandolim, entre outros apontados por ele como os mais preciosos do site. ‘Antigamente sem o Loronix e outros blogs, a chance que você tinha de ouvir um disco dos Ipanemas ou do Henry Mancini, por exemplo, era só comprando num site de leilões e nem sempre existe essa disponibilidade’, diz Zeca.


Além disso, o Loronix é quase todo escrito em inglês, o que possibilita que essa discografia brasileira tenha um alcance muito maior fora do País.’Se fosse em português o site não teria chegado aonde chegou. É triste, mas eu também não teria motivação de escrever só para o público do Brasil’, diz Zeca, que já foi roqueiro punk nos anos 80. ‘O share de acesso por país é 49% do Brasil e 51% do resto do mundo’, conta.


O Loronix tem mais de 2 mil títulos e recebe colaborações de Jorge Mello e Caetano Rodrigues, conhecido como o maior colecionador de discos de bossa nova. Caetano e Zeca também contribuíram para a realização do recém-lançado livro 300 Discos Importantes da Música Brasileira, organizado por Charles Gavin. Se o propósito do livro é recuperar e preservar a memória da música brasileira, falta ao leitor ter acesso ao som dos muitos títulos raros que ilustram suas páginas. Blogs como o Loronix suprem essa carência. ‘O Loronix é fantástico e cumpre exatamente esse papel importante, de informar e suprir toda uma ala de discos esquecidos, abandonados, que ninguém na indústria fonográfica sabe que existem’, diz Gavin.


A política de Zeca é a de considerar o meio de vida dos artistas, respeitando os direitos de quem está na ativa ou tem discos à venda. Provavelmente por isso ele não tenha recebido notificação do DMCA. ‘Não tenho nada contra colocar disco novo nos sites etc., mas não me sinto confortável de fazer isso, porque qual o sentido de colocar no Loronix um CD que você pode ir na loja e comprar?’, questiona. ‘Não existe nada que justifique colocar o catálogo da Biscoito Fino, por exemplo, num site.’


Rodrigo Faour concorda com Zeca. ‘Quando são discos raros de gravadoras obscuras, ou coisas fora de catálogo há anos, é bom que a gente possa compartilhar isso. É a cultura que está em jogo. Se alguém é detentor dos fonogramas e não faz nada com eles, alguém tem de fazer’, diz. ‘Agora, se eles saem em CD numa edição bacana, com encarte, com letras, aí realmente acho que tem de ter um mecanismo legal para coibir isso, porque é uma sacanagem, porque há um investimento e todo mundo perde: a indústria, o artista, o produtor.’


A complexa questão de direitos é mais relevante para o cantor e compositor Gilberto Gil do que se preocupar em patrulhar o compartilhamento de seus discos. ‘Como estou com o espírito muito aberto, e de certa forma tendendo a me associar à corrente da abertura, da flexibilização, à esquerda e não à direita, não estou muito preocupado com os meus instrumentos específicos de fiscalização. Acho que é uma fase experimental, que você tem de ver até onde vai’, diz o cantor.


Gil defende a garantia da cópia privada. ‘Por que a pessoa não pode fazer uma cópia para uso pessoal, como é o caso desse site aí (referindo-se ao Loronix), ou para distribuir para os seus amigos de graça? Pois se temos a tecnologia, as técnicas digitais que permitem fazer isso. Então é complicado demais ficar insistindo no ?law and order? no sentido clássico, de basicamente defender os interesses e os direitos adquiridos daqueles que até hoje exploraram, que até hoje detiveram a hegemonia no mercado – que são as grandes gravadoras, as grandes editoras, etc. -, em detrimento dessa emergência fundamental do indivíduo’, diz. ‘Estamos em fase de luta aberta entre a nova cultura e a nova tecnologia e os velhos padrões.’


Tamenpi diz que não coloca discos de grupos brasileiros independentes sem o consentimento deles. ‘Aí já acho caído. O cara trampou pra fazer um disco e tá no corre pra vender. Várias pessoas já vieram pedir pra colocar os discos no blog, outras eu peço pra colocar e elas pedem pra esperar a prensagem ser totalmente vendida pra disponibilizar de graça. Acho o preço do CD no Brasil um absurdo. Sei que é por causa das majors que esse problema com os blogs está acontecendo.’


Em geral os blogs alertam nas páginas de abertura que se alguém se sentir prejudicado pelo armazenamento de qualquer material pode reclamar que este será retirado. ‘O que os blogs fazem não incomoda os artistas, e caso alguns se sintam incomodados, é porque existe algum desconforto do mesmo em relação à atitude da gravadora que vai ver o disco publicado para download’, diz Bruno Rodrigues, do extinto Som Barato. ‘A impressão que dá é que todo artista quer ver o seu som ?rodando por aí?, mas não fala isso publicamente, quando tem uma gravadora que o encheu de contratos e compromissos legais.’


Metaforicamente, essa tendência também resolve em parte um dos grandes entraves da indústria fonográfica no Brasil: a distribuição, que sempre prejudicou os artistas menos comerciais. Uma vez que esses blogs não tiram proveito financeiro de seu conteúdo, a questão remonta, em proporção infinitamente ampliada, aos tempos em que se copiava música dos LPs para fitas cassetes, como exemplifica o blogueiro Fulano Sicrano, do Um Que Tenha. ‘Se a vontade de compartilhar persiste por décadas, é bobagem de quem tem ?o direito sobre a obra? querer tapar o sol com a peneira. Novos blogs vão surgir e é evidente que novas tecnologias trarão novas formas de compartilhamento.’


Alternativas já se apresentam neste momento em que o DMCA desce o sarrafo da lei. O Só Pedrada já tem um e-mail para os usuários se cadastrarem, caso queiram saber que rumos o site vai tomar se for fechado. Bruno também tomou providência idêntica antes de ter seu Som Barato lacrado. ‘O blog era inegavelmente o maior diretório de música já feita em Pernambuco’, afirma Bruno. E era mesmo. Tinha um vasto acervo de música pernambucana – alternativa e antiga, raros discos de frevo, mangue beat e tudo o mais – acima de 2 mil títulos. Teve mais de 6 milhões de acessos em 2 anos.


‘Todo mundo usa a internet pra baixar discos, inclusive os artistas, eu, você, e o engravatado da Biscoito Fino’, diz Bruno. ‘Felizmente, o independente desconhecido e o mainstream estão se misturando, e agora ninguém sabe mais quem é quem, todo mundo é ouvido.’ Mas nem todo seu trabalho está perdido. Alguns usuários do site formaram uma corrente para criar um blog alternativo, que está em fase de teste e vai entrar no ar em breve no domínio www.sombarato.org. É a tal da ‘teoria Mosca na Sopa’, como se diz por aí, reportando à canção de Raul Seixas que diz: ‘Por que ?cê mata uma, aí vem outra em meu lugar.’ Lembra do efeito Napster?


Onde garimpar


LORONIX: Mais de 2 mil títulos de raridades da bossa nova, samba, choro e outros gêneros de música brasileira em vinil, com textos em inglês sobre os discos, incluindo autores das faixas e ficha técnica (http://loronix.blogspot.com)


UM QUE TENHA: MPB em geral (discos raros e lançamentos), compilações exclusivas e alguns títulos de artistas estrangeiros relacionados à música brasileira (http://umquetenha.blogspot.com)


SÓ PEDRADA: Discos raros e lançamentos de hip-hop, soul, funk, bossa nova, samba e jazz, entre outros gêneros de música negra (http://sopedrada.blogspot.com)


SACUNDINBENBLOG: Basicamente álbuns clássicos e compilações exclusivas de pop suingado brasileiro e internacional, com alguns contrastes de rock deprê (http://sacundinbenblog.blogspot.com)


ABRACADABRA: Títulos obscuros e raros, independentes e instrumentais (http://abracadabra-br.blogspot.com)


LOS QUE NO SE CONSIGUEN: LPs e compactos raríssimos de música engajada e folclórica da América Latina, incluindo títulos brasileiros e europeus (http://losquenoseconsiguen.blogspot.com)’


 


 


 


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